<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953</id><updated>2012-02-02T11:07:53.310-02:00</updated><title type='text'>Ponto de Vertigem</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>133</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1077130373002660525</id><published>2011-12-07T20:06:00.000-02:00</published><updated>2011-12-07T20:07:21.538-02:00</updated><title type='text'>Fome</title><content type='html'>Há mais fome no espírito que qualquer ritual pode saciar. O ar é ruim, hostil, um peso vazio dentro de cada um. Os olhos açoitados pelas telas brilhantes multicolores, peças publicitárias e autovigilância. Um único organismo opressor, parasita de si mesmo, apodrecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma nova droga nas ruas que deixa os usuários catatônicos por dias. Depois eles retornam sem lembranças da viagem. Os laboratórios não sabem explicar o que é. Ouvi dizer que há uma nova religião nos subterrâneos e esse químico é utilizado em seus rituais. Os usuários continuam usando e não sabem explicar porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você tiver o preparo certo, se estive purificado, irá se lembrar da viagem. Os não iniciados se perdem em um labirinto de estupidez e imundice mental, por isso retornam sem nenhum ganho. É preciso uma limpeza para ver o caminho se iluminar, rumo a Ante-sala da Verdade.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um traficante me leva pelos subterrâneos até a alcova do profeta. Há dois salões; em um, dezenas meditam, no outro, dezenas esperam. Os rituais de preparo são coletivos: 5 dias. A viagem é solitária. Mais 5 dias. Nós aguardamos as instruções do profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O profeta nos reúne no salão, portas trancadas e sem janelas, exceto por uma clarabóia no alto da abóbada, a sete metros do chão. Ele nos mostra os Cinco Círculos dos Excessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro Dia – O Círculo da Gula: nos lhe é dado um enorme banquete com carnes, frutas, pães, doces, vinho, cerveja... Nossas mãos e bocas ficam untadas de gordura e mel. Comemos por 24 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Dia: O Círculo da Música: tocamos tambores, cantamos, berramos e dançamos uma música selvagem e primitiva, abastecidos apenas por água, álcool e erva. Festejamos por 24 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro dia: O Círculo do Sangue e Fogo: quebramos ídolos de cera e vidro, queimamos livros santos, rasgamos nossas roupas e nos flagelamos, tingindo o chão de cinzas, cacos e sangue. Destruímos por 24 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto dia: O Círculo do Sexo: fornicamos como animas sobre o chão imundo, realizando todos os atos possíveis, todas as formas de satisfação reprimidas por séculos de hipocrisia e perversão. Fodemos por 24 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinto dia: O Círculo da Privação: sentamos separados, sem falar, sem comer, sem beber e sem se mexer por todo o dia. Estamos imundos e o ar está fétido pelos excessos dos dias anteriores. Nada fazemos por 24 horas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim dos Círculos dos Excessos, nos banhamos e somos levados ao outro salão. Recebemos vasilhames com um líquido prateado. Speculum é nome da droga que nos leva ao inicio da viagem. Estou sozinho agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O céu é o violeta elétrico. É como um depósito de lixo, com montanhas de carcaças e dejetos por todos os lados. Mas o que está empilhado são todas as minhas lembranças, desejos, fantasias sexuais, amores perdidos e totens da minha ganância. É um festim para a libido, orgulho e sentidos. Mãos suaves da paixão me tocam e seduzem, um inimigo desprezível se posta vulnerável, pronto para ser aniquilado. Sem o preparo devido me perderia entre esses horrores e tentações. Ignoro os ruídos da minha existência fútil e sigo o caminho que se abre diante dos meus olhos. Meus pés descalços sem ferem a cada passo, esmagando detritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim do caminho, uma arvore negra, quase uma sombra. Seus galhos têm espinhos e formam uma escada. Escalo, sangrando minhas mãos e meu rosto, que roça nas folhas ásperas a toda hora. A cada metro percorrido, tudo se torna mais escuro. Até que me vejo diante de uma porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ante-sala da Verdade se mostra a mim como um quarto de motel vagabundo. A tevê está ligada, fora de sintonia, os lençóis estão imundos. O papel de parede é amarelado, cheio de fungos. A luz do banheiro está acessa. Entro e observo meu reflexo no espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obedeço ao instinto, e dou um murro. O vidro trinca e meu reflexo se altera. Continua parecido comigo, mas adquire uma presença mais forte, como se houvesse crescido. Os cabelos são completamente negros e os lábios vermelho sangue. Não há olhos, apenas duas órbitas negras e vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Talvez você tenha vindo à procura de seus deuses. Pois eles não mais aqui se encontram. Estão mortos, todos eles, todos os espíritos, todos os anjos, panteões de imortais aniquilados por vocês e suas vidas mesquinhas. Até mesmo as Musas, decompostas vivas pouco a pouco, nada além de carcaças cujo fedor parece inspirá-los a produzir canções pérfidas de obediência. Só resta a mim agora, agonizando, a espera de alguns exploradores para espalhar a notícia. Vocês vêm em busca da verdade, da iluminação, da paz de espírito... quanta bobagem. De que valem as crenças, os ritos, se vocês vivem como vermes, se envenenado dia após dia em prazeres enganosos e em ódio silencioso? Os seus enormes templos de mármores, seus livros sagrados de regras, seus instintos reprimidos do despertar ao desfalecer, tudo em nome de reis, generais e bispos, pastores sádicos de um gado faminto. Fome espiritual, porque suas vidas não lhe alimentam. Entregam-se a rituais em busca de justificação e alívio. Nenhum ritual seria necessário se vivessem a vida de tal forma que seus espíritos sempre estivessem a flor da pele. Mas ele está atrofiado, enjaulado em uma existência covarde. O medo das trevas os fez ficar próximo à luz e adorar o fogo, ao invés de aprender a enxergar no escuro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reflexo desaparece e o espelho se torna vazio. Desperto e observo a luz do luar entrando no salão pela clarabóia. Não tenho mais nada a dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1077130373002660525?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1077130373002660525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1077130373002660525' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1077130373002660525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1077130373002660525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/12/fome.html' title='Fome'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1534610903512075381</id><published>2011-10-31T23:07:00.003-02:00</published><updated>2011-11-01T01:22:38.769-02:00</updated><title type='text'>S&amp;M é coisa de gente rica</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico fechou a grade do elevador antigo, nos trancando na jaula rumo ao subsolo. Me trouxe a esse casarão velho e não me disse o porquê.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entramos no porão iluminado por velas. Um calabouço de paredes de pedra, chão de madeira e tapetes persas. No salão havia um grupo de pessoas em trajes de gala e máscaras. Enrico e eu paramos a margem e permanecemos sob as sombras. “Olha só que clichê”, ele riu observando a cena. “Hollywood e literatura ruim acabam mesmo com a imaginação”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma mulher vestida em couro trouxe na coleira uma loira de roupão ao centro do salão, despiu a moça e, com a ajuda de um outro sujeito, a amarrou de pernas abertas sobre uma mesa. “Por que você me trouxe a um clube de sadomasoquismo?” “Porque é ridículo”, respondeu Enrico.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Eu andei pensando sobre esse tipo de coisa, como sadomasoquismo poderia representar a essência da sociedade, aspectos como submissão, manipulação e autoritarismo... mas eu percebi que isso é bosta. Não é nada disso”, dizia Enrico, acompanhado pelos gemidos da moça abusada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“A verdade é que S e M é coisa de gente rica, só isso. Só quem nunca pegou um ônibus lotado na hora do rush, nunca ficou uma noite sem dormir pensando nas contas a pagar e nunca teve qualquer contato com o caos cotidiano pode ter fetiche sexual pelo sofrimento. Pra eles isso é como viajar para outra dimensão”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“É isso? Essa é sua teoria? Me trouxe aqui pra isso?”, eu perguntei enquanto os mascarados se revezavam entre chicotear, estapear e masturbar a loira. “Quando você joga videogame e finge que é um super-assassino ou jogador de futebol, sabe? Se você é rico suficiente, pode comprar sua própria simulação de realidade e vivenciá-la em carne e osso. Sadismo talvez seja comum a todas as classes sociais, mas masoquismo? Nesses termos, puramente fetichistas? Um capricho elitista”, discorreu Enrico, me ignorando e acendendo um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Existe uma falsa mecânica ocorrendo”, continuou, “Aparentemente a mocinha amarrada é um mero objeto de uso sexual para os bizarros ai, mas é o contrário. Ela é a estrela do show, o objeto de culto, o centro do Universo. Os tapinhas, as chicotadas, são meras caricias. Nem doem, só deixam marcas temporárias, falsas cicatrizes”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Eu quero dizer, acha que ela quer mesmo sofrer? Se alguém entrar ai e matar o gatinho de estimação dela, você acha que ela vai ter um orgasmo? É um teatro patético, é um escárnio com o sofrimento de verdade. É gente rica rindo da gente, pra variar”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“E quanto a religiosos que praticam autoflagelação? Não tem relação com isso ai? E não são sempre ricos...” eu questiono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“É diferente. Autoflagelação é direcionar a frustração espiritual na carne. Você ambiciona a santidade, mas não passa de um saco de merda e hormônios. Existe vaidade nisso, é claro, mas o propósito é diferente. O que se sente como purificação é apenas fúria acalmada”.  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora os mascarados começaram a dor choques na moça com um cilindro de plástico, parecido com aquelas raquetes de matar mosquito. A expressão de Enrico se deformou em desdém. “Meu deus, que falta de senso estético. Velas, couro e... um brinquedo de plástico da 25 de março? Que lixo”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então um velhote de máscara surgiu ao nosso lado. Achei que ele ia nos botar para fora ou nos algemar e jogar naquela roda de babacas, mas o que ele fez foi mais inacreditável. “Senhor, vou ter que pedir que apague o cigarro”, disse apontando para o cartaz da lei antifumo pendurado na parede. Enrico gargalhou incrédulo. “Beleza”, ele disse, apagando o cigarro na bochecha do sujeito, que ganiu de dor. “Perdão querido, achei que você também curtia”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1534610903512075381?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1534610903512075381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1534610903512075381' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1534610903512075381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1534610903512075381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/10/s-e-coisa-de-gente-rica.html' title='S&amp;M é coisa de gente rica'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4908210388037207880</id><published>2011-09-12T01:20:00.000-03:00</published><updated>2011-09-12T01:21:12.489-03:00</updated><title type='text'>A Estética do Linchamento</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A tradição histórica de sacrifício humano persiste sob a categoria dos linchamentos. O linchamento consiste em selecionar alguém que tenha quebrado algum valor ou norma social sagrada, portando um paria, um ser que perdeu direito a qualquer tratamento humano, e executá-lo da forma mais cruel o possível em defesa destes valores vigentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso é importante, pois a culpa horrenda do sujeito absolve e justifica as ações dos linchadores. De tempos em tempos, essas normas são reimaginadas, assim como as desculpas para satisfazer o instinto assassino do cidadão comum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O linchamento aqui analisado ocorre em um vilarejo de ruas de paralelepípedo e o acusado é Raul S, um funcionário de um sebo. O seu suposto crime foi ter assassinado o amigo imaginário do pequeno Thiago, um menino de nariz escorrido de 8 anos, dono de uma permanente expressão desgraçada que desperta&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;piedade e irritação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se de fato Raul realmente assassinou Orco, a representação simbólica das ansiedades sexuais prematuras do garotinho, ou se tudo se trata de um terrível engano, não é relevante. Uma multidão de linchadores não é conhecida por seu julgamento racional. O gosto de sangue surge irresistível em suas línguas e o sacrifício é armado, êxtase em rostos transtornados e brados moralistas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Raul sabe destes detalhes e decidiu que não perderia seu tempo jurando inocência ou clamando por piedade. Quando a multidão se aglomerou na porta da sua casa, pronta para invadir e arrancá-lo a força para uma boa e velha sessão de espancamento e chuva de cuspe seguida de morte, cujo método ainda não havia sido definido, notou fumaça e chamas vindo do interior da casa. Dois sujeitos abriram a porta e deram de cara com um inferno. O vendedor de livros tinha posto fogo na própria casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém nunca achou o corpo dele, e muitos especulam que talvez ele esteja vivo, assassinando fantasias narcisistas de cidadãos honestos. Quanto ao pequeno Thiago, ele cresceu para se tornar um marido preguiçoso e abusivo. Ele nunca foi linchado por isso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4908210388037207880?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4908210388037207880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4908210388037207880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4908210388037207880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4908210388037207880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/09/estetica-do-linchamento.html' title='A Estética do Linchamento'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5920795633603357968</id><published>2011-09-05T00:23:00.002-03:00</published><updated>2011-09-05T00:29:25.057-03:00</updated><title type='text'>Ninguém lê poesia no século XXI</title><content type='html'>Ignoro a hora do rush&lt;br /&gt;Caminho 6 quarteirões&lt;br /&gt;Isolado em silêncio simulado&lt;br /&gt;O vento açoita a pele&lt;br /&gt;Espalhando pela mente&lt;br /&gt;Versos inúteis&lt;br /&gt;Para sempre (felizmente) perdidos&lt;br /&gt;No portão da fábrica&lt;br /&gt;Operários sorriem das capas xerocadas&lt;br /&gt;Uma trepada pirateada&lt;br /&gt;Uma xota e seus royalties não recebidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho com três escravos mortos&lt;br /&gt;Não entendo o que tentam me dizer&lt;br /&gt;Sussurram algo incerto&lt;br /&gt;Algo que pus a perder&lt;br /&gt;Nada disso faz diferença&lt;br /&gt;As pessoas não vão ouvir&lt;br /&gt;O engenho não vai parar&lt;br /&gt;A manhã chega e&lt;br /&gt;Os mesmos degraus esperam&lt;br /&gt;Ninguém lê poesia no século XXI&lt;br /&gt;Ao menos não uma tão ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5920795633603357968?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5920795633603357968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5920795633603357968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5920795633603357968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5920795633603357968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/09/ninguem-le-poesia-no-seculo-xxi.html' title='Ninguém lê poesia no século XXI'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7771722250250737230</id><published>2011-06-29T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-06-29T00:09:05.268-03:00</updated><title type='text'>A Espera da Febre</title><content type='html'>Em um vôo cego&lt;div&gt;Vou como um inseto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em sua direção&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seu calor me cala&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela me abraça&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com um sorriso de rejeição&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentado no parapeito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Incerto de onde está o chão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um velho devaneio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vista branca&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Precede a colisão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas horas até o senão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Envolvido em um cheiro horrendo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De uma repugnante redenção&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sangue na ponta dos dedos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A porta aberta pra qualquer vilão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Avisto minha fuga&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da verdade absoluta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O amor de qualquer puta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lubrifica meu coração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas horas até o senão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Semeando um campo árido&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Te amei calado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E cada movimento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma confissão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carta de um tarot marcado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Jaz enforcado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O jogo desfeito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em suas mãos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera da febre&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas horas até o senão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7771722250250737230?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7771722250250737230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7771722250250737230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7771722250250737230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7771722250250737230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/06/espera-da-febre.html' title='A Espera da Febre'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7603564590280398944</id><published>2011-05-30T22:08:00.001-03:00</published><updated>2011-05-30T22:12:29.842-03:00</updated><title type='text'>Ressurreição Parte III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje Jorge Hércules é um legitimo homem de negócios e protetor legal do patrimônio de Enrico Roccato. Mas ele já tinha sido um soldado, um policial e um leão-de-chacára e jamais havia perdido seu olhar vigilante. “Eu vi os dois cornos. Os esquisitões estavam no velório e no enterro. Viram o corpo. Acho que deu tudo certo”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico ouviu, mas deu mais atenção ao pote de sorvete que devorava. Estávamos sentados em caixotes nesse galpão no Brás. Éramos nós três, os caixotes e um furgão. Isso até a porta do banheiro se abrir. Marco Roccato caminhou de braços abertos, usando a bandeira do Juventus como uma túnica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Toque minhas chagas, meu filho”, ele declamou. Enrico levantou os olhos, com falsa reprovação. Eu cuspi todo o meu sorvete. “Esse ai tá sempre rindo, puta merda”, disse o ressuscitado apontando pra mim. “Gabriel, eu tava um defunto bonito?”, respondi que ele aparentava mais saudável no caixão do que o filho dele. “Ah, esse ai tem alergia ao Sol. Você também tá precisando, puta merda. Eu não queria ser a puta que vocês pagam pra comer. Na hora que a bunda de vocês aparece deve ser triste”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico raspou o fundo do pote. “Nem acreditei que você não fudeu com tudo. Tinha certeza que você ia dar risada, soltar um peido ou fazer alguma merda”. O velho riu do moço. “Não filho, nada disso. Já fudi com minha vida toda, ia fuder com a minha morte?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Sr. Roccato havia empreendido um teatro e enterrado 80 quilos de pedra para que a anulação de sua existência perdoasse suas dívidas e dissipasse seus perseguidores. Dezenas de agiotas, policiais corruptos, banqueiros, cafetões e contrabandistas sorriram a doce derrota juntos. O maior de todos os pilantras tinha ido pro saco. Nunca pagaria um centavo. É a vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Sabe filho, queria que todos tivessem a oportunidade de fazer isso o que eu estou fazendo. Faria bem pra sanidade das pessoas morrer e virar outra pessoa, bem longe. Com certeza evitaria enfartos e suicídios”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Quando você quiser a gente vai, Marco”, avisou Jorge, encostado na porta traseira do furgão. Marco assentiu e olhou pro seu pirralho com uma expressão estranha. Enrico pareceu intimidado com o olhar e disse meio hesitante. “A mamãe apareceu lá”. Marco sorriu. “Então foi pra te ver. Pra ela, eu já morri faz tempo”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico sorriu, o pai sorriu de volta. “Ela falou que se mudou da casa. Disse pra eu aparecer”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Você devia ir mesmo. Tá muito velho pra ficar com birra da mãe”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Marco Roccato não vez nenhum discurso de despedida. Não deu nenhuma lição de moral, não fez um balanço da sua vida errática, não pediu absolvição ao filho. Falou casualmente de seu milaborante plano de fuga via navio cargueiro para a Itália e sobre formas de comunicação secreta via email com nomes falsos e mensagens cifradas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Me deu um abraço e falou “até que enfim engordou filho da puta, tu parecia um frango, aposto que tá comendo mais mulher agora”. Deu um abraço no Enrico e ia entrando no furgão. Então parou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Ah, já ia indo embora de túnica” então riu olhando pra bandeira grená. “Puta merda, que time nós fomo escolher. Não ganhamo mais nada. Toma essa tranqueira ai” e a jogou sobre Enrico, cobrindo seu rosto. Depois que o furgão partiu, ele continuou olhando para aquele pano por um tempo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7603564590280398944?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7603564590280398944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7603564590280398944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7603564590280398944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7603564590280398944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/05/ressurreicao-parte-iii.html' title='Ressurreição Parte III'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1317691631932662064</id><published>2011-05-16T02:00:00.001-03:00</published><updated>2011-05-16T02:00:51.865-03:00</updated><title type='text'>Ressurreição Parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A carcaça de Marco Roccato estava sobre a mesa. O caixão era dos mais vagabundos. Estava com seus óculos escuros de grau, sua camisa florida aberta, uma bandeira do Juventus da Mooca de cobertor. Quase sorria o filho da puta. Os convidados do festim fúnebre observavam o corpo com curiosidade e cochichavam e riam baixinho pelos cantos. Todos tinham uma história engraçada/escrota pra lembrar do velho Marco, aquele canalha sem vergonha que devia dinheiro pra metade da sala.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tinha padre naquele fuzuê todo, então o primogênito e agora Rei Enrico do clã Roccato, já devidamente coroado e batizado com doses do uísque favorito de sete entre dez homens de meia idade, realizou um discurso em honra a vida e glória do seu papai. Vestido de negro, mais pálido que o lazarento ali morto, usando um par de óculos verdes translúcidos igual que nem seu progenitor usava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O discurso que se seguiu será aqui relatado:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Marco Roccato nunca fez absolutamente nada que o desagradasse. Nunca entrou numa loja de construção para escolher piso. Nunca limpou uma calha. Nunca preencheu um formulário da receita federal. Nunca pediu desculpas apenas por educação. Nunca aceitou ordens que julgasse estúpidas. Nunca assistiu a uma peça de teatro para agradar a namorada. Nunca foi gentil com uma mulher sem estar mal intencionado.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Por esse modo de vida, vocês o consideravam um escroto, um figura e um canalha. Ele era tudo que vocês desprezam e tudo que querem ser. Era livre, um sociopata, um bêbado vagabundo que nunca levou um segundo da vida a sério. E isso é uma ofensa para maioria das pessoas, que querem ser levadas a sério o tempo todo.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O conceito de diversão dele envolvia cachaça, putaria e explosões. As crianças estavam sempre por perto dele, por que ele sempre tinha os melhores rojões e fazia uso deles com freqüência. Na visão do meu pai um menino começa a morrer por dentro quando perde o interesse por explosões. Ai eles se tornam homens sérios, carcaças ambulantes, lixo tóxico escravos do ideal projetado pelo Império Intergaláctico do Vaticano Corporativista do Senador Pol Pot.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Quando eu era um pivete, meu pai era meu herói. Eu achava ele o cara mais engraçado do mundo. Ele me levava pra ver jogos na Rua Javari, me ensinava palavrões em italiano e estimulou meu hábito de subir em telhados para rir das pessoas que ficam no chão com medo de cair. Depois com os anos me dei conta que ele era um péssimo marido, um parceiro de negócios tenebroso, um talarico imundo, um ser humano que não valia a confiança de ninguém.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;A vida desse heróico merda, encerrada de maneira adequada com um enfarto numa privada suja em um banheiro fedorento a 12 milhões de quilômetros do ser humano mais próximo, me ensinou coisas, tanto nos seus erros e acertos.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A lição é: a vida é uma piada curta que não vale uma noite de sono perdido. Mas em meio a isso, não pise sobre ninguém, não se tranque e nem de as costas aos seus parceiros. Rir sozinho da piada é o final mais triste.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém se manifestou após essa proclamação. Logo retornaram aos risos e fuxicos. Na porta do salão uma mulher velha, estranhamente familiar, olhava a cena Enrico caixão Marco. Enrico suspirou e caminhou até ela. Não sei o que conversaram. Sabe lá o que dizem mãe e filho um ao outro após cinco anos sem se ver. Houve um gesto de carinho desajeitado, e ela partiu, sem se aproximar do cadáver. Sempre haverá tempo para se visitar os mortos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1317691631932662064?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1317691631932662064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1317691631932662064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1317691631932662064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1317691631932662064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/05/ressurreicao-parte-ii.html' title='Ressurreição Parte II'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2323370407586397950</id><published>2011-05-10T00:37:00.000-03:00</published><updated>2011-05-10T00:39:08.587-03:00</updated><title type='text'>Ressurreição Parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;“A humanidade é uma merda de raça que prefere reclamar do trânsito ao invés de dançar pelada debaixo da chuva”, - Enrico Roccato do alto de uma sacada, diante do pátio da Matriz, onde fiéis erguiam suas velas e cantavam suas canções. Era sexta-feira santa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nós tinhas um hábito freqüente de olhar as coisas de cima pra baixo, num misto de arrogância boçal juvenil e estranhamento alienígena. Sentinelas alados, anjos da discórdia, ou qualquer merda pretensiosa dessas. No caso, observávamos uma procissão, uma base da Policia Militar e um ponto de ônibus, como se tudo fizesse parte da dimensão paralela B.I.Z.A.R.R.A da qual jamais entenderíamos ou faríamos parte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas logo avistamos um membro na nossa raça de elite no meio daquela babaquice. Um velho bêbado que tinha saído do bar e estava fazendo graça pra duas gostosas no ponto de ônibus. Fazia caretas, sorria abobado, dava uma dançadinha, entre outras diversas técnicas do Grande Manual de Palhaçadas. Uma delas ria e era censurada pela outra. Não convém encorajar gente assim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então o ônibus delas chega, elas se levantam e dão o sinal. Aí a que estava rindo diz “tchau vovô” com escárnio/simpatia e o velho clown saí dali vitorioso com aquela migalha de atenção. A dimensão B.I.Z.A.R.R.A perdia um pedacinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico ri, mas seu alvo é outro. “Olha só aqueles putos!” e aponta pra procissão que rumou para o meio da avenida e parou o trânsito da saída do supermercado, os motoristas putos diante daquela demonstração de fé bem no meio do caminho, onde já se viu, vão rezar pra lá. E era difícil dizer quem era mais absurdo, os que erguiam suas velas pro fantasma da Páscoa passada, os que confiavam na tecnologia da buzina para interromper transes religiosos ou os dois bobos que riam do alto da sacada, com a certeza de serem um caso a parte de todas essas pataquadas da existência humana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A multidão se dissipa, os carros seguem rumo aputaquepariu do desenrolar cotidiano perpétuo, dois moleques matam suas latas de cerveja numa sacada. Era tudo comum e absurdo, era há tanto tempo assim que o tempo nem parecia tempo, só uma pintura num painel, e nós éramos espíritos que a habitavam, que nem num filme lá do Orson Welles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nada se repete e o absurdo era que isso fazia tudo sempre igual. E você via aquela base dos coxinhas, como se fosse possível fazer mais do que vigiar o Caos, e como viver o dia a dia é seguro e racional, até que você coloca &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;15 mil dias seguidos na mesma merda em perspectiva e então, meu deus, é hora de acender uma vela prum judeu fudido que morreu igual a outros 10 bilhões de coitados que nem tem três feriados dedicados ao nascimento, morte e ficção. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enrico amassou a latinha, sorriu pra estátua do João Baptista não decapitado e falou “vamo embora, vamo lá organizar essa porra de funeral”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2323370407586397950?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2323370407586397950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2323370407586397950' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2323370407586397950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2323370407586397950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/05/ressurreicao-parte-i.html' title='Ressurreição Parte I'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3984143343919379540</id><published>2011-03-01T23:55:00.000-03:00</published><updated>2011-03-01T23:57:15.003-03:00</updated><title type='text'>O Último Bordel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ainda estava lá, de pé entre um estacionamento e uma barbearia, um totem sagrado, último pedaço de inferno vivo naquele paraíso anti-séptico e mesquinho. Essa rua costumava ser nuvem vermelha carregada de cachaça e putaria. A gente a percorria como uma matilha de vira-latas, uivando e espreitando, escorregando pra dentro, escadaria abaixo, e sempre vinha aquele mesmo cheiro. Cheiro de puteiro, isso ninguém esquece. Mas aqueles eram os velhos tempos, antes da velhice e da especulação imobiliária. A nossa selva tinha minguado num jardim, as putas e os bêbados escoados sarjeta abaixo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;           &lt;/span&gt;Mas ainda estava lá, ele, o mais belo e imundo de todos. Sem o néon azul, meio envergonhado, disfarçado de sei lá o que, o laçador não laça ninguém, só fica a espera. Aqui eu entrei pela primeira vez, 32 anos antes. Aqui eu entrei, pela primeira vez. Eu e mais quatro temerosos cabaços, forçando a vista na penumbra da putaria. Cinco pivetes arremessados a pia batismal. E um delas não emergiu nunca mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;Ela pede um drink, eu digo pega lá, hoje homem feito que não nega nada, mas nos velhos tempos, hahaha, não gastava nada e ainda te ximbava. Ninguém atravessa a cascata de néon e retorna impune, ouvi alguma vez em algum lugar, e era verdade. O pior de você vem à tona, era como se o lugar todo fosse uma máscara. Ela volta com uma caipirinha, eu fico na cerveja. Os procedimentos são os mesmos. Uma hora deixa de ser batalha e vira teatro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.4pt; "&gt;32 anos enclausurado. Um bunker mesquinho a prova de tempo e mágoa. Por que eu tive medo. Quatro saíram e seguiram a vida. Bem ou mal, pau no cu deles, chegaram em algum lugar. Eu pensei “antes em lugar nenhum do que no lugar errado”. E perdi tudo que não tive. A paisagem era um teto embolorado e meu reflexo patético em espelhos de todos os quartos de mil inferninhos da grande São Paulo. Algumas trepada boas, outras ruins, mulheres de nomes falsos, às vezes verdadeiros. Não conheci nenhuma delas. Não esperava envelhecer diante desses espelhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Quarto 4, o quarto primordial e agora derradeiro. Mesma decoração, lençol, toalhas e camisinhas sobre a mesa. Menina nova, agora quase todas me parecem assim, faz tudo como deve ser feito. Quantos corpos, quantos olhos, quantas gotas de suor antes dela? A paixão é uma fôrma onde despejamos nossos sonhos e medos, e como é frustrante quando a outra parte não tem a forma que escolhemos. Por isso foram 32 anos quebrando fôrmas? Olho o céu embolorado, o corpo jovem que se afasta. E no espelho, o encontro incrédulo de velhas retinas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3984143343919379540?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3984143343919379540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3984143343919379540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3984143343919379540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3984143343919379540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/03/o-ultimo-bordel.html' title='O Último Bordel'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5938270334288060602</id><published>2011-02-16T00:37:00.004-02:00</published><updated>2011-02-16T00:47:46.330-02:00</updated><title type='text'>Macho Alfa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;Deitado na cama do quarto observando as mudanças de foco da minha visão, conforme abria e fechava um dos olhos, abatido, pensante, absorto nas pateticamente trágicas questões que fazem os jovens sentirem o peso da mortalidade, quando um chute violento escancarou a porta. Enrico adentrou o quarto e me olhou gravemente. – “Enfermeira! Temos uma emergência aqui!”. – antes que eu pudesse me levantar e dizer qualquer coisa, uma moça vestida de enfermeira, trajes tão obscenos que fariam a Associação das Enfermeiras processarem Enrico na hora e dizer que aquilo era um desrespeito que a classe não iria tolerar, entrou no quarto empurrando uma maca com uma maleta em cima. Enrico começou a medir minha temperatura com a palma da mão na testa. – “Parece um caso de inanição devido à abstinência sexual, alcoólica, espiritual e monetária. Pode ser fatal! Precisamos começar a cura imediatamente! Enfermeira! – então a enfermeira de decote abismal e saia de proporções chauvinistas tirou da maleta um bong acoplado a uma máscara de inalação e entregou ao Dr. Enrico. Sempre com um sorriso lascivo no rosto, ela pegou um isqueiro e acendeu o troço, que Enrico prontamente enfiou na minha cara. A porra era forte e eu não pude sequer pensar em fazer ou dizer algo durante a situação toda. – “Ele parece estar reagindo... agora é hora de realizar a sucção. Enfermeira!”. – ela levou o seu sorriso até minha virilha e abriu a braguilha. Pôs pra fora meu pau duro, que assim estava desde que reparei que tinha uma enfermeira gostosa em meu quarto, e começou o procedimento. Por um momento Enrico fez uma cara perplexa, grunhiu puta merda, pegou um par de luvas cirúrgicas da maleta e lamentou “porra, como sou distraído” enquanto vestia a importante peça de higiene médica. Então voltei a reparar na mudança de foco dos meus olhos, dessa vez involuntária, enquanto o Doutor retirava um recipiente metálico da maleta. – “Enfermeira, a carga hormonal descarregada?" – ela cuspiu e sorriu deliciosamente. O cirurgião chefe analisou o conteúdo, fez um gesto de aprovação, abriu a janela e arremessou o recipiente como um frisbee. – “Certo, parece ter um quadro estável agora. Apenas tome essa pílula, e poderemos prosseguir com a segunda parte do tratamento”. – eu não tenho idéia do que era aquilo, mas confiei em meu médico e engoli a medicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;Fui levado de maca para a sala e colocado de frente para televisão. Enquanto Enrico colocava um dvd, a Enfermeira Gostosa preparava um cateter com mais algum elemento estranho a ser injetado em meu corpo. Senti a picada no momento que a exibição começou. Era um documentário sobre a natureza, com imagens de grupos de leões, leopardos, chimpanzés e todos as criaturinhas selvagens que um dia navegaram com Noé. Um narrador com sotaque britânico dizia coisas que nas legendas se liam assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;“Os machos de uma sociedade animal podem ser divididos hierarquicamente em três níveis: alfa, beta e ômega”.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;“O macho alfa ganha o direito de ser o primeiro a comer e o primeiro a acasalar. Ele atinge esta posição por meio de superioridade física. Em algumas espécies, eles são os únicos animais do grupo que podem ter contato sexual com as fêmeas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;“O macho beta é aquele que irá assumir o posto de liderança caso o alfa venha a morrer”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;“O termo macho ômega é usado para se referir à casta mais baixa da hierarquia social. Um ômega é subordinado a todos os outros membros do grupo. Normalmente, o macho ômega é o último a ter permissão para comer”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;“As qualidades que levam o macho à posição de poder indicam às fêmeas características genéticas superiores aos demais machos. Isso dará ao macho alfa a preferência no momento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span&gt; &lt;i&gt;do acasalamento”.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;Durante aquela exibição de rituais de humilhação, violência e sexo, eu senti o soro dançar desagradavelmente em mim. Senti também a pílula eclodir em minha cabeça. E tudo isso acompanhado de uma queimação ácida que subia do meu estomago em direção ao peito. Então eu me tornei uma carcaça em ebulição hormonal, vazio de pensamentos e emoções, apenas conectado ao instinto de encerrar a dor e vomitar tudo aquilo que não fazia parte de mim. Com os olhos novamente sem foco, notei a maca se movimentando. A luz solar me cegou por um momento e então um movimento brusco me jogou de pé. Quando dei por mim, estava na beira da sacada, encarando um chão incerto quilômetros abaixo, o braço de Enrico ao redor do meu pescoço me impedindo de desabar. Então eu vomitei, com agonia e prazer, como se minhas entranhas ejaculassem, como se um veneno fosse destilado, como se um demônio fosse extraído a fórceps de dentro de mim. Litros de gorfo imundo e fedorento prédio abaixo, tingindo com o pior de mim algum limbo de concreto. Terminei tudo numa tossida seca, Enrico dando um tapinha nas minhas costas dizendo “boa, garoto, isso mesmo” e me recolocando na maca. Balbuciei: “Cadê a enfermeira... como é nome dela?”, ao que Enrico respondeu - “Ela não tem nome. É só uma enfermeira gostosa”. Acho que eu já deveria saber disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5938270334288060602?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5938270334288060602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5938270334288060602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5938270334288060602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5938270334288060602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2011/02/macho-alfa.html' title='Macho Alfa'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1193677867507438467</id><published>2010-10-14T04:25:00.002-03:00</published><updated>2010-10-14T04:33:32.865-03:00</updated><title type='text'>Passagens de uma noite sem fim</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;So you can stick your little pins in that voodoo doll&lt;/span&gt;/ &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;I'm very sorry, baby, doesn't look like me at all&lt;/span&gt;/ &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;I'm standing by the window where the light is strong&lt;/span&gt;/ &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Ah they don't let a woman kill you&lt;/span&gt;/ &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"&gt;Not in the Tower of Song”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US"&gt; &lt;/span&gt;cantava&lt;span style="mso-ansi-language:EN-US"&gt; &lt;/span&gt;Enrico&lt;span style="mso-ansi-language:EN-US"&gt; &lt;/span&gt;na&lt;span style="mso-ansi-language:EN-US"&gt; &lt;/span&gt;máquina&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt; de &lt;/span&gt;videokê&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt; do bar. &lt;/span&gt;O boteco não tinha músicas de Leonard Cohen, então ele cantava a letra sobre a melodia de um forró qualquer. Eu observava tudo com os olhos semicerrados de sono atrás de uma dúzia de garrafas de cerveja vazias. Os pensamentos flutuando como éter através dos versos de Tower of &lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Song&lt;/span&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As pupilas se contraíram até não serem mais do que dois pontinhos negros que encaravam as luzes do corredor. O som das rodas da maca vibrava dentro da cabeça. Um curativo na clavícula quebrada. Alguma droga dançando pelo tubo do soro, penetrando nas veias, adormecendo corpo e mente. Morfina? Talvez. Sem dor, sem lucidez, só ruídos e luz branca.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;O pior pesadelo que eu tive: Estava em minha cama em uma tarde de domingo, a luz do dia entrava no quarto através da persiana azul. Eu acordei com o que parecia ser alguém sussurrando uma música. Olhei para o lado da cama e vi três crianças negras sorrindo. Tentei levantar, mas não pude. No pé da cama uma mulher vestida como uma feiticeira voodoo ou algo assim ergueu o braço em minha direção e comecei a levitar até meu rosto ficar sob a palma da mão dela. Comecei a convulsionar enquanto ela gania algo que não me fazia sentido. Acordei com meus próprios grunhidos. Meus músculos estavam doloridos com as tentativas de me mexer. Paralisia do sono é como chama o lance. Tive outras vezes, mas nunca foi tão assustador. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não sei a quem pertencem as pernas que me envolvem. Eu não tenho um foco preciso na iluminação doentia deste quarto abafado. Apenas o cheiro diferencia tudo de um sonho escroto, o cheiro grotesco de mofo, porra, perfume barato, suor e lubrificante, cheiro grotesco e real, asquerosamente impregnado &lt;st1:personname productid="em mim. Por" st="on"&gt;em mim. Por&lt;/st1:personname&gt; fim meu corpo desfalecido, um saco de merda inerte sobre lençóis imundos. Não se atravessa a cascata de neon e retorna impune. O cheiro te persegue até o inferno. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Se você quer saber, a única coisa que me interessa em viagens lisérgicas são as bad trips. Eu não vou arriscar uma lesão cerebral pra ver coisas bonitas ou reconfortar meu ego com respostas fáceis. Eu consigo isso com TV e pornografia. Eu quero o pesadelo do confronto, uma metralhadora de verdades escarradas em minha cara, as minhas fantasias e sonhos decapitados e expostos em praça pública. Eu não quero respostas, quero mais questões. – &lt;/i&gt;O Manual da Iluminação Expressa, de Sebastião Vega, Grão-Orador do Sindicato dos Mendigos.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;O melhor sonho que eu tive: Estava caminhando em uma cidade antiga, com ruas de paralelepípedos e prédios em estilo barroco. Era noite. As ruas estavam abarrotadas de gente andando nas duas direções. Eu comecei a me angustiar de estar ali, me sentia sufocado pelos prédios e pela multidão. Comecei a correr. Corri até chegar às muralhas da cidade. Saltei sobre ela e cai num deserto. Continue a correr, subindo por uma duna. Do céu descia um cavaleiro alado, com uma lança apontada pra mim. Saltei na direção dele e com um único golpe o derrubei do cavalo. Continuei subindo em direção ao céu estrelado, subindo cada vez mais rápido até deixar atmosfera e meu corpo se desfazer &lt;st1:personname productid="em centelhas. Nunca" st="on"&gt;em  centelhas. Nunca&lt;/st1:personname&gt; vi cores em um sonho iguais a que vi enquanto minhas cinzas se fundiam as estrelas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;Adormecida. O corpo quente dela contra o meu, alguns fios do cabelo perfumado grudados nos meus lábios, meu braço dolorido debaixo do seu torso. Ela desperta e puxa minha mão para envolver o seu seio. A luz fraca seduz meus olhos a se fecharem. Faz frio e só quero adormecer na calmaria. Um pouco mais dela, antes de mais uma fuga pra lugar nenhum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;No quintal da minha casa tem uma pitangueira. Era uma árvore grande, eu costumava subir nela quando criança. O cheiro das folhas ficava impregnado na minha roupa e no meu cabelo e quando eu corria aquele odor se espalhava pela casa. Ainda gosto de sentir esse cheiro. Um dia minha mãe pegou um machado e podou a pitangueira de maneira brutal, só sobrou um toco. Fiquei puto, tinha matado a minha árvore. Ela disse que ia brotar de novo, mas não me parecia possível. Mas depois de uns meses lá estavam alguns galhos novos e algumas folhas. Agora já é de novo uma pequena árvore, com algumas flores surgindo. É estranha a mudança de perspectiva, como eu cresci e ela encolheu. Pensei como seria se eu tivesse a mesma chance, me mutilar até me reduzir a quase nada e depois crescer revitalizado. Acho que seria uma ótima opção pra um momento da vida em que se olha pra frente e não se enxerga nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:12.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“... psicólogos, sacerdotes e outros supersticiosos que abusam de sua influência sobre as massas hipnotizadas, cometem a atrocidade de tentar enquadrar as mentes dissonantes da realidade proposta pelo poder vigente através de métodos brutais de tortura, justificados por um suposto bem estar social”, discursava Enrico no microfone do videoke quando despertei. Atrás do balcão um garçom de olhos vermelhos prestava atenção &lt;st1:personname productid="em silêncio. Já" st="on"&gt;em silêncio. Já&lt;/st1:personname&gt; amanhecia. Não havia mais ninguém no bar além de nós três. “A verdade é que tentar controlar a mente de alguém é como tentar impedir a movimentação dos corpos celestes de uma galáxia. Uma mente não pode ser domada. Na pior das hipóteses pode ser condicionada, danificada ou destruída. Não existe cura, não existe doença, existem peças que não se encaixam no vitral imaginado por aqueles que impõem sua visão sobre as carcaças do grande gado oprimido”. Ele terminou de falar e ficou olhando pra parte alguma. O som da microfonia começou a soar pelo bar. Levantei-me e tirei o microfone da mão dele. Fui até o balcão e perguntei “Quanto a gente deve?”. Olhos vermelhos me encararam vazios de resposta. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1193677867507438467?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1193677867507438467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1193677867507438467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1193677867507438467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1193677867507438467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/10/passagens-de-uma-noite-sem-fim.html' title='Passagens de uma noite sem fim'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6528536247936439882</id><published>2010-08-04T01:10:00.000-03:00</published><updated>2010-08-04T01:16:56.795-03:00</updated><title type='text'>Corrosivo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu começo a sentir a mutação no momento em que viro a esquina e troco a Augusta pela Paulista. Um leve zumbido de anfetamina, a vista distorcida do álcool e o fluxo contínuo de pensamentos lisérgicos. Fim do recreio rapazes, é hora de malhar esse velho cérebro com um pouco de tortura e auto-recriminação. Falta uma caralhada de hora ainda pro metrô abrir e minha carteira está forrada com duas notas de 2 e algumas camisinhas velhas. Oh, minha bela fúria, cultivada e mimada em uma linda caixa de vidro! Escapou pelo ralo e desceu corroendo pelo meu peito até o fundo do estômago. Muita paixão, muito vinho, muita juventude... não se vai longe assim, faz mal pra saúde. Esse treco não é forte o bastante. Maldita escória, hippie escroto travestido de mendigo me vendeu. Cuzão homicida, me apunhalaria pelas costas por uns trocados, eu li nos olhos dele. Mas me deixem em paz com meu ódio, é tudo que eu tenho agora. Passo pelo MASP, meu joelhos doem. Minha mente dispara pensamentos autodepreciativos que variam entre os temas maturidade psicológica, carreira e trabalho, vida afetiva, aspirações artísticas e habilidades cotidianas, como dirigir e trocar a roupa de cama. Porra, que porra, que porra é essa então? Eu leio Sartre, Russel e um monte de gente morta, tento preencher minha cabeça fútil, mas e aí? Qualquer menina cheirosa arruína isso &lt;st1:personname productid="em segundos. Que" st="on"&gt;em segundos. Que&lt;/st1:personname&gt; deus tenha piedade da minha alma medíocre e daqueles que me rodeiam sorrindo como hipócritas. O pior de mim veio à tona e não posso fazer nada a respeito. Meu Id escapou da jaula e o Superego está preso no sótão, mãos e pernas atadas, amordaçado com uma meia na boca, chorando silenciosamente enquanto assiste a casa pegar fogo. Vai tomar bem no meio do seu cu picareta Freud, você e seu lixo tóxico. Viver assim é obsceno. Eu já to na Brigadeiro e ainda é cedo. Me sento numa escadaria, faço hora, que diferença faz, a noite já não se importa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que caralho! O que aconteceu? Merda, dormi aqui. Jesus Cristo, que vacilo. Algum maníaco poderia ter batido minha carteira, se insultado com minha miséria e ter me escalpelado por eu ser um fracasso ainda maior que ele. Não se pode confiar nesses tipos. Como eu pude dormir com toda essa química? Aquilo não passava de lixo, um placebo e eu caí direitinho. Mais essa agora, parabéns Gabriel, você perdeu todas as partidas que jogou essa noite. Andar, eu sou bom nisso. Precisava me ver quando eu tinha 17, podia andar por dias, vivendo apenas de chuva e de visões. É nisso que eu sou bom, andar e beber. E ficar &lt;st1:personname productid="em sil￪ncio. Nunca" st="on"&gt;em  silêncio. Nunca&lt;/st1:personname&gt; perdi uma partida de vaca amarela, não senhor, nem que custasse minha vida. Estou no Paraíso, mas que merda de ironia. No ponto de ônibus um tarado perturba uma mocinha. Ela manda ele se foder e sai andando. Ele caminha trás dela. Ela berra “você não vai me seguir, porra”. Ele hesita. Ah, se fodeu compadre, o mundo não perdoa quem hesita. Um segundo de lucidez é o bastante pra arruinar uma noite inteira. Loucura é por definição uma certeza absoluta. Sanidade é a capacidade de duvidar. Duvidar de tudo, até de si mesmo. Mas isso é deprimente. Por isso loucos são tão inspiradores. Veja só Hitler ou Moisés. Gente desesperada se deixa seduzir por certezas Mais uma saraivada de pensamentos autodepreciativos. Imagino Dee Dee Ramone rindo de mim. Moleque mimado, o maior dos seus problemas é ter de pedir 20 reais pro seu velho pra ir passear com teus amigos. Na tua idade eu tinha que vender meu cu pra pagar o aluguel e compra heroína. Oh, sim, Dee, você expôs um ponto interessante, mas veja, isso é que é trágico, minha vida é tão mesquinha que precisa ser preenchida com devaneios e delírios, só que eu às vezes eu esqueço e começo acreditar na porra toda. Ai eu acabo numa situação como essa, furioso, humilhado e desejando uma morte iminente. Dee Dee diz que eu o deixo com vontade de vomitar e me abandona. Encosto na porta do Ana Rosa e espero pelo homem. Logo ele vem e eu escorrego escadaria abaixo. Vagão, escadas, ônibus, calçada, casa, rápido assim, sem distrações ou ruídos. Me abrigo debaixo das cobertas e duas lágrimas cáusticas percorrem meu rosto. Fim de luta, o desafiante está na lona, senhoras e senhores, que massacre tivemos aqui. Cambaleou como um animal torturado e não ofereceu resistência alguma. Anjos sussurrarão aos ouvidos de poetas que escreverão sobre essa noite de patética agonia. Deus tenha piedade de todos vocês, seus putos. Não há nada que vocês possam me oferecer agora, eu já fiz minha cama e estou pronto pra dormir. A mutação termina aqui. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6528536247936439882?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6528536247936439882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6528536247936439882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6528536247936439882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6528536247936439882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/08/corrosivo.html' title='Corrosivo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1433824955113227801</id><published>2010-07-07T04:10:00.001-03:00</published><updated>2010-07-07T04:13:26.962-03:00</updated><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;É como um daqueles cenários de filme, em que eles colocam um carro na frente de uma tela. As imagens vão mudando, criando a ilusão de movimento. Não passa de uma carcaça de metal imóvel o tempo todo. É um modo de enxergar a vida. Você fica ali estático enquanto tudo ao seu redor se transforma. E você não pode fugir dali, não importa quanto o cenário mude você sempre está preso à companhia de si mesmo. E às vezes eu acho isso um tédio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Um coração partido é uma visão muito mais bonita e romântica do que um ego ferido. É muito mais glorioso acreditar que um poderoso sentimento te paralisou vulnerável, te iludiu e rasgou seu peito em pedaços do que admitir que é tudo vaidade. Ouvir um não, se perguntar o porquê do não, enumerar os motivos do não e ver que a esperança do sim não se sustentava. Sentindo-se patético, diminuído e grotesco, você quer ir embora e percorre todos os cenários, mas não faz diferença, por que você continua ali consigo mesmo.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;A vida é caótica demais para ser apreciada como é, por isso criamos uma edição especial em nossa cabeça, como se fosse uma história linear, com propósitos, antagonistas e guias. Uma forma de delírio programado para manter nossa sanidade e percepção de realidade. Ai um dia você acorda... Acorda? Ou talvez siga com seu teatro do absurdo, por que não há muito mais o que se fazer.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Todo dia eu gasto algumas horas me convencendo de que nenhuma das minhas preocupações é importante, de que meus complexos são mesquinhos, que não há nada de excepcional em minha vida e que no fim das contas nada fará diferença. A minha frustração vem do fato que eu não me sinto conectado com nada ou ninguém. Acho que quando alguém se sente infeliz, é normal que projete toda a sua esperança em alguma coisa. Religião, amor, ambição... qualquer coisa que você possa se apegar e sentir que existe um chão sob seus pés. Eu não possuo nada disso. Eu me sinto solto em um vácuo, flutuando a esmo rumo a lugar nenhum. Então eu projeto minha esperança no acaso, que talvez eu encontre a minha paixão de viver em algum ponto obscuro, que ela surja como a gravidade que vai me atrair de volta ao chão.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Mas então eu me contradigo. Se eu projeto minhas esperanças no acaso, não há diferença alguma no que fazem os outros. O meu Deus é o incerto, minha ambição é o amanhã, meu amor o desconhecido. E o chão está o tempo todo ao meu alcance. Mas quem quer fincar seus pés na terra suja quando se pode contemplar o horizonte sempre distante?&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1433824955113227801?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1433824955113227801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1433824955113227801' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1433824955113227801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1433824955113227801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/07/paixao.html' title='Paixão'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3529332015643896844</id><published>2010-06-24T00:25:00.003-03:00</published><updated>2010-06-24T00:41:47.483-03:00</updated><title type='text'>Cães selvagens só usam coleira por uma questão de estilo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu estou embolorando nessa porra de apartamento, sentado o dia todo na frente do tele, vendo essas imagens maçantes e essas notícias inúteis. Tem uma criançada barulhenta na vizinhança e essa é única coisa que alegra um pouco os dias. É bom quando ainda são pequenos e selvagens, antes que se tornem uns otários frescos. Não posso acreditar quão rápido foi pra tudo virar uma merda de novo. Depois da grande fissura o mundo virou uma bola de fogo e quase todo mundo morreu. Foi ótimo! Tudo que o planeta precisava era de um apocalipse. Eu era jovem, com espírito &lt;st1:personname productid="em chamas. Nós" st="on"&gt;em chamas. Nós&lt;/st1:personname&gt; caminhávamos pela noite, descalços sobre areia tóxica, chutando carcaças e buscando comida. Você só dependia da própria inteligência e da sua navalha pra matar a fome. Sem governo, sem instituições, sem impostos, sem porra nenhuma. Mas só foi questão de tempo e esses vagabundos arruinaram tudo. Logo começaram a se “organizar” e os burocratas tomaram o poder. “Nós precisamos de um método de trabalho”, “a sociedade precisa de instituições e valores sólidos”. Putos! E todos os cretinos trocaram a liberdade pelo que era mais cômodo. Sentados em cubículos, sendo alimentados por sondas nas veias, tubos enfiados no meio do cu, repetindo o mesmo lixo tedioso dia após dia, hora após hora e ainda se dizendo cidadãos produtivos. Nós éramos caçadores, nós éramos deuses, porra! Agora eu vivo nesse mundo de fazendeiros e cordeirinhos. E as merdas que eu tenho que ouvir! “Salvem as baleias”, “Beba com moderação”, “Coma mais vegetais”. Escuta aqui seu viado, sabe quantas gazelas eu tive que degolar pra sobreviver, pra agora tu me aparecer e falar em vegetarianismo? Vá se foder! Agora a matança é imoral? Se não fosse pela matança vocês nem estaria aqui. A humanidade se propagou graças a matança e carnificina, e não através das baboseiras que você prega. Uns anos atrás meu filho me arrumou uma pensão, uma recompensa por eu ser um dos “heróis da reconstrução da civilização”. Putos. Como se eu tivesse alguma coisa haver com essa chatice anti-séptica que o planeta se tornou. Mas pelo menos eles me pagam pra eu ficar aqui fazendo nada. E os empregos que eles inventaram? Superintendente disso, supervisor daquilo, assessores da rola da puta que pariu. E reclamam de tudo. Do governo, do patrão, do salário. E depois eu que sou vagabundo. Olha seus cornos, vocês são o que escolheram ser. Essa merda foi construída em cima da preguiça de vocês, seus lixos, que trocaram a liberdade áspera e brutal da vida por três rações diárias, veículos de transporte automático e alguns minutos semanais de diversão em algum picadeiro. Animaizinhos adestrados. Desci as escadas do meu prédio e dei de cara com um dos moleques rabiscando minha parede. Não fique assustado não. Eu gostei da pintura. Muito melhor do que o muro cinza de bosta que tinha antes. Escreveu um palavrão, não foi? Esse é fraco, depois eu te ensino um dos bons. Garoto, quando eu tinha tua idade nossa diversão era correr pela cratera, escalar as rochas e atear fogo em árvores mortas. Você perdeu uma farra e tanto nascendo na época errada. Não tínhamos prédios, nem cercas, nem esses vigilantes cretinos. Eu me lembro de estar nu sobre uma estrutura de metal tombada, encarando o brilho da atmosfera envenenada e escutando meu coração pulsar depois de uma boa caçada. Agora escuta, vou te mostrar um negócio. Olha só. Pega o elástico e esse treco aqui... arruma uma pedra. Viu? É um estilingue. Tenta você agora. Hahaha, muito bom. Eu dou pra você se você me prometer que vai quebrar umas coisas por aí. Traga um pouco de inferno pra esse mundo escroto. Quem sabe um pouco de barulho faça esse povo entrar em pânico, acelere um pouco a pressão. Talvez se eles ouvirem o coração bater se lembrem por alguns segundos que ainda estão vivos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3529332015643896844?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3529332015643896844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3529332015643896844' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3529332015643896844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3529332015643896844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/06/caes-selvagens-so-usam-coleira-por-uma.html' title='Cães selvagens só usam coleira por uma questão de estilo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2852277319177266802</id><published>2010-06-17T06:06:00.000-03:00</published><updated>2010-06-17T06:07:39.236-03:00</updated><title type='text'>Pornô</title><content type='html'>De pé sobre o palco, de costas para a tela do cinema pornô, Enrico recitava um texto que lia de um caderno, enquanto cenas de uma mulher sendo sodomizada se projetavam em seu rosto. “Dia após dia, a rebelião juvenil e sonhos de liberdade eram trocados por um desejo de comodidade e calmaria. O espírito se fadigou com sua própria tormenta. A frustração com o mundo que não aceitava sua natureza caótica o levou a uma apatia mórbida. O fracasso era inevitável. Frágil demais para romper o padrão. Incapaz de viver dentro da normalidade. Buscava na neblina densa do seu mau humor qualquer luz guia que o salvasse da inaptidão em viver. Um messias, um anjo, um romance. Mas não havia nada para ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que ele está lendo?”, perguntou a prostituta sentada na cadeira ao meu lado. “É um autor chamado Gabriel Gabay. Já ouviu falar?”. Ela fez que não com a cabeça. “É um puta dum pretensioso. Algum potencial talvez, mas se perde fácil. Prosa sem ritmo, cheia de adjetivos... na boa, não perca tempo com ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alheio a seu público, formado por mais duas prostitutas e um cliente que pareciam vagamente curiosos, Enrico continuava sua leitura. “Então abraçou sua mediocridade, anestesiou os sentidos e sua vida se tornou um pedido de desculpas. Ao mundo, aos pais, a todos os olhos. Pela preguiça, pelo descompasso. E as desculpas vieram como prêmios de consolação. Os anos se passaram movidos a Ritalin e Valium. O emprego enfadonho, o casamento, as contas no final do mês. E uma amargura disfarçada que nunca deixava de crescer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabe o que me irrita nesse autor?”, eu disse para a mulher. “Essa necessidade doentia de chamar a atenção. É como se ele percebesse que é incapaz de ser reconhecido por suas qualidades, então tenta fazer isso através dos seus defeitos. Talvez esperando que alguém se apaixone por eles e isso o redima de ser o babaca que é. É pura vaidade”. A prostituta me olhou em silêncio por alguns segundos e então disse. “Acho normal querer um pouco de atenção, custe o que custar. As pessoas são mais carentes do que parecem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encoberto por sombras, os olhos baixos de Enrico percorriam a folha “Na hora final de vida olhou pra trás e só viu tédio, rancor e solidão. E tudo isso pra quê? Havia traído a si mesmo a troco de migalhas e agora via que só a dor lhe dava alguma motivação em existir. As derrotas eram estímulos que o fortaleciam. Cego pela frustração abriu mão de tudo que tinha real valor pelos aplausos imaginários de um mundo vão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então seus olhos se ergueram e incandesceram contra a luz do projetor. Abandonando a leitura, Enrico discursou o resto do texto. “Viveu a vida como um filme pornô. Cheia de diálogos vazios, lugares comuns e poses forçadas. Os gritos de prazer exagerados e os gemidos de dor abafados. O reconforto de um orgasmo fácil, uma mente pálida e uma ejaculação sem sentido. E ao final de tudo seu rosto se desvaneceu com o corte final, para sempre esquecido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrico continuou a fitar o vazio em silêncio enquanto a atriz recebia um jato de porra em sua face. Após alguns instantes o filme acabou e a sala ficou escura. Não houve aplausos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2852277319177266802?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2852277319177266802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2852277319177266802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2852277319177266802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2852277319177266802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/06/porno.html' title='Pornô'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3370132931286047647</id><published>2010-06-09T00:37:00.001-03:00</published><updated>2010-06-09T00:40:02.491-03:00</updated><title type='text'>O Altar</title><content type='html'>Lágrima a lágrima&lt;br /&gt;Até que os olhos estejam adormecidos&lt;br /&gt;Sonhe como se a noite nunca fosse acabar&lt;br /&gt;É tênue o véu que abafa os seus gemidos&lt;br /&gt;Recolha suas mentiras e monte seu altar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob névoa a noite se estende&lt;br /&gt;A trilha o leva ao mesmo lugar&lt;br /&gt;Tempestuosa fúria, adore-a, alimente-a&lt;br /&gt;Caia de joelhos e apronte-se pra sangrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem espera&lt;br /&gt;Sem surpresas&lt;br /&gt;A meio caminho de lugar nenhum&lt;br /&gt;Viver mil vidas não faria diferença&lt;br /&gt;Olhe em meus olhos&lt;br /&gt;E veja segredo algum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça bom uso da incerteza&lt;br /&gt;Lágrima a lagrima&lt;br /&gt;Até os lábios estiverem selados&lt;br /&gt;Corpo contra corpo, a falácia é desferida&lt;br /&gt;Parva alegria sob um luar desfigurado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madrugada, as ruas estão vazias&lt;br /&gt;Madrugada, eu não sei o que procurar&lt;br /&gt;Madrugada, a noite é tão fria&lt;br /&gt;A pétala se dissolve sob a língua&lt;br /&gt;Sem diminuir o gosto amargo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrima a lágrima&lt;br /&gt;Até que os olhos estejam adormecidos&lt;br /&gt;Sonhe como se a noite nunca fosse acabar&lt;br /&gt;É tênue o véu que abafa os seus gemidos&lt;br /&gt;Recolha suas mentiras e monte seu altar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3370132931286047647?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3370132931286047647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3370132931286047647' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3370132931286047647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3370132931286047647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/06/o-altar.html' title='O Altar'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7916494014077781241</id><published>2010-05-09T23:31:00.001-03:00</published><updated>2010-05-09T23:39:02.700-03:00</updated><title type='text'>Atroz</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu costumava observar espelhos com olhos fascistas. Era decepcionante ver reflexos que contrariavam minha percepção da realidade. A expectativa de controle sobre a vida gerava apenas frustração. Foi preciso muito tempo para apreender a contemplar o caos e ver beleza nele. Meu rosto e meu corpo sempre foram cobertos de cicatrizes, lacerações e queimaduras desde que possa me lembrar. Não sei de onde elas vieram. Sonhei inúmeras vezes em ter uma face normal, mas ao despertar, minha aparência era sempre tão hedionda quanto antes. Tentei me convencer que poderia ser julgado apenas por minhas ações, mas isso foi apenas uma ilusão. Por mais bem intencionados que fossem os olhos que se encontrassem com os meus, sempre carregavam uma faísca de piedade ou nojo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora que me exibo em um show de atrocidades, me sinto muito mais tranqüilo. Você pode achar isso humilhante, mas para mim a aberração maior era tentar me adequar aos padrões que não eram meus. Me vestir em um terno e caminhar em meio a uma multidão com esperança de ser mais um. Não! Isso é que era atroz. Deixe que me enjaulem, me desnudem e me exibam. Deixe que me observem com horror e gozo, que se ajoelhem e agradeçam ao seu Deus por não padecer das mesmas chagas do que eu. Que chorem e riam. Eu posso transformar o pior de mim em uma dádiva. A atrocidade está nos olhos fascistas que me observam. Eu os recebo com deleite e me sinto livre no belo caos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cada cicatriz minha é um passo de distância da humanidade. E pelo que eu conheço dos homens, estou caminhando da direção certa. Piedade é a pior forma de repulsa. Prefiro inspirar o terror. E quando as cortinas caem e as luzes se apagam eu escuto o infinito desordenado de vozes e passos, e entendo que minha solidão não é pior do que as dos demais. Minhas deformações impedem qualquer embuste sobre a aberração de existir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7916494014077781241?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7916494014077781241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7916494014077781241' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7916494014077781241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7916494014077781241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/05/atroz.html' title='Atroz'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8077932585037146278</id><published>2010-03-31T02:13:00.002-03:00</published><updated>2010-03-31T02:15:47.390-03:00</updated><title type='text'>Queda Sobre Queda</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Comédia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma fração de segundo após o choque, meus olhos se ergueram do chão trágico para um céu hipotético acima da lajem de concreto. A expressão abatida se desfez em um sorriso de moleque que foi pego em meio à trapaça e algo naquele novo fracasso me deixou satisfeito. Como se eu fosse o centro de um vórtex de nada, o ponto de sustentação de um buraco negro, intocável ao caos que circulava ao redor de mim. Eu era um coadjuvante de filme ruim. O alivio cômico da trama piegas, uma ferramenta para a catarse do protagonista, a caricatura imóvel que repete infinitamente as mesmas frases de efeito, os mesmo embaraçosos clichês. E aquilo não me pareceu ser nem um pouco desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tragédia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Olhou para a poça de sangue, viu seu reflexo entre as penas despedaçadas e soube que sua inocência estava perdida. Ele havia caído. Olhou com terror suas asas mutiladas se decompondo rapidamente. Sentiu o frio e o vazio pesando em suas costas e o remorso de um Paraíso perdido. Através de uma lágrima olhou para o céu opressivo e num espasmo de lucidez sentiu algo que desconhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Poesia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebidas amargas não trazem consolo&lt;br /&gt;Terra arrasada em meu peito, em meu corpo&lt;br /&gt;Delírios de néon me cercam em espirais&lt;br /&gt;Vazio de sonhos sou uma carcaça a mais&lt;br /&gt;Ignoro o espelho, ignoro o destino&lt;br /&gt;As chagas do desejo e seu estranho sentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu beijo tingiu-me de sangue&lt;br /&gt;Adormeço e me lembro do perfume&lt;br /&gt;Um sonho negro não será o bastante&lt;br /&gt;Seu sabor de desprezo me confunde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Matemática&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Talvez exista alguma simetria na vida. Talvez o peso dos meus passos enquanto desço estes degraus seja inversamente proporcional a leveza que senti enquanto os subia, horas atrás. Talvez a realidade esteja me preenchendo pelos mesmos canais que a ilusão o fez, e este processo é o que me causa dor. É possível que a existência seja um gráfico de uma curva, hora ascendente, hora descendente, e que cada queda seja uma mera conseqüência dos vôos que não fui capaz de completar. Gravidade é a força oposta ao sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8077932585037146278?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8077932585037146278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8077932585037146278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8077932585037146278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8077932585037146278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/03/queda-sobre-queda.html' title='Queda Sobre Queda'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1778087793845924988</id><published>2010-02-23T03:59:00.001-03:00</published><updated>2010-02-23T04:03:18.535-03:00</updated><title type='text'>Árido</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;“É a sina de um tolo: escolher os solos mais áridos para semear e se sentir culpado quando nada cresce... Não é nada inteligente, meu amigo, nada mesmo”.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Eu sonhava com o deserto. Não me lembro dos detalhes, dos rostos ou das histórias, mas com certeza tinha um deserto. Meus sonhos costumam ser opacos, mas dessa vez foi diferente. A areia resplandecia dourada até o infinito, além do horizonte da minha imaginação. Agora eu encaro o teto do meu quarto. Um fio de luz escapa pela persiana e tinge o recinto numa meia luz agradável aos olhos recém despertos. Penso no que farei pra preencher o dia. Penso no último cheque do seguro desemprego que vai cair amanhã. Penso no futuro enevoado, penso nas mulheres que nunca tive. Porra, o que há de bom em pensar? Eu deveria trocar minha roupa de cama, comer algo nutritivo e enviar currículos. Eu farei isso, eventualmente. Por hora vou me concentrar no tom luminoso das areias daquele deserto. Só por alguns minutos. Depois eu volto ao labor da existência humana, como eu sempre faço. Eu prometo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;“Eu nunca mais quero ouvir uma voz sensata. Vozes sensatas sempre me dizem Não”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Às vezes eu poderia jurar que se eu não berrasse com toda força, as pessoas ao meu redor não iriam lembrar-se de mim. Por isso hoje ficarei em silêncio, imóvel e fora do campo de visão de todos. Algumas horas esquecido, é só disso que eu preciso. Como se não houvesse nada lá fora. Como se eu não existisse além daqui. Então, quando for o momento certo, eu vou abrir a porta e deixar a luz me invadir. Serei a carne que você pode ver, os murmúrios que você pode ouvir e não mais o vazio que só eu posso sentir. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;“Se Eco realmente amasse Narciso, teria o desfigurado”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;Tempo demais em frente aos espelhos que minha imaginação produz, vendo o que eu nunca fui, admirando o que não serei, traçando rugas que não estão lá. Talvez eu pudesse enxergar na íris de outra pessoa o que realmente sou. Eu ficaria verdadeiramente exposto neste reflexo, sem os filtros do orgulho e da autocomiseração. Mas por hora eu só tenho a visão deste deserto, dourado e resplandecente, porém árido e sem vida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1778087793845924988?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1778087793845924988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1778087793845924988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1778087793845924988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1778087793845924988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/02/arido.html' title='Árido'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6815770434263290884</id><published>2010-01-11T01:44:00.004-02:00</published><updated>2010-01-11T04:25:40.877-02:00</updated><title type='text'>Qualquer rumo que não seja eu</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Desempregado novamente. Nessas épocas de ócio é difícil se manter distante ou neutro da influência de Enrico. Toda noite ao embarcar eu seu Chevette arruinado eu apenas tento imaginar em que dimensão de horror nós iremos acabar. Oh sim, vai ser chocante, mas ninguém mais consegue ficar surpreso. Nós nos vimos estagnados em nossas fantasias grotescas. Isso não era bom pra ninguém. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Decidimos viajar por alguns dias. “O mais longe possível do oceano”, era nosso único plano traçado. Seguimos rumo ao interior, pelas estradas mais abandonadas e precárias que pudéssemos encontrar. Durante nossa jornada, ficou claro que nós dois estávamos tomando rumos muito diferentes. Enrico estava concentrado em mergulhar mais fundo nos limites da sua sanidade, transformando a sua vida em um manifesto surrealista em tempo real. Ele percebeu que nos últimos tempos não passava de uma imitação barata de si mesmo. Vomitar em locais inapropriados e ofender velhinhas em paróquias pode ser genial aos dezessete, mas é meio patético quando se tem vinte três. Ele precisava encontrar um meio mais cerebral de expressar o absurdo. Quanto a mim, estava cansado de toda aquela merda repetitiva. Você espera que com um estilo de vida desses, o imprevisível seja a única certeza, mas não é verdade. As coisas começam a ficar morosas até mesmo nas mesas de bares, nos puteiros e nos becos. Uma hora você cansa de ser bizarro.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Não que eu não tenha me divertido durante a viagem, roubando cerveja, dançando forró com senhoras de meia idade e mostrando a bunda para os carros que vinham no sentido oposto da estrada. Não que eu me sinta mal ou me arrependa de alguma atrocidade nojenta e sem sentido que eu tenha feito na minha vida. E o caralho que de alguma forma eu vou me tornar um sujeito sério e funcional a partir de agora. Eu apenas não estou satisfeito com alguns momentos de êxtase tentando redimir dias de tédio, solidão e frustração. Existem vazios que não se preenchem com risos histéricos e litros de cachaça.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Por uma semana nós vagamos por cidades minúsculas, saqueando pomares, nadando em açudes e dormindo na sombra de árvores. Em cada bar nós inventávamos uma identidade diferente e uma diferente razão para nossa viagem. Uma hora nós éramos irmãos indo tomar posse de uma fazenda que herdamos, outra éramos missionários indo ajudar criancinhas leprosas. Nós conhecemos pessoas interessantes, estúpidas, esquecíveis, cruéis e gentis. Todas elas pareciam muito mais reais do que nós.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;“O que aquele velho gritava?”&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Estava, tipo, pregando”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“O que ele falava?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Que o homem não mais pertence à Terra. Que nós demos as costas a Deus, a natureza e tudo mais, que esse não é mais nosso lugar”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Pertence aonde então?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“A Lua”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“A Lua? Hahaha”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“É. O nosso espírito pertence à Lua. Uma rocha morta, cinzenta, sem inconstâncias climáticas, sem catástrofes naturais, sem recursos, sem predadores, sem erros, sem barulho ou surpresas... assim como nós gostaríamos que a Terra fosse. Como nós queremos ser”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Nós desejamos tanto ser livres, mas também queremos ter controle total sobre nós mesmos. Demorei tempo demais pra perceber esta contradição, e me achei preso em uma atuação forçada do que eu pensava que queria ser. O caos sempre encontra uma forma de quebrar minhas certezas. Transformar que era incomum e estimulante em rotina e tédio, foi apenas mais uma delas. Outra forma de me dizer que eu não tenho o controle.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;“Gabriel, a nossa viagem não faz sentido”&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Por quê?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Hahaha, nós somos burros cara. Nós queríamos nos afastar do Oceano...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“E daí?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“E daí que nós demos as costas pro Atlântico e esquecemos que se continuarmos nessa direção, vamos acabar caindo no Pacifico”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6815770434263290884?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6815770434263290884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6815770434263290884' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6815770434263290884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6815770434263290884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2010/01/qualquer-rumo-que-nao-seja-eu.html' title='Qualquer rumo que não seja eu'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7099462800304797001</id><published>2009-12-21T03:05:00.007-02:00</published><updated>2009-12-21T03:12:39.321-02:00</updated><title type='text'>Solstício</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;Há inúmeras maneiras de perceber que o verão se inicia. Por exemplo, pela colméia de vespas que começa a se formar na varanda de casa, sob os olhos atentos do meu pai. A cada ano ele utiliza um método diferente para acabar com a construção dos insetos. Seja com uma pá servindo de catapulta ou com um lança-chamas improvisado com um inseticida e um isqueiro, é surpreendente que ele continue a triunfar ileso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Também é nessa época que Enrico organiza a partida anual de “Marcação Mortal” com a as crianças do bairro. O jogo é uma espécie de paintball mais primitivo e violento, que envolve bexigas cheias de tinta e sinalizadores de fumaça. É sempre disputado na noite do último domingo da primavera e Enrico media a partida do alto do telhado de sua garagem. Ele diz que os jogos violentos de videogame e o fácil acesso a pornografia nos dias de hoje estão arruinando o potencial destrutivo infantil, e isso é simplesmente intolerável. “O que vai ser dessas crianças se delas for privadas a possibilidade do vandalismo puro e inconseqüente? Serão zumbis sem criatividade. Eu quero dar elas a chance de expressar um pouco de caos”. A julgar pelo estado da rua no dia seguinte, ele está fazendo um bom trabalho.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;“Então, quais as metas para o próximo ano?”, pergunta Tiago, exatamente como ele faz em todo dezembro. Eu não sei qual são as metas, talvez meu plano seja esperar por uma surpresa. Mas vamos deixar o futuro pra depois e fazer uma retrospectiva. A primavera já era e o que eu aprendi esse ano? A tocar uma versão tosca de “I’m So Lonesome I Could Cry” no violão. Os acordes estão errados, mas dá pra brincar. Também apreendi que o tédio é uma prova que sua saúde mental está boa. Se após seis horas sentando em frente a um computador realizando uma tarefa nada estimulante você não estiver entediado, tem algo muito errado com você. Se você não gostar do seu trabalho e alguém te disser que você parece desmotivado diga “Obrigado”.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;O que eu apreendi sobre mim mesmo? Que não importa o quanto eu apreenda sobre mim mesmo, eu jamais vou ser capaz de controlar os aspectos, bons ou ruins, da minha natureza. Amadurecer é saber lidar com as conseqüências das merdas que você faz, e não para de fazer merda. Isso ninguém nunca descobriu como fazer.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;O que traz o verão pra mim dessa vez? Excesso de tempo livre, o que significa maior possibilidade da minha cabeça divagar por lugares indesejados. Eu não sei, tudo está meio enevoado agora. Eu não estou triste, feliz, nem frustrado. Eu estou ansioso por tudo que nunca aconteceu. É como Burt &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Bacharach disse, eu só não sei o que fazer comigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;“Não foi um ano de merda, mas também não foi grande coisa”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;“Você diz isso todo final de ano” – me respondeu Enrico&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;“É, mas não é verdade?”&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:large;color:#cccccc;"&gt;“O que você queria? Um ano em que tudo desse esplendorosamente certo? Merda acontece, mas as festas também... A vida é muito complexa pra ser dividida em grupos de 365 dias ou estações climáticas”.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Algumas coisas mudaram ridiculamente, outros sonhos continuam vivos. Eu não tenho nada a dizer em minha defesa, a não ser que tudo que eu fiz foi movido por desejos sinceros, ainda que estúpidos. E não há nada o que se fazer com as primaveras que se sucedem, a não ser rasgá-las do calendário e esperar por mais sorte no verão.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7099462800304797001?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7099462800304797001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7099462800304797001' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7099462800304797001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7099462800304797001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/12/solsticio.html' title='Solstício'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3502631032854488155</id><published>2009-12-02T01:01:00.005-02:00</published><updated>2009-12-02T15:47:24.358-02:00</updated><title type='text'>Hank Williams ainda não respondeu</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu tentei me acertar e ser um cara sério. Eu cortei o cabelo, arrumei um emprego, me dediquei mais aos estudos, até pensei em arrumar uma namorada... mas não funcionou. Eu não sou capaz de nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Tá falando com quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu não sei simular interesse no que não me atraí, eu não levo a sério nada do que é supostamente importante e eu não consigo fingir que gosto de alguém. Algo no meu processo de amadurecimento saiu terrivelmente errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Gabriel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Uma vez eu pus fogo na minha própria mão ao tentar incendiar um formigueiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Er... é, eu sei, você contou essa história dez mil vezes. Isso é uma fantasia de palhaço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Acho que essa foi uma experiência simbólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Por que você está encarando essa viga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu estou em meio a um monólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Por que é isso que eu faço melhor. Falar com ninguém. Ouvir nada. Se sentir bem sem ter mudado coisa alguma. Uma simulação de catarse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;E a roupa de palhaço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Uma alegoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;É, isso é meio óbvio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;E também por que eu achei no baú e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Certo, essas coisas acontecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Não pude evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Andou usando alguma coisa? Bebeu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Merda, era que eu temia....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;O álcool afeta meu senso de ridículo. Ele o aumenta. Abala minha mania de grandeza. Eu estou bancando o Hamlet aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Certo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Não seria apropriado agora, começar a rir de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;É verdade. Você não tinha medo de palhaços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Só da maquiagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Do que se trata sua catarse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;A busca pelo Eu. A mesma merda pretensiosa de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;E você encontrou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Sim. Esse é o problema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;E então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu sou um cara que gostar de sentar em uma cadeira de praia com uma cerveja na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Só isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;É. Essa é toda a imagem. Além disso, eu gosto de varandas, animais, livros, música e espingardas de chumbinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;É, elas são divertidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Provavelmente eu gostaria de... você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Hum... não consegue dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;(silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Uma trepada? Uma punhetinha bem dada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;(silêncio e careta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Ah sim, esse sou eu... você, vamos ver essa sua imagem. Você está em uma varanda, sentado numa cadeira de praia, bebendo cerveja, com um cachorro velho aos seus pés, tem uma espingarda encostada na parede e está tocando uma música... que musica é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Tower of Song&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Ah, claro. Leonard Cohen canta e ao seu lado, apoiada em seu braço, uma moça ri da expressão esquisita que você faz quando fica viajando, olhando pro nada. É isso não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;É. No final é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Não é nada mau. Meio moroso pra mim, mas ok. Talvez eu esteja no porão da casa, fazendo desenhos pornográficos na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;É possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Então você tomou ácido, caminhou por labirintos, falou com xamãs, buscou a estrada para dentro de si mesmo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;E foi isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Nada de plano superior, visões místicas, túneis cósmicos pra fora do próprio ego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Era isso o que eu esperava, mas é tudo merda. Coisa de quem tem fetiche por cores fosforescentes, de quem se acha importante demais pra ser humano... de quem se veste de palhaço e fala com uma viga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;É, sempre achei Carlos Casteneda um babaca. E então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Então tem uma varanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;E como você chega a ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Aparentemente não é através de um túnel onírico místico. Mas também não é fingido ser um cidadão sério, coisa que eu não sou capaz de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Bom, eu tenho que desenvolver todo meu potencial em algum trabalho construtivo que se qualifique dentro dos meus interesses. Eu tenho que ser sensível o bastante diferenciar meus desejos profundos dos meus instintos de auto-satisfação instantânea. Eu tenho que prestar atenção as necessidades daqueles de quem eu gosto e nunca me sentir importante ou desprezível demais para ninguém. Basicamente eu tenho que não ser um grande imbecil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Ah, mas isso é simples!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Não é não. É doloroso e frustrante. Eu estava batendo com a cabeça na viga antes de você chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Isso explica muita coisa. É normal, você não tem tudo ainda, mas qual seria a graça? Eu garanto que se não fosse por todas as sarjetas, hematomas, puteiros, dívidas, infecções, horas perdidas, rejeições e fracassos patéticos... o que eu ia dizer... Ah, a sua varanda não seria tão bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Você ta parecendo um livro de auto-ajuda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Merda! É verdade! Ok, que tal isso. Vamos lá, por partes? Você não tem a varanda, a espingarda e... você sabe. Mas quanto ao resto, você está se saindo bem. Então, vamos pegar duas cadeiras de praia, uma caixa de cervejas e sair desse porão imundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Tá bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Mas mantenha a roupa de palhaço. Não quero privar ninguém disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Tem um pomar também... na frente da varanda. Com pitangueiras, goiabeiras e aquelas frutinhas roxas. Nunca sei se é amora, a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;meixa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;ou framboesa&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3502631032854488155?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3502631032854488155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3502631032854488155' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3502631032854488155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3502631032854488155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/12/hank-williams-ainda-nao-respondeu.html' title='Hank Williams ainda não respondeu'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1418588763363175939</id><published>2009-11-25T00:40:00.001-02:00</published><updated>2009-11-25T00:43:26.143-02:00</updated><title type='text'>Pesadelo Digital Avalanche</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 18pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;Sonhando em meu quarto&lt;br /&gt;Sonhos singelos&lt;br /&gt;Sem espasmos&lt;br /&gt;Desperto pela&lt;br /&gt;Sirene aguda&lt;br /&gt;Do telefone celular.&lt;br /&gt;Projeta-se na mente&lt;br /&gt;O pesadelo digital&lt;br /&gt;Avalanche de realidade&lt;br /&gt;Mas eu não quero trabalhar.&lt;br /&gt;Disfarço o enfado&lt;br /&gt;Com os mesmos rituais&lt;br /&gt;Sorrio pro espelho&lt;br /&gt;E digo “não&lt;br /&gt;Tenho motivo&lt;br /&gt;Para reclamar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarco na charrete&lt;br /&gt;Do Governador Cara de Metal&lt;br /&gt;O vagão não tem espaço&lt;br /&gt;Pro gado todo que&lt;br /&gt;Vai pra Catedral.&lt;br /&gt;O Governador está&lt;br /&gt;Sempre certo&lt;br /&gt;Ele nunca se&lt;br /&gt;Deixa enganar&lt;br /&gt;Só mesmo um inseto&lt;br /&gt;Como eu&lt;br /&gt;Pra reclamar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu me distraio&lt;br /&gt;Com os olhos castanhos&lt;br /&gt;Volto ao sonho onde&lt;br /&gt;Nossos lábios&lt;br /&gt;Não são estranhos&lt;br /&gt;Andando sobre as pedras&lt;br /&gt;Próximos ao mar&lt;br /&gt;Comendo cogumelos&lt;br /&gt;Abraçados entre&lt;br /&gt;A brisa e o luar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desembarco na pinguela&lt;br /&gt;Onde eu finjo trabalhar&lt;br /&gt;Alugando o meu cérebro&lt;br /&gt;Pro Coronel não&lt;br /&gt;Precisar pensar.&lt;br /&gt;Desperdiçando o meu dia&lt;br /&gt;Escrevendo jingles&lt;br /&gt;De campanha&lt;br /&gt;Eu sinto azia&lt;br /&gt;Aqui esculpindo&lt;br /&gt;Essa banha.&lt;br /&gt;Mas é impossível&lt;br /&gt;E só Nela que&lt;br /&gt;Estou pensando&lt;br /&gt;Quero escrever um&lt;br /&gt;Poema brega&lt;br /&gt;Onde eu digo&lt;br /&gt;“eu te amo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu finjo não ser&lt;br /&gt;Mesquinho&lt;br /&gt;Atravessando a rua&lt;br /&gt;Sem dar esmola.&lt;br /&gt;Talvez eu seja&lt;br /&gt;Um metido&lt;br /&gt;Por achar que&lt;br /&gt;O mendigo se importa&lt;br /&gt;Penso “Será que&lt;br /&gt;Ela vai rir&lt;br /&gt;E achar que eu&lt;br /&gt;Sou um otário&lt;br /&gt;Se eu disser que prefiro&lt;br /&gt;Dee Dee Ramone&lt;br /&gt;À Chico Buarque?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pago o preço&lt;br /&gt;Da comida&lt;br /&gt;Eu pago o preço&lt;br /&gt;Da passagem&lt;br /&gt;E o vitral da&lt;br /&gt;Minha vida&lt;br /&gt;Não forma&lt;br /&gt;Nenhuma imagem&lt;br /&gt;Eu queria saber&lt;br /&gt;Ser um mistério&lt;br /&gt;Só pra Ela&lt;br /&gt;Me decifrar&lt;br /&gt;Mas meu amor&lt;br /&gt;É tão indiscreto&lt;br /&gt;Quanto fora&lt;br /&gt;De lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Governador&lt;br /&gt;Passa mais um dia&lt;br /&gt;Bem longe dos&lt;br /&gt;Meus sonhos&lt;br /&gt;Talvez eu&lt;br /&gt;Seja invencível&lt;br /&gt;Sem nunca estar&lt;br /&gt;Ganhando&lt;br /&gt;E talvez eu&lt;br /&gt;Seja visível&lt;br /&gt;Aos olhos&lt;br /&gt;Castanhos&lt;br /&gt;E mesmo&lt;br /&gt;Sem motivos&lt;br /&gt;Estou aqui&lt;br /&gt;Reclamando.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1418588763363175939?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1418588763363175939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1418588763363175939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1418588763363175939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1418588763363175939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/11/pesadelo-digital-avalanche.html' title='Pesadelo Digital Avalanche'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1260185197593381546</id><published>2009-11-18T23:48:00.003-02:00</published><updated>2009-11-18T23:54:27.356-02:00</updated><title type='text'>A meio caminho de lugar nenhum</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Manhã de domingo. O carro está parado, sem combustível, em um estacionamento abandonado. Só há galpões fechados nos arredores, ninguém por perto. Eu e Enrico andamos uns três quilômetros até um posto, mas no minuto em que voltamos começamos a baforar a gasolina. Não acho que vamos sair daqui tão cedo. Enrico liga o rádio e sai do Chevette ao som de ‘Born to Die in Berlin’ dos Ramones. Joga um pouco de gasolina sobre uma caixa de papelão e acende um fósforo. Agora ele urina sobre as chamas. Nós não trocamos nenhuma palavra há horas. Nenhuma tirada, nenhuma impressão filosófica, nenhuma piada obscena. Ainda tenho uma lata de cerveja. Ela desce meio quente. A luz da manhã é agradável e suave. O verde vivo da única árvore do pátio se contrasta ao cinza morto de todo o resto. Eu identifico nisso um pouco da minha condição, corroído pelo cinismo, desiludido e empacado a meio caminho de lugar nenhum. Mas as partículas de esperança dentro de mim parecem mais fortes do que tudo isso. Enrico volta ao carro com um baseado preparado e me oferece. A chama da ponta reflete nas lentes de seus óculos escuros. Ele está pálido. Eu também devo estar. Não comemos há muito tempo. '&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#CCCCCC;"&gt;&lt;i&gt;O&lt;/i&gt;&lt;i&gt; que o Ciro tem?'&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; ele pergunta, quebrando nosso pacto não declarado de silêncio. “Ele está triste”. Mantenho meus olhos na caixa de papelão que ainda queima. '&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Deveríamos fazer algo por ele'.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; o tom de voz é monótono e eu não sei dizer se foi uma pergunta ou uma afirmação. “A gente não pode fazer nada. Mas ele vai ficar bem. Eu sei, já estive onde ele está”. '&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#CCCCCC;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;E onde é isso?' &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;“É aonde você pensa ter encontrado o caminho, mas então percebe que só foi uma miragem e que você esteve andando em círculos o tempo todo”. '&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#CCCCCC;"&gt;Hum. Frustrante.'&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;“É, mas as miragens nos ensinam certas coisas. Se você não desvendá-las, nunca vai saber o que é verdadeiro”.  O rádio começa a tocar ‘American Jesus’ do Bad Religion e a conversa se encerra. Enrico sai do carro novamente e coloca o resto da gasolina no tanque. O carro dá a partida e nós estamos de volta à estrada. Mas para onde agora? &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1260185197593381546?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1260185197593381546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1260185197593381546' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1260185197593381546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1260185197593381546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/11/meio-caminho-de-lugar-nenhum.html' title='A meio caminho de lugar nenhum'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4007090118534801970</id><published>2009-11-17T00:14:00.005-02:00</published><updated>2009-11-17T00:18:19.497-02:00</updated><title type='text'>O Sagrado Caos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#cccccc;"&gt;Eu sou o caminho&lt;br /&gt;Que leva ao incerto&lt;br /&gt;Olhe pra si mesmo&lt;br /&gt;Se quiser me decifrar&lt;br /&gt;Quando grita o instinto&lt;br /&gt;Contra sua virtude rasa&lt;br /&gt;Eu sou o infinito nada&lt;br /&gt;Que ecoa em sua cabeça&lt;br /&gt;Sem cansar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o vazio&lt;br /&gt;Que te impele&lt;br /&gt;O peito aberto&lt;br /&gt;Na estupidez do amor&lt;br /&gt;Seu colarinho é limpo&lt;br /&gt;Imunda é sua fé&lt;br /&gt;Nunca de joelhos&lt;br /&gt;Nunca aos seus pés&lt;br /&gt;Eu sou o calor que move o sonho&lt;br /&gt;O cair da lágrima&lt;br /&gt;O riso e o revés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o perdido&lt;br /&gt;Que guia a jornada&lt;br /&gt;A clara certeza&lt;br /&gt;Desfeita na madrugada&lt;br /&gt;A memória de cada beijo&lt;br /&gt;Cada olhar sem jeito&lt;br /&gt;Cada dia em sua graça&lt;br /&gt;Eu sou o imperfeito&lt;br /&gt;A abençoada estrada&lt;br /&gt;Que conduz desejos&lt;br /&gt;E traí as máquinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sagrado Caos&lt;br /&gt;É a Voz e a Palavra&lt;br /&gt;Onde soa a Discórdia&lt;br /&gt;Onde a certeza é Nada&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4007090118534801970?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4007090118534801970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4007090118534801970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4007090118534801970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4007090118534801970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/11/o-sagrado-caos.html' title='O Sagrado Caos'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6513064266058961615</id><published>2009-11-02T21:59:00.002-02:00</published><updated>2009-11-02T22:04:45.549-02:00</updated><title type='text'>Inferno em ladrilhos</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;O ar está abafado e imagens disformes se projetam na porta branca do banheiro, dando cores translúcidas às gravuras de masturbadores de sanitários públicos, o confessionário supremo. O que é o confessionário senão um inferno dosado, onde todo pudor é despido por alguns segundos de salvação? O que é este banheiro senão um inferno em ladrilhos, onde minha mente erra através de todos os beijos e cuspidas que eu levei na vida, escaldado em suor, nauseado pelo cheiro de fezes e socialmente morto por alguns minutos? Quantas horas mais de expediente? Quantos meses de contrato? Quantos infernos ainda serão necessários para colocar as coisas em perspectiva? Eu bebi demais ontem à noite, mas não o suficiente para apagar a crença em premonições e em sinais divinos. Não acredito em presságios, mas não consigo ignorar meus sonhos. É duplamente frustrante. Lá fora, do outro lado da porta, duas pessoas conversam. Ouço tudo muito distante, fora do meu mundo. Nada é relevante no momento a não ser os ladrinhos e os pensamentos projetados na porta. Meu espírito quer me provar algo através dessas imagens, mas eu olho pra baixo e a visão da latrina é completamente oposta. Em que acreditar? O que em mim é essencial e o que pode ser deixado para trás, como um dejeto? Agora minha visão começa embaçar e escurecer. Eu não tenho mais corpo, só sobraram as imagens diante de mim. Elas significam algo? Uma expressão da alma ou apenas padrões de luz reproduzidos por minha mente debilitada? Não consigo decifrá-las e agora minha vista volta ao normal. Me levanto, me limpo, deixo o cubículo para trás. Lavo o rosto e observo meu reflexo pálido, esperando alguma resposta minha. O jeito é me enganar por mais algumas horas. Eu preciso de um pouco de cafeína.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6513064266058961615?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6513064266058961615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6513064266058961615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6513064266058961615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6513064266058961615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/11/inferno-em-ladrilhos.html' title='Inferno em ladrilhos'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6768685534834945043</id><published>2009-10-15T21:54:00.000-03:00</published><updated>2009-10-15T21:55:37.407-03:00</updated><title type='text'>As Águas do Rio Lete</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não são necessários movimentos&lt;br /&gt;Aqui onde estou&lt;br /&gt;Esvazio os pensamentos&lt;br /&gt;Ignoro o que sou&lt;br /&gt;Rastejo entre as pernas&lt;br /&gt;Dos vencedores&lt;br /&gt;Com veias abertas&lt;br /&gt;Escrevo seu nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graceja e arrasa meus sonhos banais&lt;br /&gt;Aqui na cova rasa todos os dias são iguais&lt;br /&gt;Acaricio a terra úmida que me abraça&lt;br /&gt;A minha boca imunda não tocará sua graça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestida em neon&lt;br /&gt;A sua presença me cega&lt;br /&gt;Capturo cada som&lt;br /&gt;Cada voz que me cerca&lt;br /&gt;Instintos me guiam&lt;br /&gt;Aproximo minhas mãos&lt;br /&gt;Você se desvia&lt;br /&gt;Nega suas feições&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo e sangria para purificar o meu mal&lt;br /&gt;Mas ainda sou o mesmo ao fim do ritual&lt;br /&gt;Quem disse que redenção vem através de feridas?&lt;br /&gt;É apenas a sua sede de sangue que se alivia&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As águas do Rio Lete&lt;br /&gt;Saciam minha sede&lt;br /&gt;A fúria se despe&lt;br /&gt;O silêncio se estende&lt;br /&gt;A correnteza é suave&lt;br /&gt;Nas águas do Rio Lete&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6768685534834945043?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6768685534834945043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6768685534834945043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6768685534834945043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6768685534834945043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/10/as-aguas-do-rio-lete.html' title='As Águas do Rio Lete'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7718802880993448636</id><published>2009-10-08T01:15:00.004-03:00</published><updated>2009-10-09T16:24:39.620-03:00</updated><title type='text'>Bebês amaldiçoados não vão para o céu</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Me disseram que eu quando eu nasci deu merda. Uma doença infecciosa, sei lá, nunca explicaram direito. Fiquei internado e minha mãe desesperada, fez meu pai arrumar um padre pra me batizar as pressas. “Bebês amaldiçoados não vão pro céu!”, ela choramingava. O meu velho arrumou um sacerdote pra emergência e o sacramento foi feito na incubadora mesmo. Diante de Deus eu era Enrico Roccato e eu nunca mais estaria tão perto do paraíso. Mas meu corpo benzido sarou e a minha inocência hoje é uma memória apagada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Gabriel e eu, adormecidos em um vagão. Não tem um dia que amanheça sem que um de nós tenha uma ferida nova no corpo, um vergão na cara ou uma roupa manchada de vômito. Quando foi que nós nos perdemos? eu sussurro. “Não dá pra se perder quando se vai a lugar nenhum”, ele balbucia &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em resposta. Ele" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;em resposta. Ele&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; está certo. Nós estamos no limbo, sem esperança de paraíso, sem medo do inferno. Não é uma sensação ruim, é apenas como acordar, seja de um sonho ou de um pesadelo.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Se enroscou no meu cabelo, suspirou no meu ouvido. O perfume, o perfume sempre impregna na roupa, na pele, se torna parte de mim. Eu respondo tudo com os olhos, um sorriso abobado, palavras jamais. Telefone anotado, despedida demorada, estou fora daqui. Não ando nem dois quarteirões e deleto o número. Sem promessas, sem conseqüências, nada a oferecer. A estrada é solitária, eu e o silêncio, e por hora isso é tudo. &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Hoje me espanta a idéia de alguém acreditar que uma água choca pode purificar a alma. Me espantam as esperanças de redenção, os planos de fuga, os mapas astrais e as comunhões. Todos querem ser salvos, ninguém quer ser livre. Isso não é amor, isso é medo. Eu não acredito em nada além do caos que transcorre por mim. Confissões e flagelos não redimem ninguém, apenas saciam o vazio. Minha mãe estava certa, bebês amaldiçoados não vão pro céu. Eles são condenados a viver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7718802880993448636?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7718802880993448636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7718802880993448636' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7718802880993448636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7718802880993448636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/10/bebes-amaldicoados-nao-vao-para-o-ceu.html' title='Bebês amaldiçoados não vão para o céu'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6379450319150930991</id><published>2009-08-17T02:06:00.002-03:00</published><updated>2009-08-17T02:10:57.808-03:00</updated><title type='text'>Fim de Década</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não tem havido muita diversão pelo bairro. As obras na avenida principal nunca terminam, a quermesse acabou e uma seita tenta converter os mendigos através de rituais místicos. Eu ando sentido dores de estômago que não sentia desde a época do colégio. Numa quarta-feira de ventanias gélidas a situação se tornou extrema e tive que me aliviar num banheiro de rodoviária, onde acabei sendo falsamente acusado pelo zelador de estar usando entorpecentes, devido a minha demora. Acho que nem ele conseguia acreditar que alguém seria capaz de cagar ali. Ataques de ansiedade no meio da madrugada também voltaram a ocorrer. Paranóia e alterações emocionais drásticas... Que porra... De onde veio tudo isso? Ciro e eu vimos um pirado distribuindo horrendas flores negras de papel para os pedestres. “Pra que isso?”, Ciro perguntou. “As pessoas precisam se atentar mais as tristezas dos seus semelhantes. Há muito egoísmo, pessoas mesquinhas... A felicidade vem quando se abre o coração, mas é preciso estar aberto ao coração dos outros”. O que isso tem a ver com flores de papel nós nunca descobrimos. Além disso, toda vez que eu abri meu coração, só sofri hemorragias. Mas resolvi seguir um pouco o conselho new age do coroa e até que foi útil. Percebi que quase todos meus amigos andavam tão apáticos e rabugentos quanto eu. Enrico parecia bem, mas comecei notar algo estranho em seu comportamento recente. As atividades semanais dele consistiam em atirar pedras nas janelas de uma fábrica, mijar sobre carros do alto de um viaduto, pintar mensagens obscenas no asfalto... nada de surpreendente vindo dele, mas não era o tipo de vandalismo que ele estava habituado a realizar desde que o conheci. Então eu percebi. Essas eram coisas que ele fazia quando tinha 13, 14 anos, você sabe, a idade em que você é velho demais para brincar de pega-pega, mas muito novo para entrar em algum inferninho... Pois é, aparentemente estamos passando por uma segunda puberdade. “Sim, de fato”, concordou Enrico. “Outro aspecto que vai de acordo com sua teoria é que ando me masturbando com maior frequencia”. O lance é que nós temos 22 anos e se tornar adulto não parece ser uma idéia fácil de aceitar, mas continuar agindo como adolescentes vagabundos se tornou cansativo e vazio. “É como... certas pessoas fazem parte de um sistema, tipo elas são planetas, satélites, estrelas. Elas fazem parte de uma ordem e conhecem seus lugares. Isso dá segurança a elas. Mas nós, nós somos cometas, cara... nós vagamos por aí errantes, nos gabando de nossa pretensa liberdade, mas por dentro estamos loucos para entra na órbita de alguma coisa...”, disse eu, segundo Ciro, mas eu não me lembro de ter feito semelhante metáfora. De qualquer jeito, andar por aí sem ter a menor idéia de que porra você vai estar fazendo daqui há um ano é um bom motivo para uma diarréia. “Porra, eu achei que estava em meio a um dilema existencial profundo, mas você fez tudo parecer uma criancice”, resmungou Renite, enquanto jogava vídeo-game. “Mas por outro lado, isso significa que provavelmente tudo isso vai passar e não é nada demais. É só uma fase acabando”. É, acho que sim. De qualquer jeito foi uma época estúpida para se viver. Sem heróis, nenhuma grande canção... a porra da década sequer tem um nome. Anos Dois Mil o meu caralho. Todo dia voltando pra casa, eu vejo uns sujeitos que estudaram comigo no ginásio, tomando cerveja na guia e balbuciando as mesmas velhas piadas. Há algo de trágico naquilo, como se beber cerveja na calçada e agir como uns pivetes pelo resto da existência fosse a única coisa que os impedisse de desmoronar. Eu olho para as paredes do meu quarto e me pergunto “Jesus Cristo, quantos anos eu já passei trancado aqui, contemplando as paredes e me perguntado coisas?” Tanto faz agora. A noite está acabada e a década quase no fim. Nada está em órbita e flores negras não existem.              &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6379450319150930991?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6379450319150930991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6379450319150930991' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6379450319150930991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6379450319150930991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/08/fim-de-decada.html' title='Fim de Década'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3943877803976247270</id><published>2009-08-11T22:32:00.001-03:00</published><updated>2009-08-11T22:32:55.538-03:00</updated><title type='text'>Ghost Writer</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu nome é H.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou redator e escrevo cartas de suicídio personalizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu trabalho funciona da seguinte maneira. As pessoas me procuram e contam sobre suas vidas. Eu ouço seus problemas, angústias e vergonhas. Então eu tenho meu material. Entre 3 a 5 dias elas recebem o serviço via correio. Aí é com elas. Obviamente, exijo pagamente adiantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas me procuram por que não sabem escrever bem, provavelmente. Ou então precisam de ajuda para organizar suas idéias. Mas o fato é que todos querem uma carta de despedida de intensidade extrema. Toda emoção corrosiva que os levou a tomar essa decisão precisa estar devidamente exposta. Também acredito que o suicídio seja uma forma de vingança para a maioria e a carta é uma parte importante disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo não é nada simples. Eu tenho que me tornar o suicida, encarnar sua personalidade e seu estado psicológico debilitado. Isto é importante para que a escrita tenha autenticidade. Eu tenho que viver a vida deles e em seguida morrer. Com isso, eu já morri centenas de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu sinto pena dos clientes? Claro, algumas histórias são realmente tristes. Mas eu acredito que a liberdade de escolha é um direito supremo. Mesmo a escolha de morrer. Faz parte da minha ética profissional não intervir no processo. Mas eu jamais aceito trabalhos de menores de idade. O que é realmente integro da minha parte, pois a maioria dos que me procuram são adolescentes       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não penso em escrever a minha própria carta um dia. Não vejo necessidade, o tempo já está se encarregando de me levar ao fim. Que a minha vida então seja a minha carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah sim. Eu gosto do que eu faço. Exige talento e eu me sinto feliz por tê-lo. É emocionalmente desgastante, mas também me ensina muitas coisas.  Vida e morte não são opostos, nem fim e começo. São apenas partes de um grande nada. Não faz diferença, é só uma questão de percepção.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3943877803976247270?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3943877803976247270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3943877803976247270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3943877803976247270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3943877803976247270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/08/ghost-writer.html' title='Ghost Writer'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2961153049865193515</id><published>2009-08-10T00:17:00.000-03:00</published><updated>2009-08-10T00:19:04.085-03:00</updated><title type='text'>Na faísca de um isqueiro: Por um mundo mais depravado.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Andava abatido e rabugento nos últimos dias, e não sabia por que. Tudo parecia dolorosamente tedioso e inútil, e minha única motivação ao acordar era saber que após algumas horas de uma rotina estúpida eu poderia retornar a desfalecer na minha cama, e com sorte, a noite seria livre de sonhos. Sonhos me fadigam às vezes.&lt;br /&gt;Após visitar meu avô no asilo em que ele está internado desde que sofreu um derrame, eu comecei a assimilar algumas coisas. Aquilo era deprimente. Aqueles velhos moribundos, tendo suas carcaças arrastadas por enfermeiras, privados de qualquer chance de liberdade. Hora de acordar, hora de comer, hora de tomar as pílulas, hora de trocar as fraldas... Os desgraçados não têm mais controle sobre o próprio intestino. Todos eles têm o mesmo olhar opaco e perdido, talvez se perguntando de que tinha valido toda a merda por qual eles passaram para acabar daquele jeito. E de que diabo vale toda essa merda afinal? Oito horas por dia, cinco vezes por semana, trinta anos da sua vida. Olhando direito, a vida inteira é como estar internado num asilo. Merda, agora não se pode mais fumar em bares. Qual é a próxima medida do nosso maravilhoso mundo anti-séptico? Proibir palavrões? Controle sobre masturbação? “Você só tem direito a jorrar 2 ml de esperma por semana, senão estará sujeito a  multa”.&lt;br /&gt;O mundo te alimenta com mentiras para te manter produtivo. Coisas como: “Ninguém chega a lugar nenhum sem trabalhar” “O casamento é uma instituição sagrada”, “Seja bonzinho e vá pro céu”, “A maconha vai derreter seu cérebro”, mas cedo ou tarde você descobre a verdade, e que coisa triste é isso. Eu não quero ser um velho acabado encarando com desgosto a vida pateticamente desperdiçada que eu tive, servindo propósitos alheios. Eu não quero ser um funcionário produtivo, se isso significa enriquecer o rabo gordo de alguém à custa do meu trabalho. Eu não quero ser um cidadão modelo, se isso significa seguir leis que não fazem nenhum sentido. O que há errado em se divertir? O que há errado com sujeira, depravação e insanidade, se é isso que me agrada? A primeira vez que eu vi viciados em crack e seu mundinho aterrador de lixo e violência, eu fiquei apavorado. Mas agora eu vejo que eles têm um ponto de vista a ser pensado. Se existem pessoas que preferem lamber lixo tóxico a se submeter a uma vida pacata, deve ter algo de errado com os nossos valores. Puta merda, o que eles fazem de tão pior do que nós? Nós viemos nos entupindo de drogas como prozac, cafeína, alimentos transgênicos, livros de auto-ajuda e religião por séculos. E o propósito de tudo isso é o mesmo: uma contínua lobotomia que nos permita conduzir nossas atividades em um nível de produtividade aceitável, sem que o fator “toda essa merda não leva a lugar nenhum” nos atrapalhe. Espero que meu avô melhore e possa se divertir um pouco com o resto da vida dele. Espero que meu neto nunca tenha que sentir pena do aspecto miserável do avô dele. E espero que ele tenha liberdade de fumar, fuder e se divertir tanto quanto ele quiser, sem ter que responder a ninguém por isso. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2961153049865193515?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2961153049865193515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2961153049865193515' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2961153049865193515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2961153049865193515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/08/na-faisca-de-um-isqueiro-por-um-mundo.html' title='Na faísca de um isqueiro: Por um mundo mais depravado.'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3429483628025072009</id><published>2009-07-13T05:19:00.004-03:00</published><updated>2009-07-13T05:39:18.615-03:00</updated><title type='text'>A Balada do Amor Perdido (E outras histórias de corações despedaçados)</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Os garotos não nascem para serem homens. Nascem para serem soldados ou operários. Corpo e alma devem estar sincronizados no pragmatismo da execução de tarefas mundanas, o apertar de um parafuso, a assinatura de um cheque, o disparar de uma arma. Destemperos emocionais e a exposição de sentimentos são vistos como fraquezas, sinais de um ser disfuncional, vulnerável e afeminado. Mas no interior desses caçadores silenciosos há um mundo de carência, desespero, desejos profundos e patéticos, murmúrios e ganidos eternamente trancafiados conduzindo a um processo de implosão pessoal. Os garotos são criados para serem soldados ou operários com um eficiente sistema de autodestruição psíquica que os descarta no momento que suas habilidades físicas se tornam ineficazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;“Deus, basicamente, foi uma idéia que deu terrivelmente errado. A função desse porra e de todas as instituições religiosas era o controle social. Você tinha um bando de putos fedorentos vivendo no deserto e o que você fazia para controlar essa gente? Dizia: ‘Ei, eu subi no morro hoje e Deus me deu essas tábuas com umas regrinhas que podem nos ajudar... er nada de incesto, estupro, matança e saques, ok? Ah, e lembrem-se de pagar seus tributos aos seus lideres, beleza? Bom, que não quiser obedecer, uma vida de miséria, castigo e sofrimento os aguarda!’Pronto”, disse Enrico para seus companheiros de roda. Ele e mais quatro jovens estavam dispostos em um semicírculo ao redor de uma fogueira no quintal de sua casa. “Mas por que isso deu errado? Acho que funcionou dentro dessa proposta de controle”, questionou Tiago, “Por que isso criou uma tensão que saiu do controle. Fanáticos religiosos, homicidas, pedófilos e toda a escória do universo surgiram devido a essa tentativa de institucionalizar a natureza humana. Deus é só um símbolo disso, você pode citar o governo também. A questão é que o homem é um ser instável e tentar enquadrá-lo numa ordem gera apenas mais conflito. É como enjaular um ser selvagem. O caos é a única verdade, o resto é merda. Pense no casamento, por exemplo, é uma forma de tentar controlar por meio de uma convenção social os instintos sexuais e o processo de reprodução. É por isso que é uma bosta que quase nunca dá certo! Instintos não podem ser controlados por uma instituição!”, bradou Enrico com uma garrafa de vodka na mão. Ciro concordou com um gole de cerveja, Tiago ponderou com uma tragada no baseado, Renite sorriu e saboreou sua cevada e Gabriel apenas observou as chamas que consumiam os jornais no velho latão, enquanto acariciava seu copo de pinga com suco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Perto demais da adaga envenenada &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Uma conversa telefônica de Ciro)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meu coração pulsa a uma velocidade superior aos chamados do telefone&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;-Alô?&lt;br /&gt;- Miriam? Oi!&lt;br /&gt;- Oi Ciro!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu gaguejo algo prudente e leviano. Ela ri e devolve tudo com doçura. Se eu tendo a evitar olhares quando me sinto desconfortável, por que conversas telefônicas são tão penosas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Então, hoje à noite a gente se vê?&lt;br /&gt;- Vamo sim, eu saio às sete e meia.&lt;br /&gt;- Beleza...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cada palavra um embuste, uma armadilha sem volta. Será mais simples para ela? Eu sou o único paranóico da história?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Aí a gente decide o que faz depois...&lt;br /&gt;-Certo...&lt;br /&gt;- Cinema, balada...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os encontros são cada vez mais freqüentes. Existe um laço que eu não posso negar. Existe o medo, pois algo tão intenso não vai ficar de graça. Quais as conseqüências? Eu irei me reconhecer quando o laço se fechar? E que vai sobrar de mim quando ele for desfeito?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Então a gente se vê lá!&lt;br /&gt;- Beleza...&lt;br /&gt;- Beijo.&lt;br /&gt;- Beijo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pronto, está consumado. Eu cheguei perto demais da adaga envenenada.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Um em um milhão &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Um delírio narcisista de Gabriel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Do canto escuro da pista eu vi a silhueta dela contra a luz. A reconheci por um gesto, que talvez mesmo ela desconheça. Permaneço imóvel, em silêncio e distante. É como se eu tivesse engolido vidro, mas é assim que tem que ser. Quando eu sinto algo, deve ser mais intenso do que qualquer outra pessoa já sentiu. Deve queimar até o fim, por que é isto que eu quis ser e este martírio me eleva a um nível que ninguém poderá compartilhar. Inabalado, eu me descubro o mais mesquinho dos seres. A minha vingança foi fazê-la sofrer por não ser tão pura quanto eu. Foi deixá-la na sujeira da vala comum, a distância da minha presença angelical. Hahaha, que escroto! Foi sempre assim, com um silêncio resignado e um olhar de sofredor, eu me aproveitei da consciência pesada de tantos outros. Pois para satisfazer meu ego, para justificar minha imagem, eu tenho que escolher o flagelo que me faz sagrado e me aparta daqueles que são apenas humanos. Eu tive escolhas e um dia eu pude ser mais um em seu leito, mais uma lembrança. Mas eu me neguei, pois eu jamais poderia ser apenas mais uma lembrança. Eu tenho que ser A Lembrança, eu tenho que ser UM em um milhão, aquele que recusou sua carne apenas para ferir seu espírito. As pessoas cometem as piores perversidades pelos mais nobres motivos. Eu acho que tento fazer o oposto. E eu estou ferido, aqui em meu pedestal. Mas descer daqui exigiria uma força e uma coragem que eu jamais tive. A sujeira da vala é real demais para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A balada do amor perdido &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Uma canção de Renite)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estou no vazio, no lado obscuro da cidade&lt;br /&gt;Onde os bêbados vêem o sol se pôr&lt;br /&gt;Estou vivendo apenas por caridade&lt;br /&gt;Estou vivendo apenas para a dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou perdendo as esperanças&lt;br /&gt;Estou apodrecendo indiferente&lt;br /&gt;Às vezes eu só quero vingança&lt;br /&gt;Às vezes um abraço quente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagando por toda a madrugada&lt;br /&gt;Em busca de um sinal dessa mulher&lt;br /&gt;Ela pode ter me enganado, essa safada&lt;br /&gt;Mas o que um homem apaixonado pode fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu preciso de um milagre, deus&lt;br /&gt;Eu preciso de um milagre, senhor&lt;br /&gt;Ilumine este parvo filho seu&lt;br /&gt;Me diga que ainda existe amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Como você dorme? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Um conflito de Tiago)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há um gosto em minha boca que não vai embora, não importa quanto eu a lave. “Como você dorme?” eu pergunto pro cara do outro lado do espelho. É culpa dele, sempre dele. O buraco negro das virtudes, o anticristo do romance. Escravo da rola, é isso que você é, seu moleque de bosta. Todos os dias recomeçam com uma promessa natimorta, o frenesi da noite dissolve o frio na espinha que ele sente quando ouve aquela voz, olha no fundo daqueles olhos e mente. Dói quando a anestesia passa, não é? Machuca saber que não existe alívio para este incomodo. Banque o machão até o fim, se apóie em suas teorias conspiratórias, quem sabe isto não melhore tudo? No final você vai estar aqui de volta, na lona, exposto e fudido, sem chances de defesa, sem tempo para se redimir. Como é ter tanta certeza de sua própria escrotice? Como é ser uma doença sem cura? Como você dorme, filha da puta do espelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O destino do vira-lata &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Uma confissão de Enrico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha mãe, ter sido abandonada por meu pai foi a desculpa que ela precisava para abandonar todo o mundo. Foda-se ela ter entrado num casamento miserável por vontade própria. Foda-se ela ter insistido no mesmo maldito erro por anos. Todo o mundo devia pagar por seus sonhos de casa de bonecas terem acabado em flores despedaçadas e intoxicação alcoólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez eu vi um mendigo sentado na calçada, chorando, abraçado a um vira-lata morto. Foi de rasgar o coração. Aquele homem pode abrir mão de tudo, menos da necessidade de ser amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre ansiei em seu um cara livre e meu modelo de liberdade sempre foi meu pai, o homem que eu culpava por ter me aprisionado em uma existência servil. Eu simplesmente idolatrava o imprestável, por sua atitude desprezível em relação a tudo. Ele simplesmente mandava tudo à merda, sempre com um sorriso de escárnio no rosto. Talvez fosse isso que minha mãe não podia suportar, não ter tido o mesmo efeito destrutivo que ele teve nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu permaneço distante de qualquer relação afetiva, por que este é o ponto fraco da minha missão por liberdade. Eu abriria mão de todos os meus sonhos por um pouco do mais brega, piegas e meloso contato amoroso. Isto me condenaria a ser um homem amargo. Eu deixaria de ser como meu pai e acabaria como minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela se virou contra o Sol e os olhos delas incandesceram. Eu fui subjugado, aqueles olhos se tornaram o infinito e dentro deles eu vi meu fracasso. Eu vi minha incapacidade de me entregar ao amor e de me libertar deste mundo de fachada e besteira. Eu não posso amar, eu não fui ensinado, eu sou uma maquina de desprezo. Eu sou o vira-lata que morre sem dono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;......................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então ele escondeu a meia cheia de porra atrás do armário. Umas semanas depois, ele tava vendo um pornozinho, fazendo uma brincadeira, quando lembrou da meia. Ai ele foi pegar e quando ele foi colocar ela no pau, viu que ela tava cheia de larvas de mosquito!” gargalhou Enrico em meio a uma confusão de gritos de asco, risos histéricos e muitas profanidades. “O pior que no meio do desespero pra tirar aquilo, ele acreditou que os espermatozóides dele tinham ficado gigantes!” Mais risos, seguido por “um puta merda, chega, foi demais” dito por Ciro, que poderia estar se referindo tanto a história escatológica quanto a bebedeira. O fato é que logo após o comentário, todos entraram na casa e abandonaram as últimas brasas no latão se consumindo enquanto o sol nascia. De dentro da casa, ainda foi possível escutar alguns risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Atos de autodestruição como bebedeiras, direção em alta velocidade, violência física e moral a si mesmo e a terceiros, assim como a celebração exarcebada ao sexo e a objetificação da mulher, podem ser vistas como válvulas de escape de instintos primitivos e necessidades básicas negligenciadas pelas convenções sociais e pelos mecanismos civilizatórios modernos. O tratamento fútil dado a vida pela maioria dos jovens homens pode ser uma respostas a falta de perspectiva e ao vazio existencial que os aflige. Comportamento errático que apenas agrava suas condições emocionais, adicionando mais traumas à seus espíritos feridos. A maturidade, exigida pela sociedade no fim consiste apenas na substituição da esperança pela apatia, e na aniquilação da expressão de qualquer insatisfação interna. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3429483628025072009?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3429483628025072009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3429483628025072009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3429483628025072009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3429483628025072009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/07/balada-do-amor-perdido-e-outras.html' title='A Balada do Amor Perdido (E outras histórias de corações despedaçados)'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-501932140780733149</id><published>2009-06-05T23:53:00.005-03:00</published><updated>2009-06-06T00:06:27.602-03:00</updated><title type='text'>“Cada palavra carregando uma gota de seu sangue...”</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Dentre as minhas referências nas artes e na cultura pop em geral, sempre tive uma predileção pelo tenebroso e patético mundo dos mártires do rock. Eu nunca dei a mínima para os rockstars milionários, poderosos e belos posando de fodões em capas de revistas. Pau no cu do Jimmi Page e sua Gibbson de dois braços, eu quero saber dos heróis malditos e atormentados, aqueles que levaram a vida e a arte ao extremo e pagaram o preço. Seja no colapso de Ian Curtis, no suplício de Kurt Cobain, ou no definhamento mental de Syd Barret, são os frágeis que me parecem as criaturas mais reais. Aos frágeis, a vida é mais intensa, por isso cabe a eles serem os porta-vozes de toda a ladainha sem sentido da experiência humana. Mas isso é um grande fardo, e como eu disse, eles são frágeis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Em todos os exemplos citados, vimos jovens homens, tímidos e inconformados, devolverem ao mundo toda a sua angústia e fúria, deixando uma multidão aos seus pés, apenas para serem derrotados pelos seus próprios demônios. O que era para ser um ritual de exorcismo se tornou a celebração de todos os aspectos negativos do espírito humano. Todo horror que nos era incomodo era projetados sobre esses homens, os nossos xamãs, os messias da mediocridade. O fardo era todo deles, afinal pra isso servem os heróis. Nós tiramos tudo deles, não demos nada em troca, a não ser um débil olhar de fascínio e adoração, e quando eles se esgotaram, nós lamentamos, “Oh, tão jovens, que desperdício de talento...”&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Mas sobre a pilha de carcaças dos heróis tombados, caminha um ser decrépito e deformado, que sobrevive de maneira improvável, como uma barata hedionda em solo radioativo: Iggy Pop vive, apesar de tudo, apesar de si mesmo. Ouvindo as faixas de seu novo álbum, chego à aterradora conclusão de que toda aflição que eu julgava ser dona apenas do coração de um jovem, permanece ali, corrosiva e pulsante como sempre, no peito de um senhor de 62 anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Quando Iggy surgiu, junto com os Stooges, no final dos anos 60, ele era o sinônimo máximo da depravação do rock. Seu ato explosivo no palco, aditivado pela parede sonora dos seus patetas, era um espetáculo sem precedentes de mutilação, cólera e perversidade. No quesito catalisador de tragédias, ele foi o melhor. Ninguém como ele, encarnou a faceta mais suja e desesperada do ser humano. Ninguém sofreu tanto em pró do nosso gozo quanto esse sujeito de um metro e sessenta e nove do Michigan. Mas por trás de toda aquela carnificina, acreditem ou não, havia um homem, atormentado pelas mais profundas questões existências e pelas mais piegas fantasias românticas. Mais impactante do que as dilacerações auto-infligidas, as overdoses e toda a escatologia, é notar a melancolia e o desespero nos olhos de Iggy em algumas fotos daquela época. O homem estava literalmente se despedaçando em público.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Após anos de loucura, o Iguana se cansou, largou das drogas mais pesadas e nos presenteou com uma seqüência de álbuns inossos. Sem se importar com sua integridade artística, o “Padrinho do Punk” assumiu a caricatura de roqueiro doidão, mesmo com sua música soando como o mais meloso exemplo de pop sintético. G.G Allin, o mais atroz de seus discípulos, o chamou de traidor. Eu não, eu entendo completamente a decisão do meu herói. Ninguém deu a mínima pra ele enquanto ele se contorcia desesperadamente sobre cacos de vidro. Ninguém lhe deu valor quando ele nos deu obras escritas em sangue, arrancando toda a sua inspiração de suas entranhas em busca de alívio e de uma arte que fosse significativa. Ele percebeu que estava esgotado, que iria enlouquecer ou morrer vivendo naquele ritmo, e que a humanidade não valia o seu sacrifício.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;A mediocridade criativa de Iggy entre os anos oitenta e noventa reflete a mediocridade espiritual típica da meia idade, que a maioria dos jovens tanto teme. Você sabe, acabar como seu velho pai, sentando no sofá com seus olhos cansados e cheios de amargura, fadigado demais pelas decepções da vida para fazer algo mais do que resmungar. Mas a lição que pode ser tirada disso, é que o inconformismo diante do absurdo da vida pode ser silenciado, mas nunca apagado, não no coração de um verdadeiro rebelde. Enquanto Iggy recuperava suas forças, Allin se juntava a cova coletiva dos selvagens, morrendo de overdose de heroína, untado em merda e sangue.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Lentamente, o ímpeto começava a se reacender. Os álbuns se tornavam mais vivos, as canções mais reais. Em 2003, os Stooges se reuniam. Tive a chance de ver um show deles dois anos depois, e acreditava que veria um Iggy mais comportado. “O CARALHO!” Foi o que ele me respondeu, com uma hora de contorcionismos grotescos, uivos primitivos e pancadarias com seguranças. O Iguana está vivo e louco como nunca! Aprendam seus covardes que morreram cedo! Queimar de uma vez para não se apagar os poucos? Acham isso foda? Experimentem queimar, apagar e depois se acender de novo como essa pira funerária ambulante na minha frente! Após o show, eu me senti violado e extasiado. Eu estava surdo de um ouvido, com câimbra nas duas pernas e louco por mais. Os shows seguintes do festival não passaram de borrões. Iggy não deu a mínima pra ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Agora, com uma cópia de “Preliminaires” nas mãos, eu percebo que o romper da crisálida está completo. Iggy está nu, exposto com ele realmente é: um homem de sessenta e poucos, atormentado e fascinado pela idéia de morrer em breve. “Toda ato em minha vida, na idade em que eu me encontro, é uma preliminar para a morte”, disse o artista em uma entrevista, explicando que o titulo do álbum não tinha uma conotação apenas sexual. A fúria das guitarras foi trocado por arranjos bem trabalhados de jazz e bossa nova, mas o espírito dos velhos tempos está mais acesso do que nunca. Solidão, tesão, orgulho de macho ferido, apatia diante da existência... tudo aquilo que me afeta agora, aos 22 anos, ainda está lá, na cabeça experiente do senhor James Osterberg. Como acreditar em redenção e paz de espírito agora?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Após anos de produção de lixo pop em escala industrial, Iggy volta a criar arte, como ela deve ser feita, através da dor, cada palavra carregando uma gota de seu sangue. Não há certezas, nem respostas, mas assim é a vida, um punhado de momentos que não fazem sentido algum em seu todo, mas sim em suas singularidades. Por último, mais uma obsessão de Iggy Pop retorna neste álbum, mas de forma revisitada: A palavra cão. “Não sei o que é com essa palavra, acho que tem a ver com mulheres dominadoras...”, revelou o cantor em uma entrevista nos inicio dos anos oitenta.&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Entre as inúmeras obras que fazem referencia aos caninos, a clássica ”I Wanna Be Your Dog” é o exemplo mais elucidativo. Não é sobre um homem subserviente, como pode parecer. Ao contrario, é sobre ser insolente diante de uma autoridade, é um conto sobre o sacrifício da carne em favor de um espírito indomável. Quarenta anos depois, Iggy lê um livro chamado “A possibilidade de uma ilha” e fica pirado. O deslumbre é tanto que ele recita no álbum um trecho da obra de Michel Houellebecq&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;na música “A Machine for Loving”. O cachorro é a dita maquina de amar, “você apresenta ele a qualquer ser humano e ele irá amar esta pessoa, não importa quão má, perversa, deformada e estúpida ela seja”, sussurra o cantor com sua voz rouca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Isso deve ter um impacto revelador nele, assim como teve em mim. É isso que somos no fim das contas, vira-latas que abanam o rabo e seguem qualquer um que lhes de atenção, nos conduzindo a uma série de experiências humilhantes e dolorosas. Mas é com a dor que aprendemos e é com a dor que criamos. Aprendi isso graças aos meus heróis caídos e a esse bravo iguana que ainda resiste.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-501932140780733149?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/501932140780733149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=501932140780733149' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/501932140780733149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/501932140780733149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/06/cada-palavra-carregando-uma-gota-de-seu.html' title='“Cada palavra carregando uma gota de seu sangue...”'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4364309038656418579</id><published>2009-05-24T21:29:00.000-03:00</published><updated>2009-05-24T21:30:21.293-03:00</updated><title type='text'>Absoluto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meus olhos violados por sua beleza enfurecida&lt;br /&gt;Sirva-se do silêncio que nos aparta&lt;br /&gt;Despertando do vácuo a minha mente entorpecida&lt;br /&gt;Um beijo trêmulo nos consagra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ofereço o meu fascínio&lt;br /&gt;Se você encontrar uso para minha dor&lt;br /&gt;Santifique meu suplício&lt;br /&gt;Valha-me lágrimas&lt;br /&gt;Seja a navalha contra meu corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suave e febril&lt;br /&gt;Não permita que eu respire&lt;br /&gt;Sua farsa me feriu&lt;br /&gt;Meu ardor não tem limite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu sangue ao seu dispor&lt;br /&gt;O meu sangue ao seu dispor&lt;br /&gt;O meu sangue ao seu dispor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é tudo que me resta&lt;br /&gt;Isto é tudo que me resta&lt;br /&gt;Isto é tudo que me resta&lt;br /&gt;Isto é tudo que me resta&lt;br /&gt;Ao seu dispor&lt;br /&gt;Ao seu dispor&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4364309038656418579?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4364309038656418579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4364309038656418579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4364309038656418579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4364309038656418579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/05/absoluto.html' title='Absoluto'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4426574104266672571</id><published>2009-05-21T22:12:00.000-03:00</published><updated>2009-05-21T22:17:27.869-03:00</updated><title type='text'>Desafino</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Você já pensou que na concepção de uma mente cristã, há um deus entediado olhando para nós o tempo todo, e que nossa missão é entretê-lo?”. Eu não refleti muito sobre aquela teoria, estava concentrado em extrair algum som do meu velho violão. Também não fui capaz de notar que Enrico estudava abismado seu reflexo há alguns minutos. “O que nós podemos fazer a respeito disso? Nós fomos criados para servir ao acaso, a vida inteira uma inútil peregrinação”. Tudo em que eu pensava era na necessidade de trocar as desgastadas cordas de nylon. A afinação estava instável. “A história humana consiste num filme pornográfico repetido incessantemente até que não exista mais ninguém para assistir”. O som dos meus acordes era grotesco. Um ruído sujo, dissonante, sem consistência, lixo sonoro produzido por dedos e ouvidos ineficazes. “Eu não tenho ambição alguma a não ser não fazer parte disso. Todo vez que eu tento fazer parte de alguma coisa eu acabo fodido, machucado e envergonhado. É como se eu traísse minha natureza... Eu não quero mais ter vergonha de quem eu sou.” Eu tentei um dedilhado nas cordas mais agudas e o som se torna mais agradável, ainda que simplório. Eu não presto pra acordes, só domino as notas soltas e as frases repetitivas. “Eu sou o que eu escolhi ser, diante das minhas perspectivas. E se diante da perspectivas dos demais eu sou um lixo... para mim eles também não passam de uns merdas. A diferença é que eu estou sozinho”. Finalmente algo parecido com uma canção ecoa da caixa acústica. Uma bobagem, uma melodia infantil, mas que secretamente me trazia orgulho. “Que porra você tá falando, seu bêbado?” Enrico se desprende do espelho, olha pra mim e sorri. “Que você toca mal pra caralho”.               &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4426574104266672571?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4426574104266672571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4426574104266672571' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4426574104266672571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4426574104266672571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/05/desafino.html' title='Desafino'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6419068153906131414</id><published>2009-05-20T00:55:00.000-03:00</published><updated>2009-05-20T00:56:14.203-03:00</updated><title type='text'>Oferendas em Chamas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seja o mundo um campo fúnebre&lt;br /&gt;Feridos sejam os corações infiéis&lt;br /&gt;Seja obscuro tudo que me supre&lt;br /&gt;Atrás das fendas de seus olhos cruéis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o horizonte uma promessa ausente&lt;br /&gt;Carcaças sejam cada homem e mulher&lt;br /&gt;Seja meu corpo uma oferenda ardente&lt;br /&gt;Ao peito gélido de quem eu quiser&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6419068153906131414?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6419068153906131414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6419068153906131414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6419068153906131414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6419068153906131414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/05/oferendas-em-chamas.html' title='Oferendas em Chamas'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5556667933050651852</id><published>2009-05-05T22:28:00.002-03:00</published><updated>2009-05-05T22:36:27.329-03:00</updated><title type='text'>.22</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi por causa de um sonho que ele acordou. Um sonho lúcido que revelou o lado sombrio do seu caráter: “Santo Deus!”, ele pensou, “Que péssimo Deus eu seria!”. Ainda embriagado de sono ouviu o barulho da campainha. Eram três da manhã, quem diabo seria? Abriu a porta sem pensar. Três soldados vestindo uniformes negros entraram. Atrás dele um homem severo, de paletó e chapéu anunciou: “Gabriel Gabay, você está preso acusado de desperdiçar 22 anos de uma vida. Entre os delitos, estão listados: Preguiça crônica, ser mimado demais, não se lembrar de aniversários, escrever poesia de baixa qualidade, reclamar sem motivo, se lamuriar pelos cantos, quebrar 12 controles de Playstation, medo do futuro, medo do presente, ingratidão ao passado, não aproveitar tardes de Sol, traição aos próprios ideais, urinação pública, abandonar amigos, pavor a rejeição, narcisismo exarcebado, nunca dar bom dia, incapacidade de se expressar... a lista é interminavél! Mas acima de tudo, você é culpado por seu grave comprometimento com a mediocridade e a não realização de qualquer ato relevante nos campos familiar, amoroso, profissional e artístico”. Gabriel tombou para trás e suas costas se chocaram contra a parede. Ele ficou sem ar e nada conseguiu dizer em sua defesa. “Você permanecerá sob nossa custódia por tempo indeterminado. Sua soltura ocorrerá somente sob as seguintes hipóteses: Primeira, se você começar a agir como um homem. Segunda, quando sua vida estiver completamente desperdiçada e nada puder ser feito a respeito. Você então estará liberado para ser um velho amargo e morrer. Guardas! Realizam a prisão!” O três sujeitos o agarraram pelo braço, o arrastaram para fora e lhe meteram em um camburão preto. Ele bateu a cabeça no chão e começo a sangrar. Ao olhar a sua volta percebeu estar em seu banheiro. Sentou-se no chão, com as mãos sobre o corte e sentiu que as acusações ainda lhe pesavam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5556667933050651852?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5556667933050651852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5556667933050651852' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5556667933050651852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5556667933050651852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/05/22.html' title='.22'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5764627236579684251</id><published>2009-04-22T00:24:00.000-03:00</published><updated>2009-04-22T00:25:38.264-03:00</updated><title type='text'>Presque Vu</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Solo impróprio para idéias,&lt;br /&gt;A morte é o sono disperso&lt;br /&gt;Vinda do ventre da primavera.&lt;br /&gt;Mas eu me repito quando&lt;br /&gt;Silencio-me diante do apático,&lt;br /&gt;Diante da tragédia.&lt;br /&gt;Qual a metáfora adequada&lt;br /&gt;Para exprimir todo esse&lt;br /&gt;Tempo perdido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo adestrado, adequado&lt;br /&gt;Ao meu quadro de promessas, ao&lt;br /&gt;Meu peito ardente e carente de trégua.&lt;br /&gt;A ti, eu só peço que venere&lt;br /&gt;As minhas feridas&lt;br /&gt;As minhas batalhas fracassadas&lt;br /&gt;Me redima,&lt;br /&gt;Perdoe-me por não ousar ser este ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sol morno sobre a têmpora,&lt;br /&gt;Cortina suja aparta a multidão&lt;br /&gt;Das minhas seqüelas.&lt;br /&gt;É mais um dia turvo aos olhos daquele&lt;br /&gt;Que não tem pressa, entre tantos&lt;br /&gt;Que passam ser saber que o momento&lt;br /&gt;Acaba de se perder. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5764627236579684251?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5764627236579684251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5764627236579684251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5764627236579684251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5764627236579684251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/04/presque-vu.html' title='Presque Vu'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4267551267237709711</id><published>2009-04-16T23:38:00.003-03:00</published><updated>2009-04-16T23:50:35.295-03:00</updated><title type='text'>Jornada rumo à inexistência</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Emergir de um sonho e ser incapaz de se reconhecer. O que sobrou daquele que adormeceu? Eu sonho com o céu noturno do deserto, eu corro livremente sobre a areia fria. Eu sonho com a gentil selvageria de uma noite eterna. Eu desperto em um mundo muito menos real e sem vida. Mas uma mudança se operou, uma reação é desencadeada. Os sonhos trazem sempre as suas conseqüências.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'lucida grande';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Sem propósitos, sem saídas. Estou no seu colo, tenho cinco anos. Ele estará morto antes que eu complete doze. Eu não preciso de desculpas, nem de um paraíso. Eu tenho a lembrança, eu conheço o vazio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Diante de mim um oceano de possibilidades. As minhas costas, uma praia de lembranças. Eu sou um ponto instável em meio à eternidade. Anseio e remorso, e o deleite está na cegueira e na amnésia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'lucida grande';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Alucinação auto - induzida. Eu não quero paz, eu quero seu vício. Acariciando as falhas de um lábio ferido, eu acrescento a minha mágoa mais uma paixão pueril.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;A existência é uma seqüencia de eventos que transcende a vida e a morte. Uma estrela morta há milênios ainda existirá enquanto formos capazes de enxergar seu brilho. “Viver e morrer, é apenas uma escolha”, pensou o suicida antes de mergulhar no trilho do metrô. Ele estava certo, mas isso não bastou para libertá-lo. A sua memória permanece, assim como a sua dor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'lucida grande';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;s segundos que precedem queda são preenchidos por uma prazerosa letargia. A vista esbranquiçada pela névoa, a contradição desfeita pelas trevas. Não há sofrimento no palácio das ilusões.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'lucida grande';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;No fim da noite, onde as esperanças desvanecem e os sonhos são negros, é pra lá que a estrada me leva. Eu escolho ignorar profecias e silenciar meus demônios. Eu quero o abraço seguro das trevas. Quando meu coração extinguir a vaidade, o ímpeto e a inquietude, serei a mudez eterna de um sonho escuro, e então tocarei as areias frias da inexistência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'lucida grande';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O silêncio tem meu nome e meu peito foi feito pra morrer. Eu sou uma doença sem cura, eu sou o que resta. Eu sou a espera do que nunca pode ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4267551267237709711?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4267551267237709711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4267551267237709711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4267551267237709711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4267551267237709711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/04/jornada-rumo-inexistencia.html' title='Jornada rumo à inexistência'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6405713560354221910</id><published>2009-04-06T01:05:00.003-03:00</published><updated>2009-04-06T01:15:24.202-03:00</updated><title type='text'>Bebendo com Takeshi</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Gabriel Gabay e Enrico Roccato encontram o velho Takeshi em botequim prestes a fechar. O vizinho de Gabriel, conhecido no bairro por sua alta tolerância ao álcool e por eventuais crises histéricas, convidou os dois amigos para beber uma garrafa de uísque de proveniência duvidosa em sua residência. A seguir, um relato resumido deste evento.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;02h11 – GARRAFA CHEIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Então, uísque? Não curte saquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Curto. Se tiver álcool eu ponho pra dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Discos legais, Janis, Doors, Hendrix...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;É. É da minha época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Como você era nos anos 60?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Igual agora, só que mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Curtia política, aquele lance hippie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Porra nenhuma. Aqueles esquerdóides era uns escrotos, cheios de regras, de frescuras... eram iguais aos militares, nem um pouco melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Eram intolerantes também, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Porra, demais. Revolução cada um tem a sua, na sua cabeça. O resto é merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Você teve a sua revolução?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Eu fui criado por japoneses tradicionalistas. Olhe pra mim agora? O que você acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Eu vivo sob as minhas regras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Outro dia eu estava no metrô e estava escrito “Nunca ande nos trilhos”. Cheguei à conclusão que as únicas regras que merecem ser seguidas são aquelas que não precisam existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h47 – ¾ DA GARRAFA CHEIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Eu tinha um amigo publicitário. Uma vez um grupo de vegetarianos pediu para ele traduzir o slogan “Meat is a Murder” pra eles, mas não só traduzir, mas fazer um lance de palavras legal, em português. Sabe o que ele conseguiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Escutem bem. “O Assado é um assassinato”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;“O Assado é um assassinato?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(rindo)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É! Ele nunca mais trabalhou pros caras, você pode ter certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h23 – ½ GARRAFA CHEIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Então eles te mandam pra escola, eles te ensinam todos esses valores horrorosos como posse e ganância, eles te treinam para ser mão-de-obra, não pra ser uma pessoa livre. Escutem muleques, isso tudo é bosta. Vivam suas vidas, jantem umas xoxotas, viagem pra bem longe, onde tudo é selvagem e vivo. Vocês vão se foder de qualquer jeito, mas se fodam do jeito divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Mas há futuro nisso? Quero dizer, eu concordo com você, mas quando você foge da escravidão do sistema você não se torna escravo da marginalidade? Quero dizer, você faz uma escolha que talvez não possa mudar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Meu filho, isso tudo é merda! Você é escravo do seu estômago, da sua cabeça e do seu pinto. Sempre! É isso. No final das contas você vai acabar sozinho, num quarto de hospital, numa sarjeta ou no presídio. Qual a diferença? Por que viver uma vida inteira através de termos que não são seus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu tenho medo de ter uma vida medíocre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Ótimo! Já é o primeiro passo pra não ter uma. Todo mundo quer a liberdade, mas todo mundo tem medo dela também, por que ser livre significa abrir mão de todo o resto. A liberdade é a forma mais solitária de se amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO &lt;em&gt;(arrotando)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Bonito isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h50 – ¼ DA GARRAFA CHEIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Seus putos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(murmura algo incompreensível)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Sabem, hoje eu estava na estação de trem... e... eu olhava todas aquelas pessoas e...&lt;br /&gt;Bem, eu pensei, “O QUE DIABOS NÓS ESTAMOS FAZENDO NESSE PLANETA?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;É... foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Foda? É ridículo. Onde as pessoas vão com tanta pressa? Elas não chegam a lugar nenhum no fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Agora sim... isso mesmo... seus putos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h20&lt;br /&gt;A GARRAFFA ESTÁ VAZIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Acho que estou apaixonado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Hum... e o que você pretende fazer a respeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Eu não sei... bater com a cabeça na parede até passar, provavelmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Isso parece tão sensato quanto ficar apaixonado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(acordando)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Uma vez eu me apaixonei. É uma merda, você não se apaixona por uma mulher, se apaixona por um sorriso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Por um sorriso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;br /&gt;Pois é! Ai quando o sorriso se desfaz, o que é que você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENRICO&lt;br /&gt;Uma piranha chata te aporrinhando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAKESHI&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt; (berrando)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É! Essa merda é uma coleira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABRIEL&lt;br /&gt;Vão se fuder! Você sabem o que é... o coração sangrando e sua cabeça implodindo? E você olha para aquela pessoa e você não sabe o que fazer para ela entender o que você sente e o que você é... Que merda, você vem me falar de um sorriso... eu quero saber o que esconde o sorriso... eu quero ser o motivo do sorriso... você entende isso, seu velho puto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nesse momento Takeshi atira a garrafa de uísque na parede, chuta móveis e esmurra as paredes enquanto berra de maneira desvairada. Enrico e Gabriel deixam a casa, a garrafa despedaçada e o velho sozinhos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6405713560354221910?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6405713560354221910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6405713560354221910' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6405713560354221910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6405713560354221910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/04/bebendo-com-takeshi.html' title='Bebendo com Takeshi'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1345548174950151796</id><published>2009-03-17T21:51:00.007-03:00</published><updated>2009-03-21T16:26:54.959-03:00</updated><title type='text'>O Verão não é bom para colheitas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Janeiro... nada.&lt;br /&gt;Fevereiro... porra nenhuma&lt;br /&gt;Março...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem incômoda esta ausência de palavras. O truque é conseguir que a primeira sentença seja perfeita, depois o resto vem por espasmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IDÉIAS PARA UMA 1ª SENTENÇA PERFEITA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sentado sobre a grama molhada, o menino avalia os primeiros efeitos de uma estranha droga.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Autobiográfico ou fantasioso? Há algum propósito em avançar aqui?)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- A lâmina da faca refletiu seus olhos e seus lábios sussurraram: “Até quando?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Conflitos existenciais compressos em clichês. Eu não consigo escrever nada sem a palavra “lábios” no meio?)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- “Como você prefere morrer: Como Ícaro ou como Narciso?”, ele indagou em sua juventude febril.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Idéia promissora. Estética pobre. Desenvolver mais tarde?)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sem chance. Preguiça mental. Além disso, o texto exige um mergulho emocional pesado demais e eu não me sinto disposto. Que sabe um poema erótico por hora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um que não tenha a palavra “lábios”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Merda.&lt;br /&gt;Não é assim com poemas. Você não os planeja, não os pensa, eles vêm, exigem ser escritos. É um processo natural. Como uma paixão. Como uma diarréia. Hoje não é o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez algo engraçado, despretensioso, faz tempo que eu não faço algo assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ERIC, O CARPINTEIRO A PROVA DE JINGLES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Er... isso me parece bem pretensioso... e nada engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, meu caderno de rascunhos pode ter a salvação. Vejamos. Algumas frases de efeitos, rimas pobres, provocações teológicas, enfim, nenhuma idéia original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha última chance. Um relato de meu dia. Estilo um diário. Sempre quis ter um diário, mas tenho problemas com prazos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RELATO DE UM DIA QUALQUER – HOJE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu acordei um minuto antes do despertador tocar, mas continuei na cama até que o alarme soasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho li um artigo sobre doenças mentais bizarras e me perguntei se não sofro nenhuma delas, e em caso positivo, como eu poderia saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma goteira no meio do escritório destruiu alguns jornais e um e-mail. Todo mundo achou engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei completamente encharcado no caminho do trabalho até o metrô. Troquei de camisa no meio da estação e as pessoas olharam assustadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei do trem uma das maiores tempestades que já presenciei. O vagão passou por um rio onde a água quase transbordava. Fiquei tão impressionado que troquei olhares com um estranho e disse “Nossa!” e ele respondeu “Complicado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi a inutilidade de pegar um ônibus e fui a pé para casa. Me senti um monge zen caminhando serenamente em meio ao caos do trânsito. Atravessei uma ponte inundada e pensei na possibilidade de contrair leptospirose. Observei a devastação causada pela chuva, à sujeira das ruas e as expressões atônitas. Me senti feliz, como se fosse imune a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa. O vizinho escutava Miles Davis no último volume. Ótimo gosto. Tomei banho e inventei uma canção sobre leptospirose. Não lembro como era a letra. Jantei duas coxas de frango. Limpei o vômito do meu gato. Senti tédio e comecei a escrever. Não sei que horas vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM DO RELATO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho.&lt;br /&gt;Eu sou um zumbi renascido de uma lobotomia. Eu sou uma criatura mitológica que deu à luz a um demônio através de um aneurisma cerebral. Eu acabei de cagar um tumor colossal. Que alivio! Minha cabeça estava doendo por excesso de idéias e escassez de ação. Por que é tão difícil escrever no verão? É culpa do calor? Eu sou muito preguiçoso? Por que foi preciso um dilúvio para me inspirar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para mim, tempestades são bons presságios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1345548174950151796?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1345548174950151796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1345548174950151796' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1345548174950151796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1345548174950151796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/03/o-verao-nao-e-bom-para-colheitas.html' title='O Verão não é bom para colheitas'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2738885763664870835</id><published>2009-03-02T00:39:00.000-03:00</published><updated>2009-03-02T00:40:13.978-03:00</updated><title type='text'>À Espera dos Anjos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gabriel atravessa o deserto&lt;br /&gt;Ele desperta de um sonho&lt;br /&gt;Ninguém está por perto&lt;br /&gt;Para ouvir sobre o fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel está alerta&lt;br /&gt;Gabriel se sente ansioso&lt;br /&gt;Sua mente está repleta&lt;br /&gt;De idéias para um novo consolo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel quer paz interna&lt;br /&gt;Desvendar a misteriosa força&lt;br /&gt;Gabriel quer aquelas pernas&lt;br /&gt;Quer gosto de boceta na boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel é o peregrino&lt;br /&gt;É o santo a procura do profano&lt;br /&gt;Gabriel quer perigo&lt;br /&gt;Mas não que lidar com os danos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À espera da primavera&lt;br /&gt;À espera dos anjos&lt;br /&gt;Eu não sei o que me espera&lt;br /&gt;Através do vale dos sonhos&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2738885763664870835?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2738885763664870835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2738885763664870835' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2738885763664870835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2738885763664870835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/03/espera-dos-anjos.html' title='À Espera dos Anjos'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4900805120092943486</id><published>2009-01-08T00:20:00.001-02:00</published><updated>2009-01-08T00:22:55.209-02:00</updated><title type='text'>Raízes Arcaicas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dádiva podre, sangue da alvorada&lt;br /&gt;Voraz em seu nome, oh minha musa mutilada&lt;br /&gt;Louvada as dores, soberba toxina&lt;br /&gt;Acentuando as cores da minha alma distorcida&lt;br /&gt;Lucidez nervosa, aceleração cardíaca&lt;br /&gt;O perfume de mil rosas não me toma da carniça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asas despedaçadas, olhos incandescidos&lt;br /&gt;Enxuga-me as lágrimas e silencia os meus gritos&lt;br /&gt;A ferida é cálida, a navalha é tingida&lt;br /&gt;Ignoro sua falácia, só dou ouvidos à agonia        &lt;br /&gt;Espelho de bronze, frenesi interrompido&lt;br /&gt;Rastejo ao horizonte, amaldiçoado seja o seu sorriso&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4900805120092943486?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4900805120092943486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4900805120092943486' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4900805120092943486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4900805120092943486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2009/01/razes-arcaicas.html' title='Raízes Arcaicas'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3327374913525279519</id><published>2008-12-27T21:01:00.001-02:00</published><updated>2008-12-27T21:03:13.087-02:00</updated><title type='text'>Queda Livre</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Sentado no parque, encarando uma cascata artificial, cercado por árvores sem pássaros e flores de vinil. Música relaxante sai dos alto falantes, ritmando os passos de mulheres de meia idade em sua caminhada matinal. Tudo é simétrico. Tudo é sem vida. Tudo é silêncio. A batida do meu coração está fora dessa suave sincronia. Meu estômago geme de dor e minha cabeça pulsa na ressaca e na tormenta de furiosos pensamentos que não cessam. Eu não pertenço a este lugar, eu não me encaixo nesta cena. Para onde então? De onde foi que eu me perdi? Eu me sinto em carne viva, dolorido e indefeso. Todas as feridas expostas, todos os desejos revirados, mente e espírito postos &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em xeque. A" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;em xeque. A&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; verdade veio à tona, mas isso não significa que eu estava preparado para lidar com ela. Eu olho ao meu redor e não sei o que esperam de mim. Eu olho para meu interior eu não sei como preencher esse vazio. Talvez o limite da razão humana seja reconhecer que é refém do instinto, como no momento eu percebo que estou em queda livre e nada posso fazer a respeito. E saber não traz nenhum alívio. Talvez o alívio seja o final da queda. Talvez não haja resposta. Talvez a vida seja um paradoxo sem sentido. Talvez eu seja apenas um desvario de um deus insano, um breve delírio que brilhou na escuridão do infinito antes de desvanecer pela eternidade. Talvez eu esteja apenas confuso. Talvez eu seja apenas um garoto. Evitar o sono parece mesmo uma maneira estúpida de lidar com tudo isso, mas o que eu devo fazer a respeito dos meus sonhos? Como eu posso me encarar agora? Tudo que eu sei é que eu odeio essas flores falsas e que o silêncio das árvores é um peso sobre mim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Veja lá fora quem foge tão cedo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Veja o menino que quer ser maior que os deuses&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Tentando cegamente desvendar o segredo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Sequer consegue desvendar a si mesmo&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3327374913525279519?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3327374913525279519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3327374913525279519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3327374913525279519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3327374913525279519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/12/queda-livre.html' title='Queda Livre'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6519971694085131573</id><published>2008-12-18T02:40:00.002-02:00</published><updated>2008-12-18T02:44:37.497-02:00</updated><title type='text'>Glória</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight:bold"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Toda dia, na mesma hora da noite, eu sinto essa dor de cabeça e esse vazio no peito. Eu tenho que ficar vadiando por ai, dando voltas no quarteirão, para só então ir pra cama, completamente exausto, evitando assim ter que passar horas encarando a escuridão na desagradável companhia dos meus pensamentos. Eu estive tempo demais comigo mesmo, me analisando, olhando através dos meus desejos mesquinhos e das minhas frustrações e agora eu não suporto mais ser o fracasso enrustido que eu sou. Eu queria ter a coragem de me tornar um fracasso completo. Eu queria ter a integridade que se precisa ter para desistir. Eu ainda sou tolo o bastante para sonhar com alguma forma de recompensa, algum tipo de satisfação narcisista. Eu ainda sonho com glória, seja lá o que for isso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight:bold"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Eu li a respeito de um menino Buda que vive no Nepal. Aparentemente ele pode ficar meses sem se alimentar, meditando e peregrinando pelas selvas. De vez em quando ele aparece e conversa com as pessoas. Eu tenho uma inveja do caralho desse cara. Ele tem 18 anos e já descobriu que o custo da liberdade é desistir de si mesmo e vomitar essa porra toda que te empurram goela abaixo desde o minuto que você nasce. Perambular pela floresta em busca de paz interior e autoconhecimento, o que pode ser mais transgressor do que isso? “Fodam-se vocês com suas patéticas ilusões amorosas e seus planos de carreira! Eu não preciso dessa merda! Isso é veneno para o espírito!”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight:bold"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Sabedoria é mesmo uma qualidade dos fodidos, dos sem esperanças, daqueles que ultrapassaram a cortina de fogo do egocentrismo e descobriram o que há por trás da miragem. Eu queria ter a audácia para isso, mas eu sou mimado demais. Muitos sonhos de glória ainda terão de ser despedaçados antes que eu decida partir para a escuridão das selvas e não me sinta só na companhia dos meus pensamentos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6519971694085131573?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6519971694085131573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6519971694085131573' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6519971694085131573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6519971694085131573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/12/glria.html' title='Glória'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5342357351317261411</id><published>2008-12-11T22:26:00.001-02:00</published><updated>2008-12-11T22:28:44.639-02:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu espero amor do infinito ao começo&lt;br /&gt;Lanço meu peito em desafio ao desespero&lt;br /&gt;Amo em resposta ao vazio do teu desprezo&lt;br /&gt;A nossa dor é a sobra do mesmo inteiro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me importa o teu exército&lt;br /&gt;Eu sou eterno, pois o universo&lt;br /&gt;É feito de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te espero em toda a parte&lt;br /&gt;Teu sangue aquece, pois minha carne&lt;br /&gt;É feita de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo o infinito refletir o segredo&lt;br /&gt;Secreto é som que ecoa em meu peito&lt;br /&gt;Infinitos sonhos reverberam o desejo&lt;br /&gt;O nosso ódio é a raiz do mesmo veneno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu trago luz à tua miséria&lt;br /&gt;Eu sou a quebra, pois minha guerra&lt;br /&gt;É feita assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua baioneta não me derrota&lt;br /&gt;Eu sou a afronta que ressoa&lt;br /&gt;Viva até o fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha pele encobre um precipício&lt;br /&gt;Sonhos despedaçados levam ao paraíso&lt;br /&gt;Pois a travessia é feita de dor&lt;br /&gt;Além da dor resta apenas vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu espírito quer a redenção da verdade&lt;br /&gt;Libertar o ego servil ao disfarce&lt;br /&gt;Pois o infinito é feito de amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Além do amor resta apenas miragem&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5342357351317261411?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5342357351317261411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5342357351317261411' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5342357351317261411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5342357351317261411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/12/amor.html' title='Amor'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-73547676309917550</id><published>2008-12-04T22:21:00.001-02:00</published><updated>2008-12-04T22:23:08.639-02:00</updated><title type='text'>Vermes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Feridas, delírios, fetiches&lt;br /&gt;Um abismo que busca consolo&lt;br /&gt;A amarga verdade é tão simples&lt;br /&gt;Seu silêncio perturba meu sono&lt;br /&gt;Paixão que conduz a demência&lt;br /&gt;Instintos perdem o controle&lt;br /&gt;Um amor maior que a existência&lt;br /&gt;E tudo é tão vazio como antes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, ainda não me abandone&lt;br /&gt;Faça tudo, mas fique por perto&lt;br /&gt;Esse desesperado nojo que me consome&lt;br /&gt;É o mais perto que eu já tive de um afeto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em busca da droga perfeita&lt;br /&gt;Percorro galerias de ilusões&lt;br /&gt;Abandono a noite desfeita&lt;br /&gt;Um anjo sussurra revelações&lt;br /&gt;Auto-indulgência me leva ao ridículo&lt;br /&gt;Espero carícias na escuridão&lt;br /&gt;Seu toque é vulgar e abrasivo&lt;br /&gt;Você é um bom motivo para a solidão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ainda enxergo o menino&lt;br /&gt;Que grita por socorro&lt;br /&gt;Drenando o espírito&lt;br /&gt;Até um ponto sem retorno&lt;br /&gt;Madrugadas se perdem&lt;br /&gt;A cidade banhada em sangue&lt;br /&gt;A selvageria me impele&lt;br /&gt;Mas nunca é o bastante&lt;br /&gt;Da euforia ao lamento&lt;br /&gt;Eu só desejo vingança&lt;br /&gt;Se aconchegue em meu peito&lt;br /&gt;E se deleite com as chamas&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-73547676309917550?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/73547676309917550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=73547676309917550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/73547676309917550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/73547676309917550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/12/vermes.html' title='Vermes'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7200652459881753068</id><published>2008-12-03T10:30:00.002-02:00</published><updated>2008-12-03T10:32:59.855-02:00</updated><title type='text'>Carcaças</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A metrópole pulsava quando o céu violeta elétrico da noite foi tingido pela lava da aurora. A atmosfera envenenada cobria as intermináveis malocas da periferia, solidificadas sobre lodo e miséria. Uma multidão de mutilados trafegava por entre as avenidas imundas que ligavam o subúrbio ao centro, levados pela transe tóxica dos veículos de transporte de&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;massa. Práticas milenares de genocídio cotidiano garantiam a moção das engrenagens da grande máquina. Primatas presos a um estágio intermediário da evolução onde a percepção é limitada por cinco sentidos sensoriais, dogmas religiosos e tabus sociais. A política de Estado é o infanticídio via lavagem cerebral. O processo consiste em saturar a mente da população ainda na infância com valores decadentes e a abstração da capacidade criar/questionar. Os resultados são humanóides adulterados, enclausurados na ilusão de sua própria individualidade, masturbadores arrogantes cheios de certezas e vazios de imaginação. Fábricas movidas por operários lobotomizados e estimulados por cocaína, servindo eternamente a manutenção de sua própria escravidão. Virá o dia em que das entranhas fétidas de um aterro sanitário, um anjo com asas feitas de lixo irá pender sobre toda nossa sordidez infecciosa e anunciar que o apocalipse já aconteceu, nós apenas não percebemos, ocupados demais com nossas guerras tribais, interesses mercadológicos e fantasias românticas de narcisismo depravado. O mundo acabou, nossas almas foram julgadas e condenadas. Ninguém foi avisado, pois nós matamos todos os nossos profetas. Todos eles apodreceram em sarjetas ou quartos de hotéis baratos, com os corpos decompostos por heroína e álcool, as mentes feridas por mentiras, desprezo e intolerância. Nosso modo de vida insano matou as únicas vozes sábias e agora nós podemos nos deleitar com nosso banquete de sangue e sêmen, alimentando continuamente nossos cérebros atrofiados de holocausto &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em holocausto. A" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;em holocausto. A&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt; orgia das sensações satisfazendo nosso instinto anêmico de auto-preservação, a ambição e angústia são nossas motivações existenciais. Tumores desenvolvidos via estática, a ilusão de liberdade é a forma mais eficiente de opressão. Carcaças errantes e sem sonhos, somos viajantes  abandonadas a deriva por qualquer força criadora que tenha cometido o erro de nos permitir existir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7200652459881753068?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7200652459881753068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7200652459881753068' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7200652459881753068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7200652459881753068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/12/carcaas.html' title='Carcaças'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3795634679170332530</id><published>2008-11-21T04:58:00.007-02:00</published><updated>2008-11-21T06:16:51.846-02:00</updated><title type='text'>Os Tigres do Jardim</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Toda noite o ritual se repete. Antes de apagar as luzes tenho que apanhar a pilha de gatos sobre a minha cama e jogá-los no quintal. Lancelot se esconde embaixo da cama, Bituca protesta com um miado estridente, e o velho Lestat apenas suspira conformado. Tem um bando deles nessa casa desde que eu me lembre. Foram tantos, alguns de presença fugaz e pouco marcante, mas outros com histórias memoráveis.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;O primeiro deles foi o Farinha, um gato amarelo e rabugento que dormia sobre uma pilha de jornais velhos. Ele não era muito brincalhão e me arranhava às vezes, mas eu adorava ver as lutas em que eles se metia. Sempre que algum gato de rua invadia seus domínios, ele prontamente se lançava em duelos pavorosos, cheios de rosnados assustadores e quedas espetaculares do alto do telhado. Tinha um gato siamês gigantesco que sempre vinha roubar comida. Farinha nunca fugia da briga, apesar de ser bem menor. Ele era meu herói, mas infelizmente uma dessas batalhas acabou custando caro demais. Uma das feridas de guerra infeccionou e Farinha morreu. Ele tinha cinco anos.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Alguns anos depois apareceu o Juan, disparado o gato mais insano que eu já tive. Ele só ficou comigo por uns seis meses, mas foi uma estadia intensa, onde protagonizou as cenas felinas mais bizarras que eu já vi. Uma vez ele saltou sobre as costas da minha cachorra e por alguns segundos pareceu galopar no lombo dela. Ninguém acredita em mim quando eu conto essa história. De fato, eu mesmo mal acredito. Juan sempre ficava preso no alto da goiabeira e o resgate durava horas, noite adentro. No dia seguinte, lá ia ele de novo, sempre fora do nosso alcance. Ele tinha o hábito de dar cambalhotas, esmurrar ursinhos de pelúcia e jamais cagava fora de sua caixa de areia. Uma manhã simplesmente sumiu e nunca mais voltou. Espero que alguém o tenha adotado e que ele tenha vivido bem.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Logo depois os gêmeos vieram, Lestat e Lucrécia. Lucrécia era medrosa, tinha medo de abacates, sacolas de papel, instrumentos musicais e do reflexo dela no espelho. Mas eram bonés a sua grande fobia. Pegar a Lucrécia no colo com um boné na cabeça era garantia de alguns arranhões. Era uma gata especialmente carinhosa, capaz de ficar horas ronronando no meu colo, afofando de maneira irritante as minhas pernas com suas garras afiadas. Tinha um miado baixo e curto diferente de qualquer outro gato. Morreu de câncer aos oito anos.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Quem nunca se bicou muito com Lucrécia foi Bituca, a nossa doce pantera selvagem. Tímida com estranhos, histérica com os donos e terrível com os outros gatos. A única gata no mundo que eu conheço que é capaz de rosnar como um cão. Vive brigando com os outros gatos, morde todo mundo, me arranha toda hora.  Mas não sai do meu colo e reclama quando não lhe dou atenção. Realmente uma mulher misteriosa essa gata cinzenta.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Por último o meu velho amigo Lestat. Onze anos de vida, mas poderiam ter sido nove, já que há dois anos ele se meteu numa briga com um cão labrador. Ele saiu vivo dessa de maneira incrível, mas não sem o custo de uma pata quebrada. Hoje ele manca orgulhosamente por ai, gordo e sereno como um Buda. Não conte para os outros gatos, mas é ele o meu preferido. Ele é a síntese de tudo que apreciou nos felinos. Silencioso, paciente, imprevisível, companheiro e extremamente orgulhoso. Aqueles que detratam os gatos e os acham arrogantes são os que verdadeiramente precisam ser mais humildes. Os gatos são nossos parceiros, não nossos servos, e isso diz muito do caráter de quem os despreza. Por que um gato deveria se curvar para um humano? Por que essas criaturas magníficas nos devem alguma satisfação? Se os cães quiseram se comportar assim, o problema é deles. Nós oferecemos comida e abrigo, eles nos pagam com afeto e sabedoria. É possível aprender muito com essas criaturas suaves, noturnas e poéticas, donas de espírito irremediavelmente livre. Dóceis e indomáveis, me sinto muito grato a eles por hoje ter um pouco de felino dentro de mim.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3795634679170332530?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3795634679170332530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3795634679170332530' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3795634679170332530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3795634679170332530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/os-tigres-do-jardim.html' title='Os Tigres do Jardim'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1167816203303432666</id><published>2008-11-19T03:46:00.000-02:00</published><updated>2008-11-19T03:47:16.173-02:00</updated><title type='text'>Espectros</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Olho para todos os rostos. Não vejo nada. Eles nada me oferecem e eu nada tenho para dar &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em troca. Nenhuma" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;em troca. Nenhuma&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt; expectativa, nenhum futuro. Apenas passado e promessas. Eu sorrio para os rostos. Eles sorriem de volta. Sorrisos vazios, sem vida, uma contorção facial, nada mais. O som das palavras é monótono, desestimulante. Todos nós já ouvimos essa conversa antes. Todas as conversas levam ao mesmo lugar. Todos os rostos são iguais no final. Eles olham para mim e não me enxergam, apenas me julgam, uma velha memória, um objeto decorativo de suas rotinas. Eu os vejo da mesma maneira, e no fim somos todos espectros, corpos translúcidos sem valor, reflexos de nossa própria apatia. E quando eu busco seus olhos, procuro algum brilho, espero qualquer sinal de que ainda sou capaz de provocar alguma faísca. Mas seus olhos são sempre opacos, tão opacos quanto os meus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1167816203303432666?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1167816203303432666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1167816203303432666' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1167816203303432666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1167816203303432666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/espectros.html' title='Espectros'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-9126038670858014261</id><published>2008-11-18T03:48:00.003-02:00</published><updated>2008-11-19T03:19:11.762-02:00</updated><title type='text'>A Mosca</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chutei a carcaça da mosca morta para fora do meu quarto. Eu a matei por causa do zumbido, o barulho me irritava. Sem dúvida um motivo mesquinho para se matar. A mosca só estava seguindo seu instinto, batendo suas asas, se alimentando dos meus restos, se aproveitando da minha imundice. Talvez eu só a tenha matado por instinto também. Qual a diferença entre nós dois afinal? Matéria orgânica de curta existência, regida pelo impulso de sobreviver por mais um segundo. É fácil colocar a humanidade num pedestal, o topo da cadeia evolutiva, os jardineiros do Éden. Não é assim que eu me sinto. Não há nenhuma racionalidade por trás dos meus atos, não há nenhum mecanismo lógico movendo minhas ambições e não há nenhum sentimento divino guiando minha vida. Apenas atividade hormonal intensa, do meu cérebro aos meus testículos, um mero primata bípede. Comer, cagar, dormir e foder, eis o sentido da vida. Todo o resto é apenas um embuste para comunicar o resto do mundo sobre o seu progresso na realização de tais objetivos. O amor por exemplo. O amor é a forma que suas glândulas cerebrais dizem ao seu corpo: “Procrie, fique por perto do seu parceiro e ajude a cria crescer”. É isso, um mecanismo de sobrevivência da espécie, uma arma evolutiva. Agora eu penso na mosca morta. O instinto ordenava que ela se aproximasse de mim, rastejasse por minha pele e desovasse em minhas feridas. Quando larvas eclodissem em minhas chagas e se desenvolvessem alimentando-se de meu pus, a continuidade da espécie estaria garantida. Então me questiono: “Qual a diferença entre o amor e o instinto da mosca? Atração carnal, cópula e nascimento. Não é isso o que move o amor?” Bem, isso não importa mais para essa mosca agora. Eu a matei, talvez  por mais do que pelo zumbido. Talvez eu a tenha matado pela sensação de controle, pelo anseio humano de interferir e subjugar a natureza ao seu redor. Mas novamente, eu me vi sobrepujado pelo instinto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-9126038670858014261?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/9126038670858014261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=9126038670858014261' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/9126038670858014261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/9126038670858014261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/mosca.html' title='A Mosca'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3721337245728473965</id><published>2008-11-13T21:07:00.000-02:00</published><updated>2008-11-13T21:08:45.293-02:00</updated><title type='text'>Contra a Parede</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu me sinto abençoado&lt;br /&gt;Meus lábios cortados&lt;br /&gt;Nunca beijaram tão bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei sempre em dívida&lt;br /&gt;Sua calorosa mentira&lt;br /&gt;Fez eu me sentir alguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio fulguro&lt;br /&gt;O amor é um estupro&lt;br /&gt;Contra a minha estupidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto falta do desespero de ser seu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrego-lhe a mensagem&lt;br /&gt;Sem tempo para miragens&lt;br /&gt;Minha carne exposta a você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo velho perfume&lt;br /&gt;Que me atraí e me pune&lt;br /&gt;Voltou a me vencer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marca de suas unhas&lt;br /&gt;Da cor da minha fúria&lt;br /&gt;Que o tempo não desfez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto falta do que se perdeu contra a parede&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3721337245728473965?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3721337245728473965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3721337245728473965' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3721337245728473965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3721337245728473965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/contra-parede.html' title='Contra a Parede'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5768286918781621945</id><published>2008-11-12T04:16:00.001-02:00</published><updated>2008-11-12T04:21:04.530-02:00</updated><title type='text'>Para o coração de cada homem, uma estrada perdida</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu me enganei quanto a Enrico Roccato. Achei que ele fosse um clichê, um niilista raso desprovido de humildade e bom senso, um moleque cheio de rancor querendo descontar no mundo a sua ira. Não, esse não era ele, era eu. Era eu o pivete arrogante o tempo todo. Enrico é muito mais do que isso. Hoje eu o vejo como um protótipo de um animal iluminado, lúcido demais para o nosso tempo. Desde que eu o conheci, há cerca de um ano e meio, minhas certezas foram pulverizadas e a realidade se tornou cada vez mais tênue sob minha percepção. Enrico não tem laços familiares, não tem ideologias, não tem crenças, não tem um trabalho, não tem senso cívico. Mas isso são detalhes irrelevantes, meros traços de seu caráter. O segredo por trás de sua sabedoria é que ele não tem esperança. O que é a esperança senão a razão de todos os anseios? O que é a esperança senão um eufemismo para a agonia? O espírito de um homem só será livre quando a esperança se for, e nele ainda restar a vontade de viver. A vontade selvagem de fazer carne e alma pulsarem até o último suspiro. Sem esperança, sem remorsos, sem hipocrisias. Enrico viu que a questão da vida não é o domínio da razão sobre os instintos, e tampouco o contrário. Instinto e razão são duas expressões da mesma natureza, da mesma origem, que é a vontade de existir e provar sua existência ao resto do universo. Por trás de cada ação, de cada conversa, de cada paixão, há um homem gritando por atenção, para que todos notem quão brilhante sua alma é, para que todos sintam o calor de seu coração em chamas. Enrico desistiu disso. Ele sabe que ninguém poderá conhecer a real essência de outra pessoa. Por isso ele se satisfaz com seu próprio brilho, com suas próprias chamas. Ele não mais espera por compreensão externa, ele não precisa de desculpas por ser o que é. Diante desse homem, venho perdendo a fé em tudo em que me ensinaram, e não vejo mais propósito em fazer o que supostamente é o correto. Tudo em que eu consigo pensar é que a estrada para redenção leva a um abismo e por mais que meu espírito brilhe, por mais que meu peito se contorça em chamas, nada será o suficiente para satisfazer o despropósito de minha existência. E por mais que eu me questione, não consigo me ver livre da esperança de chegar ao fim do caminho e encontrar uma resposta.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5768286918781621945?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5768286918781621945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5768286918781621945' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5768286918781621945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5768286918781621945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/para-o-corao-de-cada-homem-uma-estrada.html' title='Para o coração de cada homem, uma estrada perdida'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6454276474088214166</id><published>2008-11-06T00:17:00.002-02:00</published><updated>2008-11-07T00:05:14.861-02:00</updated><title type='text'>Estigmas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nossa busca espiritual recomeçou às oito da noite de uma sexta-feira. De boteco em boteco, de puteiro em puteiro, mulheres nas esquinas, mulheres na pista, “Ei mano, vai casar com esse baseado? Passa a bola, porra!”. Em algum momento Enrico perguntou “Já viu Deus agora?”, “Não, ainda não.”, “Então bebe mais, seu merda!”. Eu bebi, mas Deus não apareceu naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre tive uma obsessão por anjos. Quando eu era criança ficava olhando os vitrais da cúpula da igreja do meu bairro e ficava fascinado com um em particular, que mostrava um anjo segurando o braço de Abraão, impedindo que ele sacrificasse o filho. Sonhei inúmeras vezes com anjos, li sobre o assunto e continuei acreditando neles por um certo tempo, mesmo depois de parar de crer em Deus, sei lá porquê. O que eles representam para mim afinal? Por que eu continuo procurando por anjos nos lugares mais sórdidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Budismo é a religião mais inteligente que existe”, eu afirmei, deitado na mesa de sinuca. “Justifique-se”, ordenou Enrico, sentado no chão. “Pois não. O budismo, e eu me refiro ao pensamento original de Buda, não as formas como ele é praticado hoje em dia, que não passam de distorções e fusões com outras religiões, é a religião mais inteligente por que nela não existe Deus”. Enrico ficou em silêncio reflexivo por alguns segundos. “É um bom ponto. Você tem mais algum?”. “Sim senhor. Um aspecto do budismo que me agrada é que ele prega a iluminação espiritual através do questionamento e do auto-conhecimento. É exatamente o oposto das religiões monoteístas, que pregam a subserviência. A posição básica do catolicismo é ficar de joelhos, por exemplo. Outra coisa, na cultura grega, Prometeu é o herói da humanidade, aquele que trouxe luz e o conhecimento para todos. Sabe quem corresponde a ele no Cristianismo? Lúcifer. E o que ele é considerado? Um arrogante desgraçado que questionou Deus e quer foder com todo mundo...”. Eu poderia ter continuado por horas, mas o dono do bar apareceu: “Já tá fechando aqui. Vão blasfemar em outro lugar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós estávamos deitados na grama, no alto de um morro, a beira da Via Anchieta. O velho Chevette tinha ficado alguns quilômetros para trás no acostamento, com a bateria arriada. Obviamente nós estávamos bêbados, por isso largamos o carro, temendo ser novas vítimas da lei seca. “Eu sinto pena desses otários que procuram uma buceta ou um caralho por aí que vai redimi-los de toda a miséria que ele sentem, de todo esse lixo que eles acolhem. Então o objetivo da vida é esse? Um prêmio de consolação?”, praguejou Enrico. “O que é o paraíso afinal?”. “Eu não sei, nunca pensei muito sobre ele”, eu respondi. “Quando eu tinha uns nove anos e fazia catecismo só tinha medo do inferno”. Enrico concordou com um gesto. “É isso que eles nos ensinam, a ter medo da derrota, da humilhação, de ser um fudido. É pra ninguém ter coragem de correr riscos, questionar esse padrão escroto de vida. O paraíso é só uma promessa, mas o inferno...”. Do outro lado da pista o Sol começava a nascer. Então eu falei: “O lance da vida é se jogar de cabeça e aproveitar a brisa da queda. As pessoas ficam na beira do abismo, se perguntando se devem pular ou não. Elas deveriam se perguntar o que é que as prende ao chão”. Não tenho certeza do quis dizer. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6454276474088214166?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6454276474088214166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6454276474088214166' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6454276474088214166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6454276474088214166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/estigmas.html' title='Estigmas'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8493081081151021648</id><published>2008-11-05T00:12:00.001-02:00</published><updated>2008-11-05T00:14:18.691-02:00</updated><title type='text'>Nem Migalhas, Nem Ilusões</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olho para o infinito e busco a mim mesmo&lt;br /&gt;Procuro saídas, um sonho que valha a pena&lt;br /&gt;Sentimento impreciso, mágoa, fúria ou medo?&lt;br /&gt;Condenando a vida a repetição da mesma cena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra noite de miragens e eu não sei o que sou&lt;br /&gt;Não é mesmo um milagre que alguma coisa sobrou?&lt;br /&gt;Não me sinto inteiro, eu pressinto sufoco&lt;br /&gt;Devo ser sereno quando sonhos ainda são sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dúvida me lancina, evito confrontos&lt;br /&gt;Cultivo um peito cheio de rancor&lt;br /&gt;Paixão que fascina a um ponto sem retorno&lt;br /&gt;Acordo refeito, mas ainda sinto o ardor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é farsa, o silêncio é dor&lt;br /&gt;O que eu tenho não basta e o que basta é tão pouco&lt;br /&gt;Eu não tenho respostas, eu mal sei as questões&lt;br /&gt;Nada disso me importa, nem migalhas, nem ilusões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu jogo favorito é fingir pretensões&lt;br /&gt;Um fracasso a mais, mas aprendi a lição&lt;br /&gt;Tingindo de tinto meus mil perdões&lt;br /&gt;Esquecido em paz terei redenção&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8493081081151021648?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8493081081151021648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8493081081151021648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8493081081151021648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8493081081151021648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/nem-migalhas-nem-iluses.html' title='Nem Migalhas, Nem Ilusões'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8861229720995937036</id><published>2008-11-02T21:13:00.001-02:00</published><updated>2008-11-02T21:16:23.118-02:00</updated><title type='text'>Majestade Esfarrapado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando ele vinha, as crianças riam&lt;br /&gt;Sempre muito altivo em seus farrapos&lt;br /&gt;Seus adornos eram flores e feridas&lt;br /&gt;Pendia como um anjo mutilado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me disse: “Meu amigo,&lt;br /&gt;Eu era a sua cara com sua idade&lt;br /&gt;Eu já tinha talento pra ser mendigo&lt;br /&gt;Orgulhoso demais para ter vaidade”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormecido no jardim&lt;br /&gt;Sonhou ser coroado Majestade Esfarrapado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendeu a brasa do cachimbo&lt;br /&gt;Tirou uma cachaça do casaco&lt;br /&gt;“Sonhar é tudo que eu preciso&lt;br /&gt;Quem sonha nunca está errado”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marinheiro louco espera a maresia&lt;br /&gt;Brisa boa como um beijo demorado&lt;br /&gt;“A felicidade é mesmo uma menina&lt;br /&gt;E cortejá-la é o que eu faço ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormecido no jardim&lt;br /&gt;Sonhou ser coroado Majestade Esfarrapado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espectros dançavam na esquina&lt;br /&gt;Se aqueciam com o fogo da madrugada&lt;br /&gt;Cantaram até nascer do dia&lt;br /&gt;Então o cortejo seguiu a estrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais vi meu amigo&lt;br /&gt;Fiquei com tudo que foi ensinado&lt;br /&gt;“Na vida o maior perigo&lt;br /&gt; É deixar a fome te fazer de escravo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormecido no jardim&lt;br /&gt;Sonhou ser coroado Majestade Esfarrapado&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8861229720995937036?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8861229720995937036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8861229720995937036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8861229720995937036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8861229720995937036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/11/majestade-esfarrapado.html' title='Majestade Esfarrapado'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5093131804056059693</id><published>2008-10-23T03:48:00.000-02:00</published><updated>2008-10-23T03:52:33.735-02:00</updated><title type='text'>Performance</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Carlo era o pior suicida do mundo. Oito tentativas em seis anos, todas fracassadas. Suas motivações eram as mais variadas, de desilusões amorosas ao simples tédio de existir. Era um sujeito pequeno e taciturno, trabalhava como bibliotecário e dedicava suas noites ao seu projeto de morrer. Sua última experiência, envolvendo um maçarico, uma corda e uma pesada peça de chumbo, resultou em concussões, feridas, mais dor e nenhum alívio. O seus sucessivos fracassos e seus elaborados sistemas de suicídio chamaram a atenção da comunidade artística internacional. Agora as suas máquinas de autodestruição estão expostas em museus como obras de rara criatividade e hoje Carlo é um feliz artista performático. Carlo, o suicida, nos mostra o absurdo de viver, dizem os críticos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5093131804056059693?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5093131804056059693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5093131804056059693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5093131804056059693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5093131804056059693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/10/performance.html' title='Performance'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6607100793231925757</id><published>2008-10-13T05:28:00.003-03:00</published><updated>2008-10-13T05:32:19.081-03:00</updated><title type='text'>Paraíso a qualquer segundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meditação transcendental lúdica suburbana sem &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;seqüelas&lt;br /&gt;Iluminação espiritual anunciada nas páginas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;amarelas&lt;br /&gt;Masturbação coletiva tântrica hedonista &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pós-moderna&lt;br /&gt;Nirvana plastificado comprado na boca da &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;miséria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diagnósticos psicanalíticos produzidos em escala industrial&lt;br /&gt;Autoconhecimento instantâneo introduzido através de sonda retal&lt;br /&gt;Consciência limpa manufaturada e embalada para uso comercial&lt;br /&gt;A decisão corporativa afirma que todo bem justifica todo o mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filosofia libertária divulgada em intervalo da telenovela&lt;br /&gt;Projeto de marketing anuncia o altruísmo agressivo da nova era&lt;br /&gt;Cristão pagador de impostos celebra a chacina na favela&lt;br /&gt;Deus em forma de consolo oferece um orgasmo a cada reza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neo-romantismo idealizado propaga a eternidade do amor banal&lt;br /&gt;Comida macrobiótica saturada por proteínas de coliforme fecal&lt;br /&gt;As chagas de Cristo corrigidas através de cirurgia plástica espiritual&lt;br /&gt;Revista semanal reporta as maravilhas da lobotomia recreacional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utopia de um moribundo&lt;br /&gt;É o paraíso a qualquer segundo&lt;br /&gt;E o mundo será mudo&lt;br /&gt;Enfim&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6607100793231925757?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6607100793231925757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6607100793231925757' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6607100793231925757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6607100793231925757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/10/paraso-qualquer-segundo.html' title='Paraíso a qualquer segundo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1436020279266452910</id><published>2008-10-07T05:09:00.002-03:00</published><updated>2008-10-07T05:14:11.967-03:00</updated><title type='text'>Noite e Dia</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Perambulando ao redor das mesmas ruas,&lt;br /&gt;Como mariposas bêbadas sempre atraídas&lt;br /&gt;Pelo traiçoeiro brilho artificial do Sol noturno,&lt;br /&gt;Lamentamos a falta de perspectivas na&lt;br /&gt;Repetição de rituais milenares já saturados&lt;br /&gt;De embriaguez sistemática e filosofia etílica.&lt;br /&gt;A mesma noite, revivida inúmeras vezes.&lt;br /&gt;Os mesmos versos declamados em ordem&lt;br /&gt;Aleatória. Milhares de bocas comprimidas&lt;br /&gt;Em um único beijo, disseminando infecções&lt;br /&gt;E os demais efeitos colaterais, visíveis &lt;br /&gt;Apenas sob a luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio&lt;br /&gt;Veio junto ao Sol&lt;br /&gt;Junto ao sereno no lençol&lt;br /&gt;Sereno, eu vejo o fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio&lt;br /&gt;Veio com a aurora&lt;br /&gt;Com o perdão pela demora&lt;br /&gt;Perdão por ser assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra a mentira que me versa&lt;br /&gt;Controversa tatuagem&lt;br /&gt;Trago-lhe a imagem&lt;br /&gt;Deste verso que não fiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara em minha mente&lt;br /&gt;Claramente uma inverdade&lt;br /&gt;Delicada crueldade&lt;br /&gt;Cruelmente ela me quis&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1436020279266452910?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1436020279266452910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1436020279266452910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1436020279266452910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1436020279266452910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/10/noite-e-dia.html' title='Noite e Dia'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2545492943330990422</id><published>2008-09-29T06:20:00.000-03:00</published><updated>2008-09-29T06:23:19.546-03:00</updated><title type='text'>O Turista</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sete e quarenta da manhã. Esqueci de desligar o despertador. Não tenho razões para acordar cedo hoje. Ontem à tarde recebi o comunicado de demissão da corporação. O motivo foi “conduta de trabalho inapropriada, baixa produtividade e falta de motivação”. Um curso de “reeducação de hábitos” foi sugerido. Não sei se o dia amanheceu limpo ou nublado, pois a vista da janela do meu quarto é bloqueada por um muro. Mas posso sentir que está muito frio. Enrolo-me no cobertor e volto a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço minha refeição em frente ao televisor. Assisto uma reportagem sobre uma onda de aparições sacras em diversos pontos das cidades. Santos surgem nas vidraças de arranha-céus, a Virgem Maria brota em uma gigantesca mancha química no asfalto, e o sangue de um mendigo assassinado forma os graciosos contornos de um anjo. Os especialistas dão suas explicações lógicas. Os clérigos falam em sinais. Os fiéis continuam a rezar. Mastigo minha ração e o gosto artificial não me satisfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banco do metrô escuto duas jovens conversando. Fico impressionado com a tamanha segurança que elas têm ao expor suas certezas banais, suas ambições fúteis e seu estilo de vida promíscuo. Pergunto-me se minhas idéias soam assim tão vulgares aos outros. Provavelmente não, pois eu raramente falo em público. No departamento de relações trabalhistas me informam que minha ficha foi classificada como “não-funcional” e ficará assim até que eu completo o curso de reeducação. Uma unidade de treinamento próxima a minha casa é indicada e os créditos da rescisão contratual são depositados em minha conta. Nas escadarias do prédio um pedinte é expulso por seguranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho de volta para casa. Respiro fumaça, absorvo ruídos, cruzo com os demais humanos em suas silenciosas caminhadas rumo ao tempo perdido, sempre sob a vista das torres de vigilância. É mais seguro assim. Meu estomago dói. Não enxergo o horizonte. Sinto claustrofobia. Eu não queria viver aqui, sequer queria me formar. Tinha medo de dizer a minha mãe. Tinha medo de desistir. Procuro um espaço aberto, caminho em direção a periferia. Queria viver longe das muralhas, longe dos telefones e dos planos de carreira. Minha pressão está baixa. Sento-me sobre uma lata de lixo. Vejo um garoto correndo da policia. Ele atravessa a rua, pula uma grade e desaparece. Os policias se entreolham constrangidos. Caminho na direção do inicio da perseguição. Em um muro negro está escrito em vermelho “A vida é um crime”. No chão a lata de spray jaz abandonada. Os policias dizem que eu devo ir para casa, pois está escurecendo e ali é perigoso. Obedeço em silêncio e levo meu espírito não-funcional de volta para as avenidas principais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2545492943330990422?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2545492943330990422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2545492943330990422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2545492943330990422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2545492943330990422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/o-turista.html' title='O Turista'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-859743874254126858</id><published>2008-09-22T08:37:00.001-03:00</published><updated>2008-09-22T08:39:48.447-03:00</updated><title type='text'>Tormenta</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Opacos&lt;br /&gt;Os meus olhos sempre opacos&lt;br /&gt;Até você surgir&lt;br /&gt;E destruir minha redoma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora toda tarde&lt;br /&gt;Toda tarde da noite&lt;br /&gt;Eu quero mais uma gota&lt;br /&gt;Mais um pouco em minha boca&lt;br /&gt;Pouco à pouco sem escolha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êxtase&lt;br /&gt;Sinto-me sagrado&lt;br /&gt;Espírito aprisionado&lt;br /&gt;Um eco do nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu destino&lt;br /&gt;Não corresponde ao seu futuro&lt;br /&gt;Embriagado de sorte&lt;br /&gt;Abençoado e confuso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora toda noite&lt;br /&gt;Toda noite suja&lt;br /&gt;Eu quero um pouco mais pura&lt;br /&gt;Mais calma em minha fúria&lt;br /&gt;Pura maldade sua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mentira me enerva&lt;br /&gt;O meu corpo aquecido&lt;br /&gt;Eu quis esta quebra&lt;br /&gt;No limite do instinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha ao meu lado&lt;br /&gt;Efetue o seu abuso&lt;br /&gt;Golpeie com firmeza&lt;br /&gt;Também farei meu uso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspa em meus olhos&lt;br /&gt;Faça com que eu te obrigue&lt;br /&gt;Brinque com meu sono&lt;br /&gt;Se meu sonho te aflige&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus irmãos o meu sangue&lt;br /&gt;Ao meu vício os meus rins&lt;br /&gt;Ao meu delírio o meu córtex&lt;br /&gt;O coração fica para mim&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-859743874254126858?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/859743874254126858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=859743874254126858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/859743874254126858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/859743874254126858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/tormenta.html' title='Tormenta'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6758122261760291385</id><published>2008-09-19T01:20:00.003-03:00</published><updated>2008-09-19T03:52:33.487-03:00</updated><title type='text'>Confraria</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O rosto de Enrico estava horrível. Nós não somos nenhum exemplo de crianças saudáveis, mas ele estava pior do que o habitual. Após passar mais de um dia desaparecido, ele me ligou às seis da manhã, sussurrando para que eu fosse buscá-lo. “Onde? Puta merda! Como você foi parar ai?”. Enrico havia sumido logo após uma consulta no dentista. Enquanto não havia ninguém na sala, ele decidiu ingerir um pouco de anestesia, que aparentemente causou um forte efeito após se misturar com as inúmeras substancias já presentes no organismo do menino. “Me lembro de sair do consultório tropeçando. Andei sei lá quanto tempo até chegar a um ponto de ônibus. Ai vinha um ônibus escrito “Liberdade” e eu acho que interpretei isso de maneira literal”. 20 horas depois ele despertou em uma lixeira nos fundos de um restaurante chinês, coberto por biscoitos da sorte estragados. Ele tinha um galo na cabeça, um pulso bem machucado e os joelhos esfolados. O que ele não tinha mais era sua carteira. “Sabe, vendo toda aquela sorte jogada fora, eu fiquei pensando na ansiedade humana de antecipar o fim. Entende?” Sim Enrico. Não se alcança a liberdade de ônibus, o nosso destino não está num pedaço de papel e muita vezes as nossas certezas não passam de lixo amanhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É impossível criar um ser humano funcional. Não importa como você crie uma criança, ele vai crescer para virar uma criatura grotesca como todos nós. Olha só para nós dois, eu e o Gabriel, por exemplo,”, disse Enrico, apontando para mim e para ele mesmo, repetidas vezes, enquanto discursava sua tese para uma amiga nossa. “Eu venho de um lar despedaçado, pai ausente, mãe cachaceira. Porra, eu passei a maior parte de minha infância em uma boate, sendo pajeado por um travesti. Olha só o que eu virei.”, ao dizer isso ele abriu os braços e sorriu forçadamente. “Mas por outro lado, nosso colega aqui. Família estruturada, pai e mãe carinhosos, irmã e primos companheiros, tios, tias, avôs... escola, brinquedos, cachorrinhos... e olha só pra ele! Ele é tão paranóico, depressivo e socialmente inapto quanto eu! Não tem jeito, você sempre vai foder com a cabeça da criança, não importa como você a eduque.” Enrico olhou para mim em busca de apoio e eu respondi com um gesto afirmativo. A nossa amiga olhou alternadamente para mim e para ele antes de declarar: “Ah, vocês estragam tudo...”. Cinco minutos antes, ela estava alegremente falando pelos cotovelos sobre o fato de sua irmã estar grávida. Ao ver a expressão levemente angustiada no rosto da garota, Enrico sorriu triunfalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qual é o seu signo?”, me perguntou um cego no metrô.&lt;br /&gt;“Touro’, eu respondi. “E do seu amigo?”, ele indagou ao mesmo tempo que acertava Enrico com uma bengalada na perna, enquanto o mesmo se pendurava na barra de apoio do vagão. “Ele é de escorpião”, eu respondi. “Bom, uma boa dupla”, afirmou o velho, fitando fixamente o infinito com seus olhos vazios. “Você é um criador, e ele um destruidor. Mas não no mau sentido. No sentido de derrubar velhas estruturas, jogar fora o que não presta”. “É, ele é meio iconoclasta...”, eu disse, enquanto tentava me desviar de Enrico, que estava em meio a uma perigosa acrobacia. Ele ficou de cabeça para baixo, com as pernas presas na barra, observando o cego. Após alguns segundos, ele perguntou. “Você acredita que os astros influenciam nossas personalidades?”. O velho balançou a cabeça. “Os astros não influenciam nada, eles apenas contam uma história. Se você olhar bem no fundo do universo, à distância de 13 bilhões de anos luz, você vai ver o inicio de tudo. Em algum lugar está também o fim. É uma questão de observar da maneira correta”. Enrico, a essa altura extremamente vermelho pela pressão sangüínea em sua cabeça , questionou mais uma vez. “Quer dizer que não importa o que eu faça, tudo já está definido?”. O velho tornou a balançar a cabeça. “Não garoto. Você já fez. Tudo já está feito”. Quando descemos do metrô, Enrico parecia extremamente tonto, e eu não acho que foi por causa de suas acrobacias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez fomos expulsos de um puteiro e eu me lembro de berrar para um segurança: “O fato de eu ser um merda não te dá o direito de me tratar como um!”, Foi uma frase extremamente difícil de elaborar no estado etílico que eu me encontrava, mas pareceu causar algum efeito no sujeito, ainda que fosse cômico. Alguns meses depois eu repeti, de maneira patética, a frase para uma garota que me deu um fora. Lá estava, a mesma expressão confusa, uma mistura de piedade com vontade de rir. Talvez a minha intenção fosse demonstrar sofrimento através de uma piada. Mas quando Enrico pixou essa sentença no outdoor do candidato a prefeito do partido da situação de nossa cidade, assim como sempre, ele elevou o efeito de minha criação a um novo nível.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6758122261760291385?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6758122261760291385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6758122261760291385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6758122261760291385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6758122261760291385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/confraria.html' title='Confraria'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5231380631707367780</id><published>2008-09-18T05:22:00.003-03:00</published><updated>2008-09-18T05:25:52.931-03:00</updated><title type='text'>Abstinência</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lábios secos, lábios feridos. Minha boca é uma chaga aberta, uma rosa pálida e esquecida. Meu peito pesado, meu ego corrompido. Meu corpo entregue a espasmos enquanto o vento sussurra, zombando do meu delírio. Lembranças, lembranças, tortura... oh, o gosto era doce. Nem mesmo o fedor do meu hálito, o quarto tomado por meu suor, nada é capaz de afastar o perfume. Minha fúria demolida, o que sobrou? Refém de carícias, refém de mazelas, eu ainda estou preso ao deleite do seu sabor. Me arrasto pelas trevas, busco por migalhas, imploro por perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sentimento estreito, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os meus lábios contra o chão&lt;br /&gt;Exilado em meu leito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Derramo lágrimas no colchão&lt;br /&gt;Ensaio um pedido de desculpas&lt;br /&gt;Mas minha verdade soa débil&lt;br /&gt;É, eu sei... eu sei....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo a luz do horizonte, escuto a cidade se lamentar em dor. Eu não sou ninguém, eu sou o todo, eu sou o corpo que se contorce em transe. O quebrar de mil sonhos, um grito de socorro. O pranto estrangulado, o Sol incapaz de esperar o fim da noite. Minha boca está seca como as flores mortas sobre a televisão. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5231380631707367780?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5231380631707367780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5231380631707367780' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5231380631707367780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5231380631707367780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/abstinncia.html' title='Abstinência'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4647272670771834500</id><published>2008-09-16T00:59:00.002-03:00</published><updated>2008-09-16T01:04:20.143-03:00</updated><title type='text'>Darma</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Comecei a manhã perseguindo um delírio&lt;br /&gt;Agora a loucura vã tem mais um capítulo&lt;br /&gt;Olho o meu reflexo e sinto repulsa&lt;br /&gt;Nada tem nexo, nada disso tem cura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mente errante busca o mesmo caminho&lt;br /&gt;E assim como antes, me sinto sozinho&lt;br /&gt;O Sol se ergue e me atraí como nunca&lt;br /&gt;Ninguém me persegue e esse é o motivo da fuga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu rubro anuncia uma noite desfeita&lt;br /&gt;Um nome ressoa na minha cabeça&lt;br /&gt;Ouço com atenção o sibilar do vento&lt;br /&gt;Abençoar corações fartos de desespero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de respostas, atrás de repouso&lt;br /&gt;Nada importa agora quando tudo é tão pouco&lt;br /&gt;A luz do inverno desperta meu mundo&lt;br /&gt;Nunca estive tão perto do meu próprio absurdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revejo as mentiras até a fantasia morrer&lt;br /&gt;Uma coleção de feridas com que me adornei&lt;br /&gt;No transcorrer da tormenta apenas a dor é real&lt;br /&gt;E ao encontrar os seus olhos eu vejo todo o meu mal &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4647272670771834500?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4647272670771834500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4647272670771834500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4647272670771834500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4647272670771834500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/darma.html' title='Darma'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4736084335197935091</id><published>2008-09-08T03:59:00.003-03:00</published><updated>2008-09-09T00:32:34.423-03:00</updated><title type='text'>Procrastinações</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há cerca de três meses, Gabriel Gabay sofreu uma crise gastrointestinal que o levou a ser hospitalizado. Após um dia de vômitos e diarréia, ele chegou ao pronto-socorro em um estado moderado de desidratação. Enquanto recebia soro e medicação, pediu a enfermeira um pedaço de papel e uma caneta. Após algumas horas, ele foi liberado. Uma faxineira encontrou debaixo de uma maca o papel esquecido pelo paciente. Nele se encontrava a seguinte lista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coisas a se resolver nesta encarnação (ou até quinta-feira, se possível)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1° - Romper os laços maternais e crescer. Deixar de ser um bebê castrado e preguiçoso. Pagar minhas próprias contas, correr atrás dos meus sonhos, viver sem correntes. Abandonar o conforto da jaula. Liberdade vem do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2° - Não ser um hipócrita. Parar de comer carne e tudo que venha de animais. Não comprar nada que venha de grandes corporações e multinacionais. Não utilizar meios de transporte poluentes. Não precisar de instituições públicas para nada. Ser anarquista em um nível pessoal e responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3° - Limpar meu quarto. Cheiro desagradável, insetos mortos pelo chão, poeira entre os teclados. Violão e guitarras também precisam de atenção. Trocar roupa de cama e colar mais pôsteres nas paredes. Paredes brancas são paredes mortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4° - Não jogar a responsabilidade pela minha felicidade em outras pessoas. Não esperar por um messias, por um amor perfeito, por um anjo salvador. Buscar a paz mental através da auto-compreensão e não pelo êxtase efêmero. O gozo é o nirvana dos tolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5° - Aprender a tocar violoncelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6° - Ser emocionalmente estável para evitar o risco de uma vida pouco prática, obsessões psicóticas e pensamentos suicidas. O padrão &lt;em&gt;ansiedade – depressão – ansiedade - euforia&lt;/em&gt; é desgastante demais. Adolescência já arruinada, evitar que isso se repita no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7° - Ter um gato chamado Lúcifer. A cor do pêlo não é importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8° - Contribuir socialmente de uma forma positiva para a raça humana. Não sei como. Talvez escrevendo um livro, uma matéria, pixando uma mensagem em um muro. Morrer sem ter a vergonha de ter sido um branco de classe média que não fez nada por ninguém, viveu uma vida mesquinha e ensinou aos seus filhos valores obscenos como a ganância, a ostentação e a indiferença. Foda-se a lei do mais forte. Se a selvageria é a solução, ao menos dissolvam a constituição e liberem a chacina de qualquer hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9° - Escrever um poema de amor que não seja brega, mentiroso ou que cause ânsia de vômitos, e efetivamente mostrá-lo para a pessoa que o inspirou, ao invés de guardá-lo na gaveta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10° - Ter uma casa no campo após a velhice. Ela deverá ter um grande pomar, um jardim para os meus netos brincarem, uma mangueira com um balanço (mangueiras são arvores grandes e fortes, boas para um balanço), dois ou três cachorros, uma varanda onde meus gatos possam dormir e eu possa passar as tardes tocando violão, bebendo cachaça e fumando haxixe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4736084335197935091?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4736084335197935091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4736084335197935091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4736084335197935091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4736084335197935091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/09/procrastinaes.html' title='Procrastinações'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4322371636449243419</id><published>2008-08-30T03:18:00.004-03:00</published><updated>2008-09-03T03:06:43.109-03:00</updated><title type='text'>O Equilibrista do Meio-Fio</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um desperdício de noite, uma chacina sem propósito... um maldito porre solitário e sem graça. Arrasto-me pela calçada como um verme e entro em uma garrafa de Velho Barreiro. No fundo dela encontro um sujeito de barba rala, cabelos sujos e olhos tão vermelhos quanto profundos. Ele me diz ser Gonzalo, filósofo do meio-fio, guardião da sarjeta e protetor de todos os fracassados. Um rapaz curioso, vocês devem conhecê-lo. Com minha língua dormente pergunto a ele por que eu sempre me sinto tão aconchegado caído em vias públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RESPOSTA DE GONZALO EM 429 CARACTERES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A posição básica da sarjeta, sentado no meio fio, pés no asfalto, coluna curvada, olhos baixos e braços apoiados sobre os joelhos, é uma postura naturalmente reflexiva. Este estado introspectivo, aditivado pelo álcool e pelo silêncio noturno da cidade, proporciona uma atmosfera favorável ao auto-questionamento. Eu diria que a sarjeta é a principal postura de meditação dos tempos modernos, a posição de lótus pós-industrial”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ao final desta análise esclarecedora, começo a me sentir um pouco claustrofóbico entre aquelas paredes de vidro. Escorrego para fora e deitado de barriga para cima encaro o céu roxo e sem estrelas. Sim meus amigos, uma noite trágica para a carreira deste pobre dipsomaníaco em treinamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus joelhos doem. Minhas roupas estão sujas. Estou emocionalmente fadigado. Mas ainda não é o bastante! MAIS! Continuo caminhando, sem destino certo, apreciando o frescor da noite, a incerteza de cada esquina. Relembro sabor do beijo, o cheiro do perfume... Eu gargalho, hahaha, triunfalmente. As minhas lembranças ninguém vai tomar nunca! Meu infinito intimo é intocável. Meu ímpeto é invencível. Minha imaginação projeta meus sonhos no asfalto e eu não tenho razão para me sentir sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último lugar que eu quero encontrar é a minha casa e a pálida e falsa versão de mim mesmo que lá habita, enjaulada, amaldiçoada pelo desperdício. Não, não, ainda não é hora para isso. Então eu caminho como um equilibrista na guia da calçada, um pé de cada vez, os braços abertos e oscilantes, os lábios rasgados em um sorriso infantil. Seria uma noite e tanto se tivesse alguém pra me ver aqui, no auge da forma, desafiando o bom senso, ignorando todos os sinais de alerta e de mau agouro. Garoa, cachaça e expectativas. É tudo que eu disponho enquanto sorrio de pé no meio fio. E se até o fim da noite a sarjeta voltar a me abraçar, não terá sido nenhum desperdício afinal.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4322371636449243419?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4322371636449243419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4322371636449243419' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4322371636449243419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4322371636449243419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/08/o-equilibrista-do-meio-fio.html' title='O Equilibrista do Meio-Fio'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7790644368737965112</id><published>2008-08-26T04:58:00.001-03:00</published><updated>2008-08-26T05:03:05.319-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos, Sonhos e Desperdícios</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O Enforcado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu abraço é a forca, é o desconforto que entrelaça. É o puro desespero, é o medo do abandono, o frio e silencioso aperto, o horror de não pertencer. Quando você desfaz o laço, eu caio sufocado e meu peito angustiado chora antes de esmorecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crisálidas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já tenho minha vingança planejada, uma carta amarga e mal escrita endereçada para a boca do seu desprezo. Nas poucas horas que nos separam, promessas dispostas e crisálidas formadas. Levanto meus punhos contra o céu e espero ansioso pelo nosso vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jorge&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jorge era um velho que ninguém suportava&lt;br /&gt;Um verdadeiro tédio, tudo ele odiava&lt;br /&gt;Uma tarde ele levou a mão ao coração&lt;br /&gt;“Ora vamos vovô tomar alguma medicação!”&lt;br /&gt;“Vão se foder!”, ele gritou sem nenhum pudor&lt;br /&gt;“Agora só por querer, vou tomar remédio à toa?”&lt;br /&gt;Assim ele ficou por alguns segundos&lt;br /&gt;Até cair morto sobre o chão imundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem feito velho, por que não escuta?&lt;br /&gt;Tomara que vá pro inferno&lt;br /&gt;Queime filho da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Retirado de um diário de sonhos. A data é de 30/04/2004, uma sexta-feira)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em uma ilha de concreto no meio do oceano. Era uma ilha pequena, e lá também estava um grande número de pessoas, todos jovens como eu. Eles formavam um circulo em volta de um grande cacto. Eu me mantinha afastado, olhando para o mar. Ouvi risos e me virei. Vi três meninas andando de braços dados, rindo histericamente. Uma delas se aproximou do cacto e o beijou. Sua boca começou a sangrar, ela desmaiou e começou a ter convulsões. Alguns se aproximaram para tentar ajudar. Da boca da garota jorrava sangue e de todo seu corpo brotavam bolhas que inchavam e estouravam de maneira grotesca. Um jovem segurava a cabeça dela e tentava acalmar os demais dizendo “Não há nada a se fazer! Temos que esperar!”. Eu dei as costas para aquela cena e voltei a observar o mar.   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7790644368737965112?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7790644368737965112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7790644368737965112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7790644368737965112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7790644368737965112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/08/fragmentos-sonhos-e-desperdcios.html' title='Fragmentos, Sonhos e Desperdícios'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5286272345402785638</id><published>2008-08-22T14:51:00.001-03:00</published><updated>2008-08-22T14:55:02.793-03:00</updated><title type='text'>Desarranjo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando a Moça despertou seu mundo era ordenado, subordinado a preocupações cotidianas, rituais inconscientes e gestos medidos. Desvencilhou-se dos últimos pensamentos desconexos de seus sonhos, abraçou a luz do quarto como uma porta para a realidade, conferiu no espelho se seu rosto ainda estava lá, ingeriu sua dose matinal de cafeína, projetou mentalmente o seu dia e observou as horas ao menos seis vezes antes de sair. Ao abrir a porta de sua casa se deparou diante de um estranho objeto, um erro de padrão, um elemento caótico na rotina que julgava previamente equacionada. Um buquê de rosas, deitado de maneira quase obscena no corredor. Esse imprevisto provocou uma breve supressão da respiração e um lapso na sua presente linha de raciocínio. Apanhou as flores e notou que havia um cartão. Talvez fosse a chance de esclarecer e reordenar toda a situação, mas o que ela leu naquele pedaço de papel foi:&lt;em&gt; “Ele mandou flores. O que você vai fazer a respeito?”&lt;/em&gt;. Aquilo não estava certo... Ela releu a mensagem inúmeras vezes para confirmar que não havia equívocos. Mas não, estava sempre lá, a escrita impiedosa que arruinou seu compasso e implodiu seus domínios. Havia inúmeras questões dentro daquela única interrogação. Talvez fosse pertinente saber quem havia mandando aquelas rosas, mas não era nisso em que a Moça pensava, embora não soubesse por que. Foi como se toda sua estrutura interna, seus valores e seu senso de realidade tivessem sido despedaçados por aquele ato singular. Suas idéias íntimas estavam completamente expostas e ela percebeu quão frágil elas eram. A sua manhã opaca havia sido tingida de vermelho e sua busca por tranqüilidade e paz mental havia sido ridiculamente arrasada. Tudo o que ela tinha agora eram questões sem respostas. Decifrar aquele enigma seria decifrar a si mesma, e isso seria uma tarefa penosa, torturante e nada prática. Mas agora era tarde, o trem havia descarrilado, suas emoções aflorado e seu mundo não era mais ordenado. Era sinuoso, pulsante e sublime. Era o sorriso em seu rosto, o mistério em seu olhar e o universo que se rearranjava ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5286272345402785638?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5286272345402785638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5286272345402785638' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5286272345402785638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5286272345402785638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/08/desarranjo.html' title='Desarranjo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1420840199859340568</id><published>2008-08-08T04:25:00.006-03:00</published><updated>2008-08-30T03:30:46.924-03:00</updated><title type='text'>Citações de um toxicomaníaco – Um breve passeio pela mente e mundo de Enrico Roccato</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;“A maior parte da bíblia foi escrita sob o efeito de drogas alucinógenas”,&lt;/em&gt; durante uma discussão teológica com dois missionários mórmons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Um dos grandes feitos do feminismo foi prover ao mundo uma mão-de-obra mais barata”,&lt;/em&gt; para uma lésbica em uma balada GLS, no que seria depois considerada a pior cantada da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O seu problema não é pensar demais com o pinto, é foder demais com a cabeça”,&lt;/em&gt; ao debochar da inerte vida sexual de seu amigo Gabriel Gabay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Psicanálise é a declaração da falência das relações humanas. Que porra de mundo é esse em que você tem que pagar alguém para te ouvir?”,&lt;/em&gt; aos 16 anos, para a diretora da escola, quando essa o informou que ele seria obrigado a passar por um tratamento psicológico após desmaiar bêbado durante um seminário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Quando meu pai abandou minha mãe, eu me perguntei como ele pode ter feito uma coisa dessas. Anos depois quando eu fugi de casa, me perguntei como ele pode agüentar tanto tempo”,&lt;/em&gt; sobre sua relação afetiva com sua progenitora, Estela Mantovani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Se trabalho fosse sagrado, Jesus nunca teria deixado de ser carpinteiro”,&lt;/em&gt; dando um xeque-mate em uma discussão com seu amigo Jorge Hércules, que insistia que ele deveria arrumar um emprego para dar sentido a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Porra Gabriel, não seja tão ansioso!”,&lt;/em&gt; repetida inúmeras vezes, em inúmeras ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A bebida foi a única coisa na minha vida que não me traiu”,&lt;/em&gt; em um de seus “momentos”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Já que as mulheres me intimidam, eu trato logo de estragar tudo no primeiro instante. Isso deixa tudo mais tranqüilo”,&lt;/em&gt; sobre suas táticas amorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Foi quando a cerveja parou de ser tão amarga”,&lt;/em&gt; ao ser perguntado qual tinha sido o melhor dia de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O problema de ser anarquista, comunista, essas coisas, é que você tem que estudar filosofia, ler livros, saber fazer analise social... Já para ser capitalista, basta ser um merda qualquer”,&lt;/em&gt; discorrendo sobre modelos sócio-econômicos em um bar de esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Você me devia ver sóbrio”,&lt;/em&gt; após ser elogiado por seu instrutor de direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Sexo é muito bom, amor é importante, o medo da morte é um fato, mas esses são aspectos passageiros, relacionadas a certas etapas da vida. A força matriz por trás de todas as ações é o tédio”,&lt;/em&gt; discursando sobre a natureza humana para um cão labrador chamado Duque, após uma noite “caótica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Vai se fuder mãe!”,&lt;/em&gt; ao sair de casa definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1420840199859340568?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1420840199859340568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1420840199859340568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1420840199859340568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1420840199859340568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/08/citaes-de-um-toxicomanaco-um-breve.html' title='Citações de um toxicomaníaco – Um breve passeio pela mente e mundo de Enrico Roccato'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1052862749746910418</id><published>2008-07-29T00:15:00.003-03:00</published><updated>2008-07-29T00:20:45.527-03:00</updated><title type='text'>Sobre Benzedeiras e Insônia</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sentado na cama do meu quarto&lt;br /&gt;Eu contemplo as manchas de mofo&lt;br /&gt;Da parede e pratico um exercício&lt;br /&gt;De higiene mental.&lt;br /&gt;Enumero os prós e contras das&lt;br /&gt;Minhas futuras pretensões&lt;br /&gt;E me pergunto sobre a utilidade&lt;br /&gt;Das rezas de uma benzedeira que&lt;br /&gt;Busquei para curar meus freqüentes&lt;br /&gt;Ataques de ansiedade. Ao julgar&lt;br /&gt;Pela minha insônia, tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As janelas e a porta estão fechadas&lt;br /&gt;Há tempo demais, e um odor desagradável&lt;br /&gt;Começa a inundar o recinto. Minha camisa&lt;br /&gt;Ainda está encharcada pelo suor de meu&lt;br /&gt;Último pesadelo. Admiro o brilho dos meus&lt;br /&gt;Coturnos recém engraxados e acaricio&lt;br /&gt;As feridas recentes em meu joelho. O corte&lt;br /&gt;Tem um peculiar formato em V e suponho&lt;br /&gt;Que devo ter caído em algum momento&lt;br /&gt;Enquanto embriagado. Foram muitos&lt;br /&gt;Momentos assim nos últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo uma folha amarelada caída&lt;br /&gt;Próxima a minha cama. Nela está&lt;br /&gt;Escrito a mão um poema auto-depreciativo&lt;br /&gt;Que não me lembro de ter rabiscado.&lt;br /&gt;Entretanto a letra é claramente a minha.&lt;br /&gt;Leio com indiferença sentimental, mas me agrada&lt;br /&gt;O ritmo das palavras. É só o que importa, um&lt;br /&gt;Poema é apenas uma emoção morta e mumificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gatos começam a miar a minha porta&lt;br /&gt;Despertando uma estranha noção de isolamento&lt;br /&gt;Em mim, trancado neste quarto. Um pernilongo&lt;br /&gt;Começa a zumbir próximo ao meu ouvido.&lt;br /&gt;Mantenho me parado e decido oferecer ao&lt;br /&gt;Inseto uma escolha. Abro a janela e o Sol&lt;br /&gt;Da manhã fere meus olhos. Observo e espero&lt;br /&gt;Se o pernilongo irá partir ou tentará me picar.&lt;br /&gt;Ele escolhe a minha carne, espero a picada e&lt;br /&gt;Esmago a criatura sem prazer ou remorso.&lt;br /&gt;Observo a mancha de sangue, do sangue que já&lt;br /&gt;Foi meu e penso sobre verdades inconvenientes,&lt;br /&gt;Lembranças incômodas que retornam mais fortes&lt;br /&gt;Toda vez que tento evitá-las. Penso que eu também&lt;br /&gt;Tive uma escolha e decidi ser esmagado, com meus&lt;br /&gt;Lábios encharcados de sangue. Agarrado ao meu &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anseio Insaciável, trancado aqui, penso sobre &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Benzedeiras e insônia, antes de caminhar para &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fora em busca de vento fresco e da placidez&lt;br /&gt;Do meu quintal.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1052862749746910418?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1052862749746910418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1052862749746910418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1052862749746910418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1052862749746910418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/07/sobre-benzedeiras-e-insnia.html' title='Sobre Benzedeiras e Insônia'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7587383097128828196</id><published>2008-07-28T06:06:00.000-03:00</published><updated>2008-07-28T06:07:41.500-03:00</updated><title type='text'>Lixo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estou no alto de uma colina, observando a imensidão de um vale. Um depósito de lixo absurdamente vasto. A obra-prima da civilização humana, o mar onde os excessos desembocam, uma hemorragia na Terra causada por 10 mil anos de depravação e loucura. O céu tem uma coloração rubra crepuscular, e em meio aos detritos eu noto que há pessoas caminhando. Desço a colina aos tropeços, pisando sobre seringas, comida estragada, plástico retorcido... as soluções definitivas do passado, os brinquedos preferidos de outrora. Adornos do orgulho distorcido e ansioso, imperiosos e descartáveis. Vejo pessoas vasculhando o lixo, lambendo as sobras, sustentadas pelo o excremento do mundo que os rejeitou. Seres humanos... descartáveis. Escorrego sobre o lixo, meus joelhos sangram. Uma criança chora e a outra olha para um ponto indefinido, com o desalento de quem teve que aceitar o absurdo da existência cedo demais estampado em seu rosto. Mães e irmãs investigam os detritos em busca de comida, sucatas aproveitáveis, trinta segundos de paz. Nos olhos o sentido mais primitivo de auto-preservação, sem traços de vergonha ou ego ferido. O orgulho é uma mera invenção de uma civilização fetichista de que elas não fazem parte. Sinto um arrepio percorrer toda a minha coluna. Um frio intenso, interno, me envolve de assalto. Ouço um sussurro, meu nome... Olho para o lado e vejo o Estranho. Ele é muito alto, muito magro, veste farrapos negros, os cabelos são sujos e seus olhos... seus olhos são vazios, apenas duas órbitas obscuras. E esses olhos se encontram com os meus e mostram a verdade. Meus fracassos pessoais e os fracassos da humanidade, uma única visão, turva, distorcida, mas clara e lacerante. Em seus olhos meus ideais natimortos, as boas intenções inúteis, minha vaidade devassa, uma coleção de paixões febris e efêmeras, minha busca infantil e descompromissada por uma resposta que não existe... minhas mãos sujas de sangue inocente de populações massacradas, vidas mutiladas pela minha estupidez diária de fechar os olhos e não dar um fim a isso tudo. Eu suplico ao Estranho que pare, mas ele não me abandonará, não antes que eu compreenda o fracasso e invalidez deste longo e criminoso processo de civilização, da torturante verdade por trás da experiência humana. Não há conforto, não há redenção. A ingenuidade é um pecado sem perdão. Eu sou o culpado, eu sou a inanição, eu sou a indiferença, eu sou a certeza da derrota. Sou eu quem se ajoelha sobre as carcaças e reza pela própria alma, sem perceber a brutalidade deste ato. E diante da miséria do meu espírito, o Estranho me liberta e eu faço esforço em busca de ar. Sinto nojo de mim, me sinto indigno de deitar sobre o lixo.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7587383097128828196?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7587383097128828196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7587383097128828196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7587383097128828196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7587383097128828196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/07/lixo.html' title='Lixo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-776250594037524196</id><published>2008-07-21T19:20:00.000-03:00</published><updated>2008-07-21T19:22:14.706-03:00</updated><title type='text'>O Canto da Castidade – Ato Único</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Eu era um rapaz saudável&lt;br /&gt;E casto. Vivia em uma bolha&lt;br /&gt;E mamãe me amava. Até que&lt;br /&gt;Em um outono conheci os&lt;br /&gt;Seus lábios. Agora desmaio em&lt;br /&gt;Banheiros de locais depravados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORO&lt;br /&gt;O amor o deixou insano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Não mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CORO&lt;br /&gt;O amor o deixou insano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Eu não lembro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Eu era uma dama virginal&lt;br /&gt;E delicada. Quando um homem&lt;br /&gt;Surgia, eu logo corava. Até que&lt;br /&gt;Em uma primavera eu conheci&lt;br /&gt;Esse fardo. Agora desperto em&lt;br /&gt;Tavernas e não sei quem está em meus braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORO&lt;br /&gt;O amor a alucinou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Isso não é amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORO&lt;br /&gt;O amor a alucinou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Não, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;O absinto me enerva e só faço&lt;br /&gt;Bobagens. Pego doenças venéreas&lt;br /&gt;E faço promessas desagradáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Não me recordo dos seus galanteios,&lt;br /&gt;Temo por sua aparência e te amaldiçôo&lt;br /&gt;Se grávida. Não quero saber de&lt;br /&gt;Promessas, a mim você não é&lt;br /&gt;Mais que um pedaço de carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Quantas sutilezas! Pouco me importa&lt;br /&gt;Como me trata! Entre você e “aquelas”&lt;br /&gt;A diferença é que você é de graça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORO&lt;br /&gt;O amor os deixou insanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Ah, esqueça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CORO&lt;br /&gt;O amor os deixou insanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Oh, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CORO&lt;br /&gt;O amor os deixou insanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MOÇA&lt;br /&gt;Por que não me deixa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CORO&lt;br /&gt;O amor os deixou insanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TOLO&lt;br /&gt;Não, dessa vez não!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-776250594037524196?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/776250594037524196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=776250594037524196' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/776250594037524196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/776250594037524196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/07/o-canto-da-castidade-ato-nico.html' title='O Canto da Castidade – Ato Único'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6520660848303004422</id><published>2008-07-16T00:55:00.001-03:00</published><updated>2008-07-19T13:31:38.018-03:00</updated><title type='text'>Projeto Manhattan</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No centro do fracasso da sua utopia,&lt;br /&gt;Escravos escrevem poemas&lt;br /&gt;Em cemitérios de alegorias&lt;br /&gt;Meu coração envenenado&lt;br /&gt;Pulsa firme apesar dos edemas&lt;br /&gt;Apesar das mentiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo o nome dela em minha carne&lt;br /&gt;Feridas são flores escarlates&lt;br /&gt;Que dou para provar meu amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carcaças podres de um futuro abisso&lt;br /&gt;Acumulam-se no deserto venéfico&lt;br /&gt;Sobre a gênese de uma tribo&lt;br /&gt;Meu corpo incinerado&lt;br /&gt;Pelo fogo bélico&lt;br /&gt;Ainda é vivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo uma mecha de seu cabelo perfumado&lt;br /&gt;Um amuleto em meu peito despedaçado&lt;br /&gt;Que guardo para conservar seu calor&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6520660848303004422?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6520660848303004422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6520660848303004422' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6520660848303004422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6520660848303004422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/07/projeto-manhattan.html' title='Projeto Manhattan'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2469651405818131574</id><published>2008-07-10T20:57:00.003-03:00</published><updated>2008-07-13T14:26:45.487-03:00</updated><title type='text'>Samsara</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Quando foi que as expectativas ficaram tão baixas?”, eu perguntei, acariciando a areia morna. “São ciclos, Gabriel, ciclos”, me respondeu Enrico, enquanto cavava. “No momento, após uma grande seqüência de fracassos, nós estamos num ponto bem baixo. Mas logo, teremos novas coisas em vista no horizonte, novos anseios, entende? Então, a porra da roda gigante da vida começará a girar, e nós voltaremos a estar no topo e... voltaremos a descer miseravelmente. Bom, mas pelo menos vamos nos divertir no caminho”. Tomei um gole da mistura quente de pinga com guaraná e meditei sobre aquelas palavras, sem dar muita atenção à areia que invariavelmente me atingia. “Pronto”, suspirou Enrico. “Me dá o gato”. Levantei-me e peguei o pequeno cadáver. O coloquei dentro da cova e Enrico o cobriu. Era tarde da noite, estávamos perto da luz de uma fogueira onde um bando de hippies se reunia. O som do violão fazia parte agora de nossos ritos fúnebres. Enrico colocou uma grande pedra sobre a cova, limpou a garganta e começou o discurso. “Diarréia. Você veio ao nosso acampamento como um gato cinza, sarnento e doentio. Vi em seus olhos sujos um pedido de piedade. Nós lhe demos água, comida e atenção. Aí você vomitou no chinelo de Gabriel, o que alegrou muito o nosso dia. E foi assim que você ganhou o seu nome, Diarréia. Quando retornamos da praia, você estava morto”. Tomei mais um gole e passei a garrafa plástica para o nosso orador. “Acredito que você tenha sido um bom gato e tenha aproveitado bem a sua vida livre e simples aqui na praia. Subindo em árvores, fugindo de cães, sendo alimentado por turistas e pescadores... essas coisas de gato. Você poderia ter sido um animal gordo, mimado e castrado da cidade, mas teve o destino de viver como um selvagem, como seus ancestrais e eu te saúdo por isso. A você Diarréia!”, brindou Enrico. Aquilo me pareceu apropriado. “Fale alguma coisa você, vocês tinham uma relação estreita”, me pediu Enrico. Sem questionar comecei. “Diarréia... nós podíamos ser de espécies diferentes, mas nós tínhamos muito mais em comum do que parecia. Você, assim como a areia que te envolve, a pedra de sua tumba, o mar e todos nós que aqui vivemos, somos todos parte do mesmo todo...” Eu sentia minha boca ficar mais mole a cada palavra que eu dizia e a cada gole que eu tomava. Não me responsabilizo por mais nada que vem a seguir. “No inicio dos tempos, toda a matéria prima do universo estava condensada em um único átomo, que se expandiu sem parar, criando o cosmos como hoje ele é. Tudo que existe, portanto, está ligado quimicamente, pois todos nós fomos um só na origem. Somos feitos do mesmo pó que formou as estrelas, planetas e coisas infinitamente maiores do que eu e você...”, parei para tomar fôlego e notei que Enrico fitava gravemente o oceano. “Nós, animais estúpidos desta terra, não percebemos a singularidade de nossa existência, essa nossa ligação. Estamos cegos por nossas vaidades, nossa ganância e nosso orgulho. Buscamos respostas nos lugares errados e só damos continuidade a um ciclo interminável de miséria. Você também nunca percebeu isso, pois sempre foi um escravo da própria fome, e sua única preocupação era se manter vivo por mais um dia. Eu não sou diferente. A minha vida inteira persegui bobagens, pistas falsas e caminhos enganosos que me afastaram do que realmente é importante. Eu vivo frustrado, assim como você vivia faminto, pois nada é capaz de satisfazer, nada disso...”, nesse momento noto que o violão silenciou e alguns hippies escutam com atenção o meu discurso. “... nada pode nos fazer sentir menos sós, pois somos apenas fragmentos daquele átomo primordial, eternamente separados após a grande explosão. Só quando entendermos que nossa individualidade é uma mera ilusão, que nossa cobiça leva apenas a um ciclo interminável de fracassos, decepções e angustias, é que poderemos ver com clareza, juntar as peças de desse enorme quebra-cabeça e novamente voltar a ser um apenas”. Terminei de falar e senti uma leve tontura. A praia parecia tomada por uma névoa e minha cabeça parecia dominada por um zumbido. “Nossa cara, que viagem!”, disse um dos hippies, e os outros concordaram e iniciaram uma discussão filosófica sobre energias cósmicas e místicas. Eu não tinha tentado ser profundo ou profético, eu era apenas um bêbado sensibilizado pela morte de um gato vadio. Além disso, tinha visto recentemente um documentário sobre o Big Bang que tinha me deixado um pouco impressionado. Enrico acenou com a garrafa, olhou para as estrelas e gargalhou. Olhei para a tumba de Diarréia e depois para os meus pés. Conclui que toda vez que olhasse para um par de chinelos, iria sorrir e lembrar dele.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2469651405818131574?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2469651405818131574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2469651405818131574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2469651405818131574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2469651405818131574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/07/samsara.html' title='Samsara'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4652535027879564277</id><published>2008-06-18T05:26:00.005-03:00</published><updated>2008-07-16T00:09:37.333-03:00</updated><title type='text'>“O tédio é um crime contra os desocupados”</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Despertando (o lado negativo) – Meio da tarde&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo! Olhe só essas olheiras! Porra, tudo que eu fiz nas últimas semanas foi dormir umas oito horas, acordar, reclamar do frio e voltar a dormir por mais umas duas horas. Adiando compromissos, ignorando ligações, conversando com meus gatos... é um fato cientifico comprovado, se você passa a maior parte de seu tempo de moletom, você só pode ser um perdedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revigorando-se – Inicio da noite&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estômago cheio, cabeça vazia. Lobotomia via tv a cabo. Modernas formas de meditação, padrões monótonos de sons e imagens sobrecarregam e sabotam meu senso de julgamento. Na cozinha outro televisor ligado, a falácia obscena do telejornal se funde ao chiado da frigideira. Meus sentidos super-excitados ocultam minha ansiedade e um sorriso débil deforma meu rosto. Orgasmo digital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tratado sobre o álcool – Meio da noite&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais nenhuma idéia ingênua sobre o uso de entorpecentes. Passei um bom tempo tentando justificar o seu uso por razões políticas, intelectuais ou místicas, mas isso é papo furado. Eu fico bêbado por que me sinto desconfortável sóbrio. Completamente alienado de tudo que me cerca, incapaz de tomar parte em uma atividade social prática, por que nada que está fora da minha cabeça me interessa. Quando chapado me sinto absorvido pelo ambiente em que estou, me sinto parte do quadro. É como se minha mente me trancasse para fora e me obrigasse a brincar com as outras crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Existencialismo juvenil (Idealismo morto?) – Final da noite&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca me senti tão desmotivado. Sempre soube que não poderia tomar parte de uma vida estável, comum e enfadonha. Empregos regulares não me atraíam, por isso quis virar jornalista. Que piada... essa deve ser a carreira mais corrupta, mentirosa e mecânica que existe. Tudo que você pode ser é uma engrenagem de uma máquina de propaganda regida por interesses corporativos. Eu sempre soube disso, mas pensava que havia alternativas, mas elas não existem, pois essa máquina engloba todo o sistema sócio-econômico em que vivemos e fugir disso te reduziria a um marginal. Eu não quero ser um ermitão alucinado berrando para o nada profecias apocalípticas. Eu quero fazer parte de algo real, mas acredito cada vez menos que isso possa existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alívio onírico – Aurora&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há nada que possa acontecer amanhã que possa satisfazer meu anseio acumulado nas últimas semanas. Não há nada que eu possa escrever que seja tão forte quantas as inúmeras folhas em branco com que me deparei nas últimas noites. O mundo parece oco e o silêncio da madrugada torna tudo mais absurdo. Assisto o Sol nascer e me reconforto com minha insignificância. Memórias desbotadas surgem em sonhos onde não posso reprimir meus desejos. Que o mundo se reduzisse a isso... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4652535027879564277?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4652535027879564277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4652535027879564277' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4652535027879564277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4652535027879564277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/06/o-tdio-um-crime-contra-os-desocupados.html' title='“O tédio é um crime contra os desocupados”'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5252457813044317942</id><published>2008-06-02T15:06:00.003-03:00</published><updated>2008-06-02T15:12:24.374-03:00</updated><title type='text'>Tácita</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que traz o silêncio além de desespero&lt;br /&gt;Quando seu ímpeto é regido pelo medo?&lt;br /&gt;Anestesiado pelo mais amargo dos venenos&lt;br /&gt;Contemplo o desperdício de um íntimo desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sonho morto nos conduz por avenidas&lt;br /&gt;Dedos entrelaçados, língua contra língua&lt;br /&gt;Levo meus lábios ao encontro das feridas&lt;br /&gt;E o choque da verdade fere minhas retinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens sacras me atormentam em um delírio&lt;br /&gt;Anjos e mártires sangram sem nenhum motivo&lt;br /&gt;O Caído me fala através de palavras e espinhos&lt;br /&gt;O sacrifício é consagrado com um cálice de vinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som da manhã inspira algumas mentiras&lt;br /&gt;A angustia cálida é devidamente entorpecida&lt;br /&gt;Crianças pálidas aguardam uma lua enfurecida&lt;br /&gt;A paixão amarga de fazer a vida tão mesquinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“São oito e quarenta da manhã, domingo, estou desperto. Mais um dia sem motivo, meu estômago dói e minha cabeça quer morrer. Eu preciso de um exílio, estou fugindo de mim mesmo. As semanas se desperdiçam, todas iguais, inicio e fim, nada além. Talvez eu encontre um amigo e ele me diga que sente o mesmo. E me mostre o sentido por traz de cada verso, de cada sentença. Talvez o fracasso me faça ver que uma vez rendido não há nada a se perder. Nunca mais me procure novamente, o meu silêncio não precisa de você. Nunca mais me procure novamente, o meu delírio não foi feito para te dizer... Encontre o seu próprio medo e se afaste”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5252457813044317942?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5252457813044317942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5252457813044317942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5252457813044317942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5252457813044317942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/06/tcita.html' title='Tácita'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8155821831046851944</id><published>2008-05-14T02:36:00.002-03:00</published><updated>2008-05-14T02:40:16.592-03:00</updated><title type='text'>21</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meus olhos se abriram no meio da madrugada e se chocaram contra a luz vermelha do relógio digital: “5:21”. Fixei no número 21 por um longo minuto e me senti incomodado. Nunca me importei com números, para mim não significam nada. Mas quando completei 21 anos foi diferente, esse número veio carregado de um significado importante para mim. Ele me remete as partidas de 21 que jogava na casa de meus avós, quando tinha 10, 11 anos. Eu gostava de me sentar na cabeceira da mesa, de frente ao meu avô e observá-lo, bebendo seu café preto e forte, amaldiçoando sua má sorte no jogo e rindo silenciosamente das bobagens dos seus netos e filhos. Nascido em 21 de abril de 1921. Taurino, como eu. Gosto de pensar que de todos os netos, eu sou o mais parecido com ele. Alto, magro, silencioso. Havia uma áurea calma nele, uma complacência que jamais vi em outra pessoa. Mas dento de seu peito ardia uma inquietude, eu sei, assim como arde em mim. Naquela figura esguia que se sentava de maneira desleixada, ainda havia o charme boêmio de sua juventude, regada a álcool, cigarros e a música de Nelson Gonçalves, quando freqüentava prostíbulos com uma arma na cintura e um sorriso de deboche na boca. Tocava violão e acordeão até que um derrame limitou os movimentos de um de seus braços. Sobrou-lhe a gaita, que tocava com um dom natural inexplicável de um sujeito que estudou até o primário e nunca soube o que era uma partitura. Sua vontade de viver não o deixava parado nunca. Não morava na mesma casa muito tempo, abria o próprio negócio no interior, vinha para São Paulo e se arranjava como segurança. Aposentou-se, voltou para sua terra, comprou um sítio, uma casa. Nem mesmo a doença conseguiu o derrotar. Após o derrame, se recusou ficar na cama e voltou, na marra, a andar. Às vezes me surpreendia o vendo pelas ruas, carregando um pesado carrinho de feira, brincando com cães vagabundos e recolhendo qualquer tábua de madeira que encontrasse, para em casa brincar de marceneiro. Ficava fascinado o vendo trabalhar e com os brinquedos que ele fazia para mim. Tão calmo, tão inquieto, só não conseguiu mesmo derrotar o cigarro. Sentei-me na cama. Entendi por que me sentia tão estranho. Há exatos três anos, numa sexta-feira 13 de maio, cinco dias após eu completar 18 anos, meu avô morria, vítima de um enfisema pulmonar. A última coisa que ele fez foi derrotar minha avó numa partida de 21. Estava encerrada uma vida simples, mas nada medíocre. Peguei a gaita que um dia foi dele e hoje guardo comigo. Tentei tocar algo, mas nada saiu, este talento não herdei. Visualizo aquele homem alto e magro, frágil e invencível, e me pergunto se um dia serei parecido com ele. Estou tentando há 21 anos&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8155821831046851944?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8155821831046851944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8155821831046851944' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8155821831046851944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8155821831046851944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/05/21.html' title='21'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-5955495623017831004</id><published>2008-05-07T04:08:00.006-03:00</published><updated>2008-06-05T03:23:07.802-03:00</updated><title type='text'>Esqueça</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Eu sou o pior no que faço de melhor”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Olhei para a folha e senti nojo. Nojo dos meus garranchos, da minha breguice exposta naquela confissão pobre e sem estilo. Onde eu quero chegar com essa merda? Eu deveria escrever com meu sangue, exorcizar meus traumas, vomitar minhas vísceras sem nenhum pudor e criar um monstro a minha imagem e semelhança, meu medo de viver traduzido para o português. Mas ao invés disso, o que eu venho fazendo? Escrevendo futilidades para impressionar menininhas. E eu garanto, ninguém ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Mas ele não sabe o que isso significa”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Comprou uma jaqueta militar, costurou uma faixa vermelha no braço esquerdo. Deixou o cabelo crescer, vestiu coturnos. Decorou citações de filósofos, discutiu em bares, cuspiu na Veja. Mas as crianças continuaram a morrer de fome, a reforma agrária não foi para frente e os sem-tetos foram despejados. Olhou no espelho. Lá estava eu, o grande clichê, o grande inerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Como uma velha memória”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu com ela? Quantas manhãs eu despertei ansiando apenas por vê-la, beijar seu rosto e decorar seu perfume? Por quantas tardes eu delirei por caminhar ao seu lado, regozijando o silêncio suave que nos separava? Por quantas madrugadas eu adormeci visualizando seu rosto no escuro, desejando seu corpo contra o meu, agonizando por saber que nunca a teria? E agora ela me aparece, sem graça, sem perfume, vulgar como uma qualquer. Seus lábios, seus cabelos, seu fogo, ela era imagem de meus sonhos. O que restou agora? Antes eu nunca mais a tivesse visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Não me importo se eu não tenho uma mente”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A vida vem se passando com freqüência em banheiros alheios, cheiro de vomito e mijo, cabeça latejante, algum amigo esmurrando na porta me perguntando se eu estou vivo. Me pergunto se estou perdendo alguma coisa aqui. Lobotomias temporárias, é isso que todo mundo quer afinal. Reduzido ao estado primordial, onde só fome, sono e tesão fazem sentido. Qualquer outro pensamento é complexo demais, impossível de ser elaborado. Sensações, só isso me importa. A névoa branca de embriaguez me liberta responsabilidade de ser. Sim amigo, ainda estou vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Talvez eu seja culpado de tudo que venho ouvindo... mas não tenho certeza”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Reflita por um instante sobre toda a sua vida. Pense nos padrões, nos erros que se repetem, nas mentiras que permanecem em pé. Olhe para seu rosto no espelho e finja que está diante de um estranho e diga tudo que ele mereça ouvir. Diga que ele é um imaturo narcisista, incapaz de confiar em alguém, que está tão amedrontado com a possibilidade de desperdiçar a vida que não consegue encará-la como um adulto. Diga que a sua timidez é um embuste de uma criança mimada, um ser negativo que só quer receber sem dar nada em troca. Será que isso basta? Não, é obvio que há muito mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Eu juro que venho sendo verdadeiro”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Delírios, mitos, fetiches, é disso que sou feito afinal. Não tem nada errado em interpretar um papel a vida inteira, especialmente quando ninguém está olhando. Na verdade, é impossível fazer diferente. Experimente não fingir ou apenas imagine. O que isso seria? Um psicopata? Uma criança? Não, isso não funciona. Não venha me dizer que eu estou mentindo, não me acuse de não ser autentico. Isso só faz de você um hipócrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Só por que você está paranóico, não significa que eles não estejam atrás de você”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sussurros, sussurrando por todos os cantos. Ela, ele, ela e mais aquela, cochichando, ignorando, distraindo-me como uma criança fútil. Ok, ok, vocês venceram víboras. Vou para casa praticar minha expressão de desdém, desarmar minha metralhadora espiritual, me chafurdar na minha inocência. Tem álcool e maconha o bastante para acalmar meu ímpeto. Pela manhã terei éter e estimulantes o bastante para eu me tornar outra pessoa. Ai vocês e seus sussurros serão tão irrelevantes quanto merecem ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Eu não me importo com que você pensa, a não ser que seja sobre mim”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O amor nunca foi um sentimento altruísta para você, não é mesmo? Ao contrario, é a necessidade que você tem de ser aceito, idolatrado e deusificado por essa merda ai que você é. Culpa da mamãe que te mimou demais. Agora você espera que o mundo te trate do mesmo jeito e esse é o seu grande problema, quando você percebe que nem todo mundo te acha uma graça. Ai você se esconde num canto, se contorce em fúria juvenil e se sente inseguro. Escreve um texto depressivo em seu blog, espera que alguém lhe de atenção. E quando alguém dá, começa tudo de novo. Até onde você acha que vai com isso, gracinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Não me diga o que eu quero ouvir”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que é pior do que ser subestimado? O que é pior do que uma falsa caricia, uma mentira doce, um beijo amargo? O que é pior do que um fracasso que recebe adornos para se parecer um triunfo, como uma velha que tenta esconder sua feiúra por trás da maquiagem? As minhas lágrimas não me envergonham, o que eu não quero é sorrir sem alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Antes morto do que legal”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem nada que eles possam me oferecer, nada de atraente. O destino deles é fracassar. Caminho sozinho por esses corredores frios, por este galpão estúpido e conto as horas para o fim do dia, os dias para o fim do ano e os anos para o fim dessa merda. Eles me chamam de morto, riem do meu silencio, zombam do meu desinteresse. A vida chegou ao auge cedo demais para esses coitados que mal sabem aonde pisam. Mas eu sou diferente e minha arrogância me mantém vivo, aquecido e cheio de esperanças. Para mim, uma passagem pelo inferno que irá me fortalecer. Para eles, o mais próximo do paraíso que jamais irão chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“O que diabos eu estou tentando dizer?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um grito no meio da noite seria mais eficiente. Seria um alivio grande despertar meus vizinhos com um brado de medo e ódio, um grunhido selvagem, uma expressão honesta do que eu estou sentindo. O que eu vou ganhar me expondo aqui, nessas linhas estúpidas e mentirosas? Quem é que se importa com que se passou pela minha cabeça em uma noite de insônia? Amanhã de manhã sequer vou me lembrar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Algo no caminho”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resisti até o final e senti um orgulho tão ingênuo, algo que não vivia desde a infância. Um triunfo afinal, um anseio a menos para carregar. São dias tão cansativos como esse que tornam o sono tão recompensador. Os sonhos vêm e não são tão doces quanto o seu abraço. Eles me esperam em algum bar e o som dos risos fica mais alto. Não tenho mais por que fingir ser o homem que ninguém quer ser. Estou em paz e não me importo se tem alguém mentindo. O que eu sinto é real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-5955495623017831004?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/5955495623017831004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=5955495623017831004' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5955495623017831004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/5955495623017831004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/05/esquea.html' title='Esqueça'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8159269183751339337</id><published>2008-04-30T00:55:00.003-03:00</published><updated>2008-04-30T00:58:26.319-03:00</updated><title type='text'>Esplendor</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A cegueira rege seu perdão&lt;br /&gt;E as crianças conhecem o refrão&lt;br /&gt;Desprezo é o veneno mais barato&lt;br /&gt;Sufocado na agonia do orgasmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo pulsa, a parede vibra&lt;br /&gt;A corporação me usa na chacina&lt;br /&gt;O dia inteiro eu sinto a fúria&lt;br /&gt;Convulsão no gueto e eu tenho culpa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria pesa em seus braços&lt;br /&gt;É sangue que tenho em meus lábios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca confie na piedade&lt;br /&gt;Daqueles que cuspiram em sua face&lt;br /&gt;A cidade transpira em um dia quente&lt;br /&gt;O odor de morte me faz doente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a repulsa, toda a verdade&lt;br /&gt;Está nas ruas, está na carne&lt;br /&gt;Tudo perfeito, além do medo&lt;br /&gt;Atrás do espelho de vidro negro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria pesa em seus braços&lt;br /&gt;É sangue que tenho em meus lábios&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8159269183751339337?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8159269183751339337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8159269183751339337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8159269183751339337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8159269183751339337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/04/esplendor.html' title='Esplendor'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3968649628214643253</id><published>2008-04-21T16:52:00.004-03:00</published><updated>2008-04-21T16:58:34.574-03:00</updated><title type='text'>Vanitas vanitatum, et omnia vanitas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Descreva o seu tédio logo, antes que eu adormeça”, ele disse com a boca torta e seu ar pedante. Que grande idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anjos apareceram em um sonho e anunciaram a grande mudança. Foi com grande decepção que despertou e viu que ainda era o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela tinha 13 anos, gostava de se vestir como uma striper e dançar na frente do espelho. Depois tirava tudo e chorava antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aluno, incapaz de tocar aquela canção, se enfureceu e destruiu seu violino. Sentiu-se patético quando notou que seu fracasso ainda estava intacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As mulheres preferem homens idiotas”, ele disse a si mesmo a caminho de casa. Não tinha ninguém lá quando ele chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um bilhete suicida dos mais intensos. Descrevia minuciosamente seus conflitos, seus impasses e suas falhas. Ficou tão fadigado ao escrever que acabou desistindo de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo confiou um segredo a outro. No final não havia mais segredos ou amigos. Até eu fiquei sabendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um daqueles questionários de revista. Os sintomas de ansiedade são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. fadiga,&lt;br /&gt;2. insônia,&lt;br /&gt;3. falta de ar ou sensação de sufoco,&lt;br /&gt;4. picadas nas mãos e nos pés,&lt;br /&gt;5. confusão,&lt;br /&gt;6. instabilidade ou sensações de desmaio,&lt;br /&gt;7. dores no peito e palpitações,&lt;br /&gt;8. suores, arrepios,&lt;br /&gt;9. boca seca,&lt;br /&gt;10. tremores incontroláveis,&lt;br /&gt;11. tensão muscular,&lt;br /&gt;12. necessidade urgente de defecar e urinar,&lt;br /&gt;13. dificuldade em engolir,&lt;br /&gt;14. sensação de nó na garganta,&lt;br /&gt;15. dificuldade para relaxar,&lt;br /&gt;16. dificuldade em dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Merda! Só 50%! Já foi uma grande decepção saber que eu não era autista!”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3968649628214643253?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3968649628214643253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3968649628214643253' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3968649628214643253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3968649628214643253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/04/vanitas-vanitatum-et-omnia-vanitas.html' title='Vanitas vanitatum, et omnia vanitas'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4084742132712428231</id><published>2008-04-14T00:45:00.001-03:00</published><updated>2008-04-14T14:47:33.766-03:00</updated><title type='text'>Quimera</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gabriel está na avenida&lt;br /&gt;12 notas em seu bolso&lt;br /&gt;2 ligações não atendidas&lt;br /&gt;E uma marca em seu pescoço&lt;br /&gt;Ignorando as ameaças&lt;br /&gt;E os pedidos de socorro&lt;br /&gt;Começa a madrugada&lt;br /&gt;E a caçada ao tesouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não espero me encontrar&lt;br /&gt;Eu não espero encontrar com Deus&lt;br /&gt;Eu só quero escutar&lt;br /&gt;O que as mulheres têm a me dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma caixa de cigarros&lt;br /&gt;Munição para noite inteira&lt;br /&gt;Abandonados ao acaso&lt;br /&gt;7 casas de incerteza&lt;br /&gt;Se enrosca em seu cabelo&lt;br /&gt;E diz: “Aqui não é o seu lugar”&lt;br /&gt;E diz qual é seu preço&lt;br /&gt;Mas seu perfume é tão vulgar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vim aqui para me explicar&lt;br /&gt;Eu não vim aqui para me render&lt;br /&gt;Eu só quero escutar&lt;br /&gt;O que as mulheres têm a me dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bolinando alguém na pista&lt;br /&gt;Entre fumaça, música e couro&lt;br /&gt;Ferindo o que resta da vista&lt;br /&gt;Acariciando o que resta do corpo&lt;br /&gt;A noite agora está acabada&lt;br /&gt;Não há tempo para outro furto&lt;br /&gt;Não há tempo para mais nada&lt;br /&gt;Não há passado, não há futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não preciso implorar&lt;br /&gt;Eu não preciso entender&lt;br /&gt;Eu só quero escutar&lt;br /&gt;O que as mulheres têm a me dizer&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4084742132712428231?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4084742132712428231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4084742132712428231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4084742132712428231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4084742132712428231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/04/quimera.html' title='Quimera'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1389875467162556000</id><published>2008-04-12T19:52:00.003-03:00</published><updated>2008-07-22T03:00:05.925-03:00</updated><title type='text'>Embustes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cruzando ruas obscuras, iluminadas pelo néon vermelho e vulgar dos prostíbulos, eu não encontro nada além de algumas horas de anestesia. Daqui algumas horas, no escuro gélido do meu quarto, o fluxo de consciência irá renascer na minha mente ébria e dúvidas cruciais mais uma vez irão me abalar. Durmo envolvido em meus próprios braços, não por falta de calor humano, mas por que assim é mais fácil ouvir meu coração bater. “Estou aqui”, eu digo a mim mesmo, e logo a sentença se torna uma questão. Eu desperto e me pergunto qual meu propósito neste dia. Eu desperto e me pergunto qual meu propósito nesta vida. Nas ruas as pessoas caminham tão solitárias quanto eu, todas elas. Em cada intimo um grito desesperado sibila durante a noite, clamando por respostas que nunca virão ou pelo silêncio das perguntas impiedosas...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eram nove da manhã de uma quinta e Enrico estava completamente bêbado. Andava bêbado e drogado quase o tempo todo desde que recebera sua herança. O auge tinha chegado cedo demais para ele. Seu problema crônico de falta de dinheiro sempre o manteve sóbrio pelo menos quatro dias por semana. Agora parecia um dandy decadente, com barriga de cerveja e olhos vermelhos. O raciocínio estava lento, e às vezes ele se tornava incomunicável. Ele tinha toda munição que precisava para seu projeto de autodestruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando eu era criança, costuma construir túneis com caixas de papelão. Colocava meu capacete de soldado, pegava minha metralhadora de plástico vermelho e fingia que estava em um bunker, enquanto o mundo lá fora era destruído por uma guerra atômica. Ficava deitado lá por horas, encarando as paredes de papelão e ouvindo os sons do meu quintal. Pensava sobre tudo lá dentro e a cada vez que deixava o abrigo sentia-me menos conectado com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estávamos caminhando no parque quando vimos um garoto de uns nove anos tentando enterrar outro menino bem menor, que gritava e chorava enquanto terra atingia seu rosto. Corremos em direção a eles e eu gritei: “É bom mexer com quem é pequeno, não é?” O garoto me encarou assustado, mas não se mexeu. Então Enrico começou a pular e emitir estranhos ruídos, numa imitação grotesca de um primata. Quando ele mostrou os dentes e ameaçou dar um bote, o moleque saiu correndo desesperado. Enquanto ajudava o menino menor a se levantar, percebi que ele estava tão assustado quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A luz do Sol começa a invadir meu quarto. Sem propósitos, sem paixões, a vida é uma sucessão de imagens opacas. Pior do que fracassar é caminhar sem rumo, pior do que ser ansioso é não ter esperança. Abro a janela, observo as cores da manhã. O mundo respira sem mim. O mundo vive apesar de nós. Olho para as casas da minha vizinhança e penso nos milhares adormecidos. Quantos os sonhos serão lembrados e quantas palavras terão sentido? De que nos servem esses pensamentos se ninguém pode ouvi-los? A vida afinal, se passa aqui fora ou dentro de nossos espíritos?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Enrico caído no boxe do banheiro, banhado pelo próprio vômito. Ele estava acordado, mas desorientado. Coloquei-o de pé e lavei o seu rosto. Ele se sentou no vaso e ficou encarando a parede. O cobri com uma toalha. “O que você está fazendo?”, perguntei com voz estridente. Ele continuou a olhar, para onde quer que ele estivesse olhando. “Não sei viver assim”, ele falou gravemente. Era obvio que os dias de desperdício de Enrico não eram uma escolha, apenas uma confusão diante da nova vida. Ele não precisava mais roubar restos de cerveja, viver de empréstimos e dormir em um quarto mofado. Ele tinha tudo e não sabia o que fazer com aquilo. “Pare de ficar chapado o tempo todo e arrume alguma coisa para fazer”, eu quis dizer, mas isso seria insensível, não é? Eu diria aquilo mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1389875467162556000?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1389875467162556000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1389875467162556000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1389875467162556000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1389875467162556000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/04/embustes.html' title='Embustes'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8946901252738212577</id><published>2008-03-26T02:53:00.003-03:00</published><updated>2008-07-22T03:03:19.917-03:00</updated><title type='text'>Inexorável</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já passou das duas e eu ainda estou aqui, encarando as infinitas obscenidades que se escondem nessa folha em branco. Porra. Tem uma paisagem árida na minha cabeça, um jardim sem flores, um quarto de hotel barato, um espelho despedaçado, uma cicatriz enorme em meu peito. Um sujeito de olhos flamejantes me apontando, sussurrando suas profecias. Merda. Eu só sou um moleque e ela é só uma menina, corta essa baboseira agora. Já reparou no desdém de um homem após o gozo? Uma vez trepei na frente do espelho e fiquei apavorado com o que vi. Parecia Lúcifer no momento em que olhou o Homem de cima pra baixo, um anjo profano de lábios sangrentos, desprezando a criação, fascinado pela própria beleza. Jesus Cristo! Tinha bebido tanto naquele dia que me sentia o próprio Messias. Era Maria Madalena quem eu penetrava, acho eu. De qualquer forma, somos jovens demais para distinguir amor de luxuria. Só vamos descobrir quando está tudo consumado, feito e fodido. E para que nós iríamos querer uma sujeira dessas, minha Musa ímpia? Continue ai, intocável, idealizada, perfeita. Não corte a minha brisa, não arruíne minha inspiração. Me deixa aqui, fingindo-me de morto, posando de poeta, encarando as infinitas obscenidades que se escondem por trás de cada alma. Dádiva dos Deuses, seu silêncio é minha melodia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8946901252738212577?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8946901252738212577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8946901252738212577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8946901252738212577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8946901252738212577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/03/inexorvel.html' title='Inexorável'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-198405943028394335</id><published>2008-03-14T02:49:00.001-03:00</published><updated>2008-04-14T00:47:45.136-03:00</updated><title type='text'>Domingo de Ramos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por mim, silencie meus sonhos&lt;br /&gt;Resfrie meu corpo, não me deixe crer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim, desengane o desejo&lt;br /&gt;Renegue o beijo, faça o amor morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na incerteza eterna que me faz vagar&lt;br /&gt;Na imensa espera de cada olhar&lt;br /&gt;Sussurro o seu nome&lt;br /&gt;Suave como navalha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, eu não busco consolo&lt;br /&gt;Seu abraço morno de quem não sabe o que quer&lt;br /&gt;Por fim, ignoro o retorno&lt;br /&gt;Os traços de seu rosto esquecerei se puder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas longas noites vazias e secas&lt;br /&gt;No horizonte, onde a promessa queima&lt;br /&gt;Sussurro o seu nome&lt;br /&gt;Suave como navalha&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-198405943028394335?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/198405943028394335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=198405943028394335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/198405943028394335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/198405943028394335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/03/domingo-de-ramos.html' title='Domingo de Ramos'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1477650716742404807</id><published>2008-03-10T02:57:00.002-03:00</published><updated>2008-03-10T03:01:45.766-03:00</updated><title type='text'>Sussurros</title><content type='html'>Ela toca o meu nervo&lt;br /&gt;Ela sabe que não quero dor&lt;br /&gt;Ela me olha em segredo&lt;br /&gt;Espera o frio me expor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________Desdenho a dor com um sorriso&lt;br /&gt;_______________________O meu ímpeto não quer descanso&lt;br /&gt;_______________________No abraço quente de meu delírio&lt;br /&gt;_______________________O amor é a lâmina dos insanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela morde os meus lábios&lt;br /&gt;Ela sabe apreciar meu gosto&lt;br /&gt;Ela foge pelo quarto&lt;br /&gt;A sua carne vem ao meu encontro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________Rituais noturnos elevam o espírito&lt;br /&gt;_________________________Mãos trêmulas vasculham meu corpo&lt;br /&gt;_________________________O corte profundo, um olhar perdido&lt;br /&gt;_________________________A brisa suave de nosso sono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me aqueça com seu fetiche&lt;br /&gt;A pele queima, mas resiste&lt;br /&gt;Viagem ilimitada entre as paredes&lt;br /&gt;Beije a marca, não está tão quente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________Mas se você me mantiver aquecida&lt;br /&gt;_________________________Amanhã ainda estarei com você&lt;br /&gt;_________________________Acariciando cada uma das feridas&lt;br /&gt;_________________________Beijando seus lábios com desdém&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1477650716742404807?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1477650716742404807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1477650716742404807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1477650716742404807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1477650716742404807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/03/sussurros.html' title='Sussurros'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4577229494641325548</id><published>2008-03-01T17:28:00.008-03:00</published><updated>2008-07-22T03:17:07.344-03:00</updated><title type='text'>Amores Efêmeros</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Gabriel Gabay, 6:03 AM – São Bernardo do Campo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;O fluxo de consciência de Gabriel vaga em direção a lucidez após horas de insanidade induzida por uma noite de excessos. A instabilidade emocional, insegurança em relação ao futuro e questionamentos existênciais, típicos de um jovem, são os tópicos deste discurso, desencadeado após um encontro inesperado na Estação Consolação. A sub-filosofia elaborada com a mente entorpecida não é em momento algum negada, mas reforçada por argumentos mais consistentes, ainda que improváveis.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;A vida é regida por nossas escolhas ou somos reféns de fatores acima de nossa compreensão? Já está tudo definido por nossos genes, mapas astrais e homônimos ou somos nós quem construímos nossas próprias identidades? Eu estou cansado. Idéias se repetem, dia após dia. As semanas passam velozes, assim como as certezas. Como posso achar uma motivação sólida, se a cada segundo uma nova paixão explode na minha cabeça? Descendo do ônibus em uma manhã de domingo, admirando o prenúncio de uma tempestade no céu, eu sinto que deixei de fazer alguma coisa, uma missão incompleta. Há algumas semanas, quando a tive em meus braços havia um senso de certeza muito grande em mim, mas hoje nós éramos apenas estranhos, sem ressentimentos, constrangimento ou danos. Não me sinto triste ou decepcionado. Acho até que escapei de cometer um erro infantil. Mas é perturbador perceber as miragens que crio e com que facilidade me deixo levar por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que estou buscando um novo paraíso por segundo, um orgasmo longo, uma vida a prova de tédio. Senso de realização pessoal, contribuição social, que o apocalipse venha e enxágüe para longe todo o mal da humanidade. Uma nova droga que me faça olhar para o abismo da existência e compreender meu papel nessa grande piada que é e a experiência humana. Um modo de secar as lágrimas fúteis, iluminar corações e avisar a todos da boa nova. Eu achei que fosse ela a resposta, assim como tantas outras antes, mas eram meros escapismos, o desejo narcisista de abrir mão da liberdade em troca de conforto, de ser amado pelo que nunca fui. Eu busco uma nova utopia, uma aldeia selvagem, perdida em um limbo subconsciente da alma de cada homem, onde todos compreendem que nada são sozinhos. Uma revolução na mente da humanidade, imprescindível a uma revolução social. Não podemos planejar um novo mundo, se somos incapazes de nos desprender do atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao questionar tudo que passa diante de meu olhos eu estou aprendendo algo ou me privando dos prazeres mais mundanos? Sinto-me ansioso por algo novo a cada instante, mas nunca é o suficiente. O tempo todo a fantasia de liberdade, distante de obrigações, regras, silêncios constrangedores e julgamentos. Viver como um eremita, sereno, desprendido das vaidades que muitos julgam virtudes, ciente da própria insignificância. Quando despenquei daquela janela e emergi das trevas da inconsciência, a realidade diante de meus olhos me pareceu tão fútil e vazia. Algo mudou em mim naquele dia, como se tudo que houvesse ocorrido antes não passasse de uma preexistência, um rascunho de quem eu deveria ser. Quando estava apagado, tive a impressão de ter conversado com alguém, e diante dele eu me sentia uma criança. Talvez fossem anjos obscuros me fazendo uma profecia. Talvez fosse o resgate me socorrendo, mas quem é que vai saber? Acima de mim o céu se torna ainda mais hostil, e vejo a beleza nesta fúria cinzenta. Acaricio meu antebraço, onde ela me tocou pela última vez e tento emular algum sentimento, mas nada acontece. Desejo que os anjos voltem a me visitar, talvez num sonho, talvez em um delírio. É tempo para mais uma metamorfose.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O protagonista adormece. Os sonhos não serão lembrados, mas as impressões permanecerão com ele. Nada mais a ser relatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4577229494641325548?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4577229494641325548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4577229494641325548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4577229494641325548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4577229494641325548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/03/amores-efmeros.html' title='Amores Efêmeros'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4923487749601009101</id><published>2008-02-09T02:01:00.001-02:00</published><updated>2008-07-22T03:13:08.605-03:00</updated><title type='text'>Arena de Asfalto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Enrico Roccato, 2:12 AM – São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Selvageria pura e crua, sem influências socioeconômicas, étnicas ou religiosas. Violência primitiva, sexual, instintiva. Enrico relata sua experiência e de maneira precisa descreve como a condição humana, supostamente evoluída e racional, ainda é refém de urgências subconscientes, oriundas dos estágios primários da evolução.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Olhei para o espelho. Cravei meus olhos no olhar ensandecido, nos lábios sangrentos, nos cortes na testa, no meu olho roxo, nos cabelos desgrenhados, naquele rosto arruinado... Sorri. Sabe o que eu penso sobre cicatrizes? São a glorificação máxima da estupidez masculina. Nós temos toda essa violência contida dentro de nós, um instinto assassino que não se apagou totalmente após milênios de evolução. Quando podemos externar isso, batendo ou apanhando, uma descarga química prazeroso ocorre em nosso cérebro, a libido sobe a níveis incontroláveis, e nossos traumas infantis de dominação feminina são subjugados. Pois nós nunca deixamos de querer ser machos dominantes, violentos e estupradores. Todos os demais comportamentos são hipócritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um bando de idiotas na frente de um boteco sujo. Eu deveria ter subido a Augusta, mas acabei descendo, não imagino por que. Tinha uma garota com esses caras, eles eram uns seis, talvez mais, não posso afirmar, para mim não passavam de vultos. Mas eu me lembro da garota, ela era bem bonita Nada de espetacular, esteticamente falando, mas tinha um certo charme, cabelos lisos avermelhados, pele bem pálida, olhos verdes, um belo decote. Comecei a falar com ela, mas não posso sequer imaginar sobre o que. Pelo que eu me lembre, eu não tinha muito controle sobre minha língua e minha garganta. Não conseguia tirar os olhos do decote, a pele parecia ser tão macia, tão sujeita a um toque... Ela não gostou muito da minha conversa, me empurrou e começou a se afastar. Bom, foi ai que eu fiz o movimento errado, e toquei aquilo que eu queria. Não sei dizer se eles eram punks, skinheads ou garis. Questões ideológicas perdem qualquer sentido, quando um macho toca a fêmea de outro bando. O instinto vem primeiro. Eles gritaram alguma coisa antes de um deles me acertar um murro na cara. Cai instantaneamente, e acho que isso os surpreendeu, pois eles me cercaram e hesitaram. Era o que eu precisava para enterrar meu coturno nas genitais de um deles, que recuou guinchando. Não foi uma coisa esperta de se fazer, eu soube na hora. Comecei a ser chutado por todos os lados. Nas costelas e nas coxas principalmente. Não faço idéia por quanto tempo durou essa tentativa de linchamento. Uma garota começou a gritar e uma sirene salvadora soou pela Augusta. A matilha de assassinos se desfez e meus olhos se abriram. Sangue, cerveja e vomito na sarjeta. Nada mais confortável que um clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gelo contra meu olho inchado. Minha cabeça latejava, minhas costelas gritavam enfurecidas e minhas pernas não funcionavam direito. A menina que tinha gritado durante meu espancamento me ajudou a entrar no bar. “Seu rosto está horrível”, eu a ouvi dizer, através de um túnel metálico de dor e confusão. Tentei mirar no que possivelmente era o rosto dela a minha frente. “Jura? Logo hoje? Eu esperava ganhar uma grana fazendo ponto, mas aqueles viados velhos só me querem pelo meu rostinho angelical”. Foi então que senti uma enorme tontura e o foco do meu olho bom retornou. Surgiu em minha frente uma moça morena. Ela tinha aquela expressão que todas as mulheres fazem quando um cara não leva a sério algo que supostamente deveria. Olhos cerrados, testa franzida, boca torta... algo meio maternal.&lt;br /&gt;“O que você fez pra eles te baterem?”, ela perguntou impaciente. “Foi marcação de território, a velha história, entende?”. Não, ela não entendeu. Ela não era mais bonita do que a outra garota, mas me parecia muito mais atraente. Os olhos delas eram inteligentes, havia firmeza em sua voz, mas tinha um desalento escondido por trás daquilo tudo. A garota dos sonhos de Gabriel. Pena que ele não estava ali para desperdiçá-la. “Você quer que eu chame uma ambulância?”, ela quis saber. Neguei com a cabeça, o que foi uma idiotice, pos qualquer movimento era doloroso. “Não, ficar por horas na fila de um PS não iria me ajudar muito, mas valeu”. Ela finalmente pareceu concordar comigo. Comecei a me lembrar do carro, de Jorge, provavelmente me esperando no portão da minha casa. Ele diria algo como, “Você não tem jeito, vai acabar preso ou se matando, o que Susana ia pensar?”, essas coisas que meu pai nunca disse. Pobre Jorge. “Eu preciso cair fora”, eu anunciei. “Tem gente esperando por mim”. Ela me olhou perplexa. “Como você vai sair daqui desse jeito?”. Pensei numa boa mentira. “Meus amigos estão de carro, tão num bar aqui perto... eu tava indo pra lá. Não esquenta”. Levantei-me e fui pro banheiro. Então vi com orgulho meu rosto de sobrevivente, o olhar glorioso do derrotado que despertou vivo em sua trincheira. Quando sai de lá, a garota tinha sumido. Normal, ela fez mais do que deveria. Espera... qual era o nome dela mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O elemento seguiu mancando de volta para o carro. Seu ímpeto de se encontrar com o amigo havia passado. Dessa vez, não houve nenhum confronto ou discussão com os demais freqüentadores de bares ou casas noturnas das proximidades, apenas olhares curiosos e perplexos diante do estado lamentável de Enrico. De índole narcisista e exibicionista nato, nada daquilo o incomodou. Jamais chegou a se lembrar do nome da garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4923487749601009101?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4923487749601009101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4923487749601009101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4923487749601009101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4923487749601009101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/02/arena-de-asfalto.html' title='Arena de Asfalto'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8827140904572614492</id><published>2008-01-30T03:11:00.002-02:00</published><updated>2008-07-22T03:07:52.455-03:00</updated><title type='text'>Turno da Noite</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Enrico Roccato, 12:37 AM – São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impulsos subversivos despertos pelo abuso alcoólico e pela falta de um lar estruturado na infância. Demonstrações de falta de compromisso ético, valores morais e consideração pelos semelhantes. Idéias desconexas, direção perigosa e alienação total da estrutura social em que vive. O elemento aqui analisado pode ser descrito com precisão como um parasita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jorge Hercules. Sujeito grande, ex-boxeador, corte de cabelo militar, já imaginou o tipo, né? Eu adorava aquele porra, desde moleque, queria ser grande, forte e me vestir naqueles ternos de mafioso, igual a ele. No funeral da Susana ele veio com aquela conversa: “Ela te deixou algumas coisa. Na verdade te deixou o bar. Mas como sabia que você é um porra louca, exigiu que você não administrasse o lugar. Tá morando na oficina do seu tio ainda? Cai fora de lá, vamos arrumar uma casa pra você. Apartamento não, você vai ser expulso em dois dias...vai se foder você, olha o respeito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Jorge Hercules, sempre me pareceu nome de boleiro dos anos setenta, de algum time pequeno do Rio de Janeiro, cabelo black power, costeletas e bigode, pouco técnico, mas raçudo. Mas era só o segurança. Disse que eu precisava trampar para tomar jeito. “Pra que trampar? Eu sou um herdeiro agora”, eu ri na cara dele. Ele fica puto quando eu faço essas coisas. Pedi um carro emprestado pra ele, pra ir ver meu pai. O desgraçado me deu a tranqueira mais imunda que pode arrumar, com medo, não, com a certeza de que eu fosse bater. Gabriel quase enfartou quando viu aquele monte de lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei da viagem, Jorge disse que eventualmente iria me chamar para uns trabalhos, nada demais. Porra, sempre soube que ele era um gangster, e ele ia me jogar nessa para me acertar? “Quem eu vou ter que matar pra você, seu merda?”, eu ri mais uma vez, mas ele me ignorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge, um grande filho da puta. Pra mim sempre foi nome de cafetão falido, com uma trinta e oito na cintura, com uma puta em cada braço, mandando ver num opala estilizado. Me chamou pra ser chofer, num sábado a noite. Como ficaria Gabriel sem mim? Era um menino esperto, mas ainda frágil. Com certeza seria degolado por algum travesti, e eu ia me sentir culpado. Tudo para o grande Jorge Hércules se encontrar com seus fornecedores em um restaurante pretensioso. Uma grande decepção. Me imaginava dirigindo para um bandidão barra pesada, comprando drogas, subornando os coxinhas, roubando bancos... Descobri que Jorge tinha entrado na legalidade, junto com toda aquela corja do bar da Susana, no instante que meu pai tinha desaparecido da face da terra. É impressionante a boa influencia que meu pai traz as pessoas saindo da vida delas. Exceto pela vadia da minha m..., mas aquilo é um caso perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi no carro ouvindo uma coletânea de MPB que achei no porta luvas. Tinha achado também uma garrafa de uísque debaixo do banco. Metade dela na minha garganta, a outra metade se perdeu no assoalho do carro, quando eu adormeci e derrubei tudo. Quando acordei, não lembrava o que porra eu tava fazendo ali, e nem de quem era aquele carro. No meio da minha confusão, senti inveja de Gabriel, descendo a Augusta como se fosse Dorothy na estrada de tijolos amarelos, e simplesmente dei a partida no carro, querendo me encontrar com ele. Os faróis estavam desligados, assim como meu senso de direção e parte de minha coordenação motora, de modo que me atrapalhei um pouco, me perdi algumas vezes e quase causei alguns holocaustos no transito. Me vi estacionando na Frei Caneca, sem saber como tinha chegado ali. Não que isso importasse, era sábado à noite e eu estava entediado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O elemento seguiu cambaleante em direção a Rua Augusta. Foi objeto de riso de um grupo que se dirigia na direção contraria, para um famoso clube noturno voltado ao público de vida alternativa, localizado na Rua Frei Caneca. Enrico respondeu com ofensas homofóbicas, uivos selvagens e retirando seu órgão sexual das calças, balançando o obscenamente aos transeuntes. Apesar das agressões verbais, não houve embate físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8827140904572614492?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8827140904572614492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8827140904572614492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8827140904572614492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8827140904572614492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/01/enrico-roccato-1237-am-so-paulo.html' title='Turno da Noite'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-146684235564095691</id><published>2008-01-29T02:29:00.002-02:00</published><updated>2008-07-22T03:08:16.760-03:00</updated><title type='text'>Depois da Meia Noite...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Gabriel Gabay, 4:12 AM – São Paulo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Impressões ébrias em uma noite de sábado na capital paulista. Atentar-se a prosa pobre, falta de argumentação e de recursos criativos do elemento observado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;em&gt;O asfalto está frio hoje. A grande decepção da noite é a própria noite, cheia de bares fechados, passos desencontrados e encontros abortados. Uma noite atrás tudo parecia resolvido, mas agora eu era só mais um fodido, vagando pelo centro, em busca de inspiração entorpecida. Escutem crianças, tudo tem um motivo. Não saiam enchendo a cara por ai, sem ter razões ideológicas para isso, ou você não vai passar de clichê imoral, do tipo que os nazistas adoram expor em jaulas como exemplos de decadência, Não queridos, nada disso. O segredo é fazer disso um meio, não um fim. Ficar bêbado é só uma etapa em busca da construção de um caráter elevado, desprendido de todas as superficialidades da vida, tais como ambição financeira, amor idealizado, secretárias boqueteiras, cargos elevados, filhos loiros, antidepressivos com uísque, casas em condomínios, cadeiras reclináveis, orgulho dos pais, masturbadores elétricos ou qualquer tipo de consideração com o próprio bem estar. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;em&gt;Porra, eu sou um jornalista, eu tenho obrigação profissional de me desprender da vida material. Só um sujeito tão comprometido com a própria destruição pode ser realmente capaz de denunciar a podridão apocalíptica do mundo, sem medo de acabar castrado e abandonado a beira de uma estrada deserta. Porra, pense em Jesus Cristo, por exemplo, por que você acha que ele só começou a pregar depois dos 30? Por que antes disso ele estava ocupado aprendendo filosofia oriental, renegando os pais e irmãos, enchendo a cabeça de ópio e tendo visões no deserto. Só depois de ter alcançado o completo desdém por toda futilidade narcisista que as pessoas normais chamam de vida, é que você se torna capaz de cagar no templo, vomitar sobre o clero e mandar todo mundo se foder do jeito que ele fez, sabendo que teria uma morte tão horrenda. É preciso ser um marginal para ser um profeta, já dizia Corisco, para seu bando de saqueadores perturbados. Além disso, a velha indumentária já não me servia mais. Ser um poeta romântico, depressivo e niilista não estava ajudando em nada. Sai Ian Curtis, entra Iggy Pop. Em busca do estado total de selvageria, iluminação espiritual por meio de mutilações e delírios. Talvez uma viagem ao coração da Amazônia, em busca do alucinógeno perfeito. Porra! Daria até um livro! A jornada profana de Gabriel Gabay ao ânus da América do Sul. Eu tinha que ter cuidado para não exagerar nos adjetivos, ou a critica ia me massacrar. Talvez eu acabasse me fodendo no caminho, degolado por bandidos, brutalizado por nativos, estuprado por garimpeiros enlouquecidos ou contaminado por doenças tropicais ainda não descobertas, mas eu tinha que correr o risco. Se eu não sobrevivesse, então não valia merda alguma, é assim que funciona a evolução. A única certeza é que tem mais policiais na rua do que putas hoje a noite. Que porra de mundo é esse? Não, a noite ainda não pode acabar, ainda tenho alguns trocados, e fome de viver na cabeça. Conheci uma garota que se cortava, ela me deixava fascinado. Era a expressão artística máxima, se dilacerar com uma navalha, porra, quem iria a ignorar? Acho que ela acabou se matando, ou se convertendo ao islamismo. De qualquer forma, nunca recebeu a fama que merecia. Suas cicatrizes eram rosas virulentas, reais demais para esse mundo hipócrita. Nunca tive coragem de fazer aquilo. Despenquei de uma janela uma vez, mas aquilo foi um delírio, uma possessão... um desperdício de energia. Suicidas me irritam hoje em dia. É exatamente o oposto de se desprender, você está tão envolvido nessa imundice, preocupado com que pensam de você, com seu futuro, com suas paixões juvenis, que acaba implodindo. O que eu quero é explodir agora, ser um insulto, não um lamento... merda, minhas mãos estão tremendo... melhor ir para o metrô, já está aberto. Talvez eu encontre alguns mendigos no caminho e planeje uma revolução, pacifica ou não. Nunca me decidi sobre isso...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;O objeto de nosso estudo segue para a estação de metrô mais próxima. No caminho é abordado por três prostitutas, um mendigo, um gari, três vira-latas e um pastor evangélico. Ninguém foi ferido ou exposto a ideologia rasa de nosso protagonista. O prórpio esqueceria suas divagações em um limbo subconsciente, após um encontro marcante no vagão do trem. Mais informações no próximo relato.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-146684235564095691?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/146684235564095691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=146684235564095691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/146684235564095691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/146684235564095691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/01/depois-da-meia-noite.html' title='Depois da Meia Noite...'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-7196540953584461231</id><published>2008-01-18T02:39:00.001-02:00</published><updated>2008-01-18T02:39:38.561-02:00</updated><title type='text'>Enigma</title><content type='html'>Qual o homem não se sente seguro&lt;br /&gt;Onde fogem seus desejos obscuros?&lt;br /&gt;Sozinho, eu espero se revelar&lt;br /&gt;Um enigma que se recusa quebrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinturas disformes nas paredes&lt;br /&gt;Revelam para onde fugiu a mente&lt;br /&gt;Resisto ao auto-convite&lt;br /&gt;Mas uma voz repete e insiste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão perto assim? Por que eu não te vejo?&lt;br /&gt;Vivo ao fim, mas perdi seu segredo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando lado a lado com o vazio&lt;br /&gt;Ainda marcado o beijo macio&lt;br /&gt;Cada vez mais distante, me aproximo&lt;br /&gt;Chego no instante de ser esquecido&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Soa a chuva e você se perde&lt;br /&gt;Desiste da busca e apenas segue&lt;br /&gt;Mais um é enterrado, é o destino&lt;br /&gt;Queria ter te encontrado ainda vivo&lt;br /&gt;Salvei a mim mesmo, eu acredito&lt;br /&gt;E sua voz se perde no infinito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-7196540953584461231?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/7196540953584461231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=7196540953584461231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7196540953584461231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/7196540953584461231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2008/01/enigma.html' title='Enigma'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-2604358003517100951</id><published>2007-12-21T07:32:00.001-02:00</published><updated>2008-08-30T03:40:04.176-03:00</updated><title type='text'>Sob a ação do fogo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fixando seus olhos nas chamas, o Poeta contemplava com satisfação resignada as folhas de papel se contorcendo e morrendo sob a ação do fogo. Aquela fogueira em um latão velho era o seu altar, onde o sacrifício supremo era feito. Pilhas e pilhas de sua obra máxima queimavam, e conforme as labaredas aumentavam, ele sentia que dentro dele algo se apagava. Era uma alivio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido um acidente. Não havia luz elétrica, então havia velas acesas pela casa toda. Algo lhe atormentava por dias, uma torturante memória que se repetia sem cessar, um erro imperdoável, um remorso que não se calava, a vontade absurda de tentar refazer sua ação em algum lugar no passado e a sufocante agonia de saber que não haveria redenção para seu crime. Tentando apaziguar a angustia em seu peito, ele escreveu a mão incontáveis linhas sobre o seu erro, refazendo a dolorosa cena, sem ocultar nenhuma humilhação ou culpa. Seus pulsos gemiam no espasmo que era aquele auto-flagelo. Ele leu mais de uma vez aquela carta sufocante, mas não houve alivio, apenas uma breve sensação de dormência, uma agonia letárgica que combinada com a fraca iluminação, tornaram um esforço tremendo manter seus olhos abertos. Ele adormeceu sobre a mesa, e ao despertar, esbarrou seu braço no apoio da vela, que caiu sobre suas folhas e causou um pequeno incêndio. O Poeta resolveu tudo com a ajuda de um cobertor velho, e com certo pesar observou as cinzas que se espalhavam sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo aconteceu. A Musa passou por ele, como se nada tivesse ocorrido. Nenhum olhar de censura, nenhum riso de escárnio, muito menos mágoa entre eles. O Poeta sentiu a angústia morrer em seu peito e aquela lembrança se dissipar com um sonho desbotado e sem sentido. Ele sabia agora, tinha feito uma descoberta fascinante, que logo o consumiu como nenhum outro vicio já havia feito antes. Cada vergonha, cada memória triste, cada segundo perturbador de sua vida era transcrito para depois ser incinerado. Por dias ele se sentiu poderoso, invencível, um alquimista que podia manipular o próprio destino. Ele podia até cometer os piores pecados sem ter que se preocupar com as conseqüências. Tudo viraria pó. Sem lembranças, sem vitimas, sem remorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu reflexo no espelho lhe dizia que algo estava errado. Seu rosto havia perdido a cor, seus olhos não tinham mais vida. Seu corpo era um mero fantasma, translúcido e enfraquecido. Dentro dele, um vazio imensurável, um abismo que jamais seria preenchido, uma desesperança tão profunda que o único desejo que restara era o de desaparecer. A noite, não mais sonhava. Eram apenas grandes intervalos escuros entre o adormecer e o despertar. Seus amigos não o reconheciam, ele era uma memória perdida no tempo. A Musa o abandonara, e seus poemas eram vazios, desprovidos de alma e sentido. Até que um dia ele não mais pode escrever. Na fúria de apagar suas fraquezas, e moldar se um ser perfeito e indestrutível, ele percebeu, ele havia destruído seu próprio âmago, sua ânsia de viver e de servir bem a quem amava. Não havia mais nele o ímpeto criativo, nem a vontade de reconstruir o mundo a sua maneira. Tudo era cinza, vazio e irreal. Desprezava a tudo e não pertencia a nada. Só havia vaidade, luxuria e cobiça. Seu ego inflamado o conduziu a esta criatura triste e solitária. E no brilho final produzido por sua mente, ele soube o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levaram dias. Ele não comeu, nem dormiu, apenas escreveu. Cada lembrança, cada glória, cada instante ainda vivo em sua cabeça. Seus sorrisos, seus beijos, suas brincadeiras na infância, suas descobertas, suas mentiras. Pilhas de papeis se acumulavam sobre a mesa. Quando terminou, colocou tudo em uma grande caixa de papelão. Em um terreno baldio, ele fez uma fogueira num velho latão. Quando as folhas começaram a se queimar, ele sentiu um doloroso alivio. A lenta morte do seu ego produzia um estranho formigamento em seu corpo e uma névoa fria tomava conta de seus pensamentos. A cada memória queimada, sua vista se embranquecia mais. Quando a última página se consumiu, ele estava livre, desconectado do mundo para sempre, como sempre havia desejado intimamente. Sua existência seria ignorada, sua mãe nunca o havia parido, seu pai nunca o concebido, ninguém o amado, nem o desprezado. Ele era apenas pó levado pelo vento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-2604358003517100951?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/2604358003517100951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=2604358003517100951' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2604358003517100951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/2604358003517100951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/12/sob-ao-do-fogo.html' title='Sob a ação do fogo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-8409722259103262156</id><published>2007-11-27T00:23:00.000-02:00</published><updated>2007-11-27T00:25:21.594-02:00</updated><title type='text'>A Jaula</title><content type='html'>Ela me espera em agonia&lt;br /&gt;Revela a minha real ferida&lt;br /&gt;Desejo ter a alma livre&lt;br /&gt;Mas a dor e o medo ainda existem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho não reflete a verdade&lt;br /&gt;O destino não obedece a minha vontade&lt;br /&gt;E me abandona aqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda corre em mim o seu veneno&lt;br /&gt;Guardo a cicatriz do seu beijo&lt;br /&gt;Aprisionado em mim, agora eu vejo&lt;br /&gt;A dor de fugir do que eu desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o esforço seja em vão&lt;br /&gt;E o meu corpo seja a minha prisão&lt;br /&gt;Sinto esmorecer pouco a pouco&lt;br /&gt;Feito refém do seu conforto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O controle se reserva a ela&lt;br /&gt;E ao meu redor a realidade se altera&lt;br /&gt;E me abandona aqui&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por uma passagem estreita eu chego ao fim&lt;br /&gt;A alma desfeita dentro de mim&lt;br /&gt;O que eu fiz não tem perdão&lt;br /&gt;Me abandone aqui sem o seu perdão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-8409722259103262156?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/8409722259103262156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=8409722259103262156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8409722259103262156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/8409722259103262156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/11/jaula.html' title='A Jaula'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3308925196628138048</id><published>2007-11-26T02:54:00.001-02:00</published><updated>2007-12-20T04:00:01.782-02:00</updated><title type='text'>Estrada</title><content type='html'>Era um jeito estranho de encerrar um funeral. A 220 por hora, em um Chevette marrom despedaçado, cheiro de mofo, fuligem e vodca no ar. Essa rodovia é conhecida como a estrada da morte, e ver Enrico dirigir com uma garrafa de Smirnoff entre os joelhos me deixou levemente tenso. Não fazia mais do que duas horas desde haviamos deixado à funerária. A voz no telefone soou sóbria demais para ele, “Tenho que ir num velório, quer ir comigo?”. Foi estranho, era de uma amiga da família dele, chamada Susana. “Foi chefe do meu pai, ele era segurança do bar dela”. Todo mundo parecia conhecer Enrico, e o fitavam com um ar paternal, típico de quem o havia conhecido na infância e o visto crescer. Ele se recusou a ver o corpo no caixão. Fui ao banheiro, e quando voltei, ele havia sumido. Um sujeito com cara de boxeador me pediu para esperar. Meia hora depois, Enrico aparece com aquele museu que por milagre ainda rodava. Fiquei com medo de perguntar onde ele tinha arrumado aquilo. “Um amigo emprestou”, sem maiores detalhes não me convenceu. Então um sujeito bêbado, transtornado, sentado em um carro cuja única forma de servir bem a humanidade seria apodrecendo em um pátio imundo qualquer, onde ratos e mendigos disputam abrigo entre a ferrugem, propõe uma viagem de 6 horas para o sul do estado. O que você faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos em um posto no meio do nada. Fui mijar e quando voltei encontrei Enrico fumando com uma garota. Ela era muito bonita, e Enrico tentava uma sutil aproximação, tão sutil quanto era possível para ele. De qualquer forma, enquanto os dois estavam no banco traseiro do carro, eu comia no restaurante e pensava na minha inerte vida sexual. Enrico me disse que eu exagerava na idealização das mulheres e via todas elas ou como putas, ou como santas. Segundo ele, esse meu machismo enrustido por de trás da minha máscara de timidez apática era a razão da minha falta de habilidade com as garotas. “Todo mundo tem que ter seus complexos”, eu disse, aceitando a teoria rapidamente, para não ter que digeri-la da maneira apropriada. Um caminhoneiro aparece avisando de um acidente grave. Um carro incendiou e a pista estava cheirando a carne queimada. Vodca quente e o pão com queijo derretido se revoltaram no meu estomago. Abraço um vaso imundo, lavo o rosto, empato uma foda e saio daquele limbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande revelação. Enrico disse que a sua falecida amiga tinha sido uma mãe pra ele. “Quando eu brigava com aquela puta (Enrico se refere a sua mãe invariavelmente sob essa terminologia) eu ia me esconder no bar dela. Ela me ouvia, me tratava como gente. Merda, as pessoas boas sempre se fodem...” Silêncio que precede mais um monologo. No painel percebo uma luz vermelha acesa, avisando de alguma falha mecânica á muito ignorada. “Meu pai adorava ela, uma das razões por que ela largou a vaca foi por que ela tinha ciúmes da amizade dos dois, mas meu pai nunca pegaria ela...” Por que? Por que o peito maternal que abrigou meu amigo em sua infância, era silicone puro. Seu rosto e corpo eram resultados de cirurgias e hormônios, e entre suas pernas a verdade repousava. “Susana era um homem... biologicamente falando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns de seus desafetos ironizaram sua morte, dizendo que tinha sido câncer nos testículos, mas isso era uma grande calunia. “Foi no pâncreas, e depois se espalhou no organismo. Porra, não bebia, não fumava, merda...” Se recusou a fazer quimioterapia, morreu 3 meses depois de constatada a doença. “A pessoa mais decente que eu já conheci, seca e morre durante 3 meses, vomitando e cagando sangue. Que porra de mundo é esse?”. Enrico costumava ser cínico. Provavelmente diria em resposta a si mesmo algo como “Câncer não escolhe suas vitimas por um processo de seleção moral. Acontece por pré-disposição genética e efeitos do ambiente”, mas ele estava muito perturbado. A vodca acabou, mas no porta-malas tinha mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela cidade não podia existir. Parecia uma imagem de guerra de um país exótico e distante, crianças semi-nuas correndo entre os bananais. Só tinha bananeiras, casebres e miséria, em todos os cantos. O carro parou em frente a melhor casa da região, o que não significa grande coisa. Em uma cadeira da praia repousa o grande bêbado. Era aquilo que acontece conosco no final? Os transgressores, ébrios, sonhadores, todos terminavam derrotados, destruídos fisicamente e abatidos pela sensação de desperdício? Pai e filho se encaram e não dizem nada. As lagrimas daquele velho me comovem e me repulsam ao mesmo tempo. As crianças me observam com tímida curiosidade. Enrico se vira para mim. “Vamos embora”, ele quis ordenar, mas apenas suplicou, sem voz. Nego com um gesto, precisamos dormir. Aquela casa suja teria que nos abrigar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3308925196628138048?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3308925196628138048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3308925196628138048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3308925196628138048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3308925196628138048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/11/estrada.html' title='Estrada'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-3282594497879143754</id><published>2007-11-06T02:56:00.000-02:00</published><updated>2007-11-26T02:56:22.032-02:00</updated><title type='text'>Exílio</title><content type='html'>Marco estava sentado sob o Sol fraco de outono, no jardim de sua casa, cercado pelas crianças da região. Elas brincavam, corriam e berravam umas com as outras, mas não ousavam incomodar seu anfitrião. Marco ria, contava e ouvia histórias, bebia um pouco de sua vodca e cantava canções em italiano. Estava naquele fim de mundo há alguns anos já, cercado de crianças miseráveis, agricultores e bananeiras. Só tinha banana naquela merda de terra, para onde você olhasse. 54 anos de vida, ambições e sonhos se reduziam a um velho de pele queimada, camisa desabotoada, óculos de sol vagabundos e uma garrafa de vodca da pior qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido na Itália, vagabundeava pelo Brasil desde os 17. Se envolveu em golpes, prostituição, desmanches, alambiques clandestinos, cassinos, trafico internacional de muamba, drogas e armas, roubo de carga, empresas fantasmas, estelionato, buffets infantis, táxis, proxenetas, torniquetes improvisados, camisinhas vencidas, anticoncepcionais falsificados, desova de químicos em mananciais, amuletos da sorte, bingos, seqüestro de cadáveres e especulação imobiliária. Casou-se há 25 anos com uma operária do Brás chamada Estela. Ela era linda, loira e de olhos azuis, mas bebia muito, até mais do que ele mesmo. Tiveram um filho, Enrico. Quando o moleque tinha 9, Marco se mandou. Nunca chegou a perder o contato com o filho, mas um não ligava muito pro outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falido e ameaçado por meio mundo, se refugiou nesse vale, que mais parece um cu atolado de bananas. Um alqueire de terra não vale nada e uma tonelada de banana menos ainda. Mas é possível sobreviver e comprar um pouco de vodca. Obviamente, Marco não mexe um dedo, os vizinhos é que retiram as frutas, carregam o caminhão e vendem o produto. Em troca, ele paga uma mixaria e deixe toda aquela molecada brincar na sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele coça uma picada de pernilongo em seu calcanhar pálido e sente algo de errado. Uma vibração estranha, um mau pressentimento, uma nuvem de negatividade se aproximar. Logo tudo se reduz ao ronco de um carro velho se aproximando na estrada. Um Chevete marrom despedaçado para em frente a sua casa e um silêncio insano se faz quando seu motor se desliga. Lá de dentro brotam dois sujeitos, pálidos e sonolentos. Semblantes cerrados, devido ao Sol rasteiro nos olhos. Um parecia perdido e curioso, e olhava ao seu redor, vagaroso e confuso. O outro parecia mortalmente sério, sabia onde estava e quem devia procurar. Seus olhos se encontraram com as lentes empoeiradas de Marco, que viu nos olhos do filho a fúria pesarosa de alguém que não queria estar aqui, mas não teve escolha. E logo ficou claro que a presença de Enrico se devia únicamente a um anúncio fúnebre. Os dois jovens se postaram em frente ao velho, e mutuamente sentiram o cheiro de vodca que os três carregavam. Pai e filho tinham o mesmo hábito, pensou Gabriel, inebriado. E como dois mensageiros infaustos, eles ali ficaram, sem dizer uma palavra. Provavelmente a mãe dele, pensou Marco, mas não, não era isso, ele sabia. Então o olhar incendiário de Enrico baixou triste para o chão, do jeito que só uma pessoa seria capaz de fazer, logo percebeu seu pai. E em meio às crianças caladas e intimidadas por aqueles dois estranhos, Marco colocou as mãos sob suas lentes sujas e tentou segurar suas lágrimas. E aquele que menos merecia, estava morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-3282594497879143754?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/3282594497879143754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=3282594497879143754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3282594497879143754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/3282594497879143754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/11/exlio.html' title='Exílio'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1675110880978012249</id><published>2007-10-29T06:22:00.000-02:00</published><updated>2007-10-29T06:23:35.771-02:00</updated><title type='text'>Ela Vem Como Uma Tempestade</title><content type='html'>Ela vem como uma tempestade&lt;br /&gt;Destruindo os contornos da minha ilusão&lt;br /&gt;Seu sopro gélido é minha única verdade&lt;br /&gt;Arruinando a final esperança de redenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vem como uma tempestade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1675110880978012249?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1675110880978012249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1675110880978012249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1675110880978012249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1675110880978012249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/10/ela-vem-como-uma-tempestade.html' title='Ela Vem Como Uma Tempestade'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-1010005244096809673</id><published>2007-10-09T00:46:00.000-03:00</published><updated>2007-10-09T23:46:28.407-03:00</updated><title type='text'>Efeito Néon</title><content type='html'>Desci a Augusta feito um sonâmbulo, porra quente nas minhas pernas, fruto de uma bolinada com uma colegial de sorriso tímido e mãos ágeis que me prensou contra um muro escuro de uma travessa qualquer, presenteou-me com sua saliva com teor de cannabis e com uma punheta de 6 minutos. Uma mistura de euforia alcoólica e efeitos colaterais do orgasmo tiraram o foco da minha vista e adulteraram meu senso de direção, mas de algum modo cheguei aonde devia chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morto, assim Gabriel parecia estar quando o encontrei deitado de costas a margem da pista de dança. Me aproximei e notei em seu semblante uma já característica expressão angustiada, como de um profeta mudo diante da extinção de sua civilização, condenado ao peso de seu dom inútil e incapaz de fazer algo mais do que assistir ao apocalipse de sua própria era. Olhos abatidos, fixos no canto mais escuro da casa. Tentei localizar algo ali, mas não havia nada, apenas trevas. Chutei-o entre as costelas e perguntei se ele estava bem. Ele moveu a cabeça uma distância insignificante, quase imperceptível, apenas o suficiente para me encarar e fazer um gesto afirmativo. O pus de pé sem dificuldades e caminhamos vagarosamente para fora dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos em frente a um boteco, lado a lado, sem dizer uma palavra. Gabriel continuava a fitar algum acontecimento passado, futuro ou fictício, e mantinha se distante da minha presença. Fingi que não ligava, como sempre faço, e fiquei observando a movimentação das boates, dos bares e das putas. Um carro de policia espantou uma roda de maconheiros, entre eles a garota com quem tinha me entretido há alguns instantes. Ela me pareceu bem sem graça a distância. Porra de Augusta, o clichê máximo de todos os clichês ambulantes de São Paulo. Os boêmios cheios de pose, os falsos poetas, punks dos jardins e skinheads de pele parda. Porteiros de boate encaram tudo com desinteresse e as putas parecem ser as únicas a se camuflar. Passarela do exibicionismo de todos os orgulhos bizarros, fetiches forçados e da vaidade reprimida nas demais ruas. Nada é real e a última coisa que importa é ser autêntico. Desconfio até mesmo de pensamentos quando estou aqui, como se estivesse em um universo paralelo cujo efeito é semelhante a uma droga alucinógena que me faz acreditar que eu seja o que fantasio ser. Ao meu lado, Gabriel suspira, sufocado pela máscara que escolheu usar hoje a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo rua, do lado oposto da calçada, um casal de mãos dadas escarrou em nosso rosto com sua mera presença. A realidade naquele andar sincronizado, no sorriso abobado, no entrelaçar dos dedos e na essência de todo aquele afeto causou um turbulento despertar em mim e em meu amigo. A rua pareceu se desintegrar sob nossos pés junto com todas as ilusões ali criadas. Um vórtice engoliu todo o cenário fantasmagórico de libido e néon que milhares de sonhadores ébrios haviam criado ao longo de décadas. Fiquei nu do meu disfarce de pervertido, alucinado, selvagem e inconseqüente, do meu niilismo narcisista, do meu ego ferido pelo abandono. Gabriel se livrou da indumentária poética trágica, da melancolia febril e charmosa, do olhar épico de Che Guevara, do amante rejeitado e do suicida adorável. Estávamos ambos reduzidos a nossa verdadeira essência, dois moleques estúpidos, entediados que preenchem suas vidas com tormentos que não possuem, com amores que não desejam, com cicatrizes aonde nunca houveram feridas, buscando uma cura para a própria existência alienada fútil, sem nunca olhar para fora de si mesmos e enxergar o que realmente se passa no mundo. Quando o casal dobrou a esquina e desapareceu, nossos olhares se encontraram surpresos, vivos, quase infantis. Sem dizer nenhuma palavra, caminhamos em direção da Paulista. Sobre nós o Sol despertava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-1010005244096809673?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/1010005244096809673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=1010005244096809673' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1010005244096809673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/1010005244096809673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/10/efeito-non.html' title='Efeito Néon'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6008170973268511832</id><published>2007-10-03T00:09:00.000-03:00</published><updated>2007-10-03T00:11:37.433-03:00</updated><title type='text'>Beladona</title><content type='html'>Me dê seu beijo e seu segredo&lt;br /&gt;Cauterize minha ferida&lt;br /&gt;Me dê seu beijo e seu veneno&lt;br /&gt;Tome posse da minha vida&lt;br /&gt;Deságüe em minha língua sua doce toxina&lt;br /&gt;Invada meus lábios com uma morte mais suave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus lábios me alimentam&lt;br /&gt;Em minhas veias serpenteiam&lt;br /&gt;Amor, você me fez completo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda espero seu presente&lt;br /&gt;Sua carne profana e fatal&lt;br /&gt;Que seu ódio me esquente&lt;br /&gt;Ao seu toque, dádiva final&lt;br /&gt;Preencha minhas veias com um amor que me incendeia&lt;br /&gt;Puna minhas mentiras com uma última caricia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso beijo a promessa&lt;br /&gt;O desejo dilacera&lt;br /&gt;Amor, você me fez completo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6008170973268511832?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6008170973268511832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6008170973268511832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6008170973268511832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6008170973268511832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/10/beladona.html' title='Beladona'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-6052459878169573111</id><published>2007-09-25T02:44:00.000-03:00</published><updated>2007-09-25T02:46:03.691-03:00</updated><title type='text'>Desejo</title><content type='html'>Penetra em meu quarto um invasor invisível e se posta ao meu lado. Admira meu sono nu de noite quente, agitado e ansioso. Me conforta com seus lábios quentes que percorrem meu corpo, cada centímetro exposto, por toda minha carne, numa caricia terna como um sussurro. Indefeso e impassível, estremeço no prazer inesperado do amante sem nome e sem corpo que me envolve, me desnorteia e me desperta. A porta está aberta e eu estou só. O Desejo febril partiu tão silencioso quanto entrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-6052459878169573111?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/6052459878169573111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=6052459878169573111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6052459878169573111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/6052459878169573111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/09/desejo.html' title='Desejo'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-9025416651306177172</id><published>2007-09-24T01:58:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T04:45:22.430-03:00</updated><title type='text'>O Estranho</title><content type='html'>Há um estranho caminhando no acostamento. Imperceptível figura esguia, silenciosa e errante, como um ectoplasma cinzento envolvido na poeira e na fumaça da rodovia, trafegando livremente de nossa percepção e de nossos vãos julgamentos. Admirando as mazelas da cidade com suas órbitas negras e vazias, perdido em seu próprio labirinto traçado por ruas envenenadas pelo lixo e pela miséria, saboreando aromas familiares e há tanto tempo negados, comida estragada de vendedores ambulantes, poluição tóxica dos escapamentos, urina, suor, dejetos acumulados e decompostos nas sarjetas, maconha barata, cigarros sem filtro, a lama das enchentes e o ar inebriante dos bares de esquina. Nada escapa ao seu olhar impiedoso, nenhum indigente ébrio, nenhum migrante nordestino, rejeitado pela própria terra e devassado por essa outra, nenhum travesti com suas navalhas, nenhum policial especializado em conduzir humanos como gado, nenhum engravatado, engalfinhado com seus contratos, seu pó e suas putas, e nem mesmo os anônimos que se escondem por de trás de sua máscara de mediocridade e de sonhos baratos de casa, carro, emprego e família. No sagrado silêncio da periferia, ele assisti as armas explodirem nas mãos de quem atira, e o sangue quente e juvenil alimentar as entranhas dos mercadores da pólvora. Em seu quarto no motel, medita sobre sua motivação, seu passado fragmentado, sua existência inconfidente. Entre aquelas paredes nada importa, o mofo no teto, as manchas escuras de esperma velho no assoalho, os lençóis inundados por uma chuva de fluidos, os filmes pornográficos, a estática do radio quebrado. As respostas se vêem através da janela, naquele organismo disforme, gigante e acéfalo que se expande de favela em favela, engordado com sacrifícios humanos que alimentam seu câncer, exibindo os corpos em valas comuns e em fotos preto-e-branco, como troféus de sua própria infâmia. Na beira da calçada um estranho caminha, lança-nos um ultimo olhar inválido e sorri diante de nossa essência. E segue sozinho em sua interminável estrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-9025416651306177172?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/9025416651306177172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=9025416651306177172' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/9025416651306177172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/9025416651306177172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/09/o-estranho.html' title='O Estranho'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14746402441262953.post-4822156537667349718</id><published>2007-08-31T05:53:00.000-03:00</published><updated>2007-08-31T05:55:03.602-03:00</updated><title type='text'>Amor na Cabeça</title><content type='html'>Um beijo para a gloria, um desejo em meu peito&lt;br /&gt;As ruas contam a história em um compasso imperfeito&lt;br /&gt;Nada do que você diga irá apagar o meu anseio&lt;br /&gt;Curar essas feridas é o que eu preciso no momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bata com força para me acordar&lt;br /&gt;Beije meus olhos e me faça sonhar&lt;br /&gt;Eu grito seu nome pela avenida&lt;br /&gt;Seu sabor em meus lábios resiste ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não busque o controle, não tente entender&lt;br /&gt;Resista insone, não confie em ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desespero simulado, lágrimas incompreendidas&lt;br /&gt;Nunca estive ao seu lado e nem dei o que você queria&lt;br /&gt;Como posso ser um homem desperdiçando os meus dias?&lt;br /&gt;As vozes que me respondem jamais entenderiam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busque um motivo para me deixar&lt;br /&gt;Encontre o ritmo e comece a dançar&lt;br /&gt;Na escuridão do quarto você sabe o que sente&lt;br /&gt;Fique ao meu lado e me arraste para frente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não busque o controle, não tente entender&lt;br /&gt;Resista insone, não confie em ninguém&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14746402441262953-4822156537667349718?l=pontodevertigem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/feeds/4822156537667349718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14746402441262953&amp;postID=4822156537667349718' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4822156537667349718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14746402441262953/posts/default/4822156537667349718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pontodevertigem.blogspot.com/2007/08/amor-na-cabea.html' title='Amor na Cabeça'/><author><name>Ricardo Casarin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11579922994120458726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_ORX1h_TJ-rs/S4N-l4h9KRI/AAAAAAAAAQE/XTXrfhMRIKI/S220/DSC02152.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
